O presidente e chefe executivo da International Dairy Foods Association (IDFA) dos EUA, Linwood Tipton, disse em um fórum que a indústria de lácteos do país tem que aprender a trabalhar unida. "Quando nossa atitude é de tratar o outro como adversário, ao invés de parceiro, nós gastamos mais dinheiro, mais tempo e energia em defesa própria, e menos dinheiro, tempo e energia na construção de um negócio o qual pertence a nós", disse Tipton. "Nós precisamos pensar grande para competir na indústria global de alimentos, mas lutando uns com os outros, nos diminuímos e acabamos pensando pequeno. Nós nos tornamos nosso próprio inimigo".
Segundo ele, um resultado claro da inabilidade da indústria de lácteos de trabalhar unida, é o fato do governo vir assumindo demais o papel de líder da indústria. Parte da razão disso é que ninguém na indústria, por si mesmo, pode tomar a frente da política de lácteos, de forma que "o governo se torna o principal controlador".
Tripton disse que muitas das leis que vigoram no setor de lácteos dos EUA, determinadas há alguns anos, não são reflexo das necessidades da indústria leiteira, mas sim, iniciadas por membros do Congresso, que querem tirar vantagens políticas oferecendo uma legislação que traga benefícios à sua própria região, e à sua própria posição política com seus eleitores. Ele citou o Northeast Dairy Compact como um exemplo.
"Um problema óbvio de se trabalhar dessa forma é que não se considera se a lei ou a regulamentação é uma boa política, mas somente considera-se que tipo de vantagem política ela pode trazer aos que estão propondo", disse ele.
Ele elogiou o trabalho da National Milk Producers Federation (NMPF), no sentido de tentar unir os produtores de leite às indústrias para que sejam discutidas de forma realista as opções de políticas de lácteos. Tipton disse que essa não é uma tarefa fácil, "especialmente num momento em que as reformas nasfederal orders vieram somente provocar maiores tensões regionais".
Mas Tipton disse que um diálogo entre os produtores pode atrair a participação dos processadores e fabricantes de lácteos, pela simples razão de que "nós somos todos forçados a viver juntos nessa política que vigora, e não podemos garantir que qualquer de nossas metas políticas sejam alcançadas quando trabalhamos separadamente".
Tipton disse que a meta comum da indústria de lácteos é o "crescimento da parcela total, para elevar toda a indústria, e não somente grupos com maior poder na política". Ele afirmou que há uma certa urgência para essa missão da indústria.
Uma vez que a indústria de lácteos é parte da indústria global de alimentos e bebidas, ela cresce mais competitiva a cada ano. A economia global continua a abastecer a consolidação para qualquer membro do setor de alimentos.
"Para os processadores de lácteos, isso significa que nós continuamos a ver uma rápida consolidação de nossos consumidores - varejistas, operadoras de food services e distribuidores. As companhias de lácteos têm que ser maiores e mais eficientes do que no passado, para servir esses consumidores nacionais e internacionais".
Tipton disse que a política de lácteos tem que reconhecer essa nova realidade. "A medida de nosso sucesso está baseada no quanto somos competitivos na indústria global de alimentos e bebidas. Isso significa ser competitivo nos EUA e, também, competir com as indústrias de lácteos dos outros países. A indústria de lácteos dos EUA não pode ser uma uma ilha fechada em si mesma".
Tipton acredita que há dois passos que a indústria de lácteos pode tomar para conseguir obter melhores relações. O primeiro é que "nós precisamos concordar em tentar ter um diálogo honesto entre as partes. Eu penso que, em primeiro lugar, nós precisamos restaurar a civilidade e a honestidade nos nossos debates políticos. Uma parte importante para a construção de um diálogo é checar nossas suposições sobre o que pensamos que o outro lado quer.
"Eu acho que a maioria dos produtores de leite não quer mais influência do governo, à medida que eles querem ter um rendimento justo e seguro. Já os processadores sabem que há um papel para o governo na nossa indústria, particularmente em termos de proteção do proprietário rural, e eu creio que eles estão prontos para discutir esse conceito com mais detalhes".
Quando deixamos de trabalhar com muita intervenção, "o mercado pode fornecer preços altos aos produtores, na média. O problema é a volatilidade, gerando a necessidade de proteção do produtor mês a mês, durante os ciclos de altos e baixos. Nós acreditamos que o governo pode fazer um programa que forneça essa proteção aos produtores".
O primeiro passo é o diálogo entre produtores e processadores. O segundo passo consiste no estabelecimento das prioridades. Em resumo, Tipton disse que a meta da indústria de lácteos é promover um plano que proteja os produtores, sem aumentar os custos de produção e sem prejudicar as vendas de produtos lácteos.
Tripton acredita que o sucesso para o ano de 2001 será alcançado com a indústria de lácteos trabalhando em sociedade.
fonte: Cheese Reporter, por Equipe MilkPoint
Membros da indústria de lácteos dos EUA defendem a união entre produtores e processadores como forma de obter sucesso
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