Mercado de leite vive encruzilhada no país
A produção de leite no Brasil caminha para atingir este ano um volume que quase ninguém do setor achava provável. Depois do volume de 27,2 bilhões de litros de 2007, segundo o IBGE, estimativas indicam que a produção pode bater 30 bilhões de litros em 2008, algo que era esperado para 2010, nas projeções mais otimistas.
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Num setor em que o crescimento histórico médio da produção é de 3% a 4% ao ano, surpreendeu o avanço de 9,31% levantado pelo IBGE no primeiro trimestre deste ano, quando o volume de leite captado pelas indústrias alcançou 4,893 bilhões de litros. A previsão se refere ao leite que passa por inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) - no ano passado foram 17,886 bilhões de litros do total de 27,2 bilhões - segundo o IBGE. Extrapolando o avanço de 9,3% para a produção total, o volume alcançaria 29,8 bilhões de litros. "A expectativa era que o país iria produzir isso em 2010", afirma João Bosco Ferreira, presidente da mineira Cemil.
"Há quem fale em quase 33 bilhões de litros", acrescenta Laércio Barbosa, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV) e diretor do Laticínios Jussara. Essa estimativa, ainda mais surpreendente, considera o índice de captação de leite do Cepea - que de janeiro a julho deste ano foi 21,6% superior ao de igual intervalo de 2007. O índice é feito com base em levantamento em indústrias de nove Estados brasileiros.
Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil (que reúne produtores), reconhece que a produção "cresceu absurdamente" este ano e diz que o quadro foi estimulado pelas indústrias que fizeram uma "corrida à compra de leite". Segundo ele, dados compilados pelo setor produtivo com base em informações do Ministério da Agricultura indica que as indústrias receberam 11,7% mais no primeiro semestre deste ano. Ele avalia, porém, que esse ritmo não irá persistir até o fim do ano.
Gustavo Beduschi, pesquisador do Cepea, também considera que o avanço de 21,6% no índice de captação visto até julho não deve se manter. "O primeiro semestre foi muito forte", observa. Mas ele admite que "é difícil" que caia abaixo de 10%.
Rubez, que junto com cadeia produtiva, levará ao governo um pedido de medidas de apoio - como EGF (empréstimos do governo federal) para a indústria - diz que a queda do consumo piora o quadro para os produtores. Segundo ele, pesquisas indicam recuo entre 8% e 10% no consumo de lácteos no primeiro semestre do ano.
Alfredo de Goye, da trading Serlac, considera o quadro positivo no médio prazo e diz que os excedentes devem ser destinados ao exterior. Isso já está acontecendo. "No primeiro semestre, fizemos o equivalente ao que exportamos todo o ano passado", observa. Em receita foram US$ 291 milhões e o volume alcançou 81.952 toneladas.
Para Barbosa, da ABLV, o potencial de exportação foi superestimado, o que também levou ao aumento da produção. "Demora tempo para abrir mercados". Hoje, o Brasil exporta para a Venezuela e países da África e sonha com o México, mercado que se abriu recentemente, mas que ainda não compra, já que importar dos EUA é mais vantajoso.
A matéria é de Alda do Amaral Rocha, publicada no jornal Valor Econômico, adaptada e resumida pela Equipe MilkPoint.
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BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
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Assim so entregariamos nosso produto apos discutirmos, em nivel nacional, com os laticinios as margens que eles sempre mantem e nós nao. Chega de assistir passivamente nosso produto ser marcado por quem compra. Chega a ser ridiculo o nosso papel.
Qualquer centavos a mais que recebermos tirando da margem de lucro deles representa milhares de reais. Vamos reagir. ja imaginou eles sem nosso produto por alguns dias?
Abracos, Patrus.

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AGUANIL - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
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Se um litro de leite vale menos que um litro de cachaça, como podemos continuar num mercado que em plena seca com alta dos insumos, já não estão querendo mais nosso produto.
Agora no segundo semestre do ano, difícilmente continuaremos com aumento de produção. A tendência agora será de estagnar a produção ou de haver uma queda de produção.
Com a valorização do leite quisemos aumentar e melhorar muita coisa rápido, agora sim vamos ter que mostrar que somos brasileiros.
Ricardo Belchior Peixoto