Mais queijo, menos leite: como o consumo mudou nos EUA desde 1970

Os americanos nunca mudaram tanto a forma de comer quanto nas últimas décadas. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que acompanha o consumo alimentar desde 1909, mostram que, de 1970 para cá, praticamente tudo se transformou - e os lácteos são um dos melhores exemplos disso.

Publicado por: MilkPoint

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Nas últimas décadas, os hábitos alimentares dos americanos mudaram significativamente, com uma queda no consumo de leite e um aumento no de queijo. O leite passou de 122 kg para 61 kg por pessoa, enquanto o queijo triplicou, alcançando 18 kg. O consumo de iogurte também disparou. A margarina caiu 68%, enquanto a manteiga se manteve estável. Óleos vegetais aumentaram de 6,8 kg para 24,5 kg, tornando-se a principal fonte de gorduras na dieta. A transformação reflete mudanças culturais e a adaptação da indústria.
Os americanos nunca mudaram tanto a forma de comer quanto nas últimas décadas. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que acompanha o consumo alimentar desde 1909, mostram que, de 1970 para cá, praticamente tudo se transformou — e os lácteos são um dos melhores exemplos disso.

O leite perdeu espaço. O queijo, por outro lado, ganhou protagonismo.

Hoje, cada americano consome cerca de metade do leite fluido que consumia nos anos 1970 — uma queda de aproximadamente 122 kg para 61 kg por pessoa ao ano. Já o queijo fez o caminho inverso: triplicou, saltando de cerca de 5 kg para 18 kg por pessoa.

Mais do que uma mudança de volume, houve uma mudança de hábito. Segundo o USDA, a redução no consumo de leite está ligada à diminuição das ocasiões de consumo — e não ao tamanho das porções. Em outras palavras, o leite simplesmente deixou de fazer parte de momentos tradicionais, como o almoço e o jantar. No lugar, entraram refrigerantes, água engarrafada e, mais recentemente, bebidas vegetais.

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Apesar disso, o consumo total de lácteos cresceu. A indústria se adaptou e redirecionou a produção para o queijo, um produto com maior valor agregado, maior durabilidade e forte apelo culinário.

Essa transformação tem explicações culturais e industriais. A popularização das culinárias italiana e tex-mex, a expansão das pizzas congeladas e o avanço de produtos industrializados, como queijo ralado, ajudaram a impulsionar a demanda. Não por acaso, apenas os queijos de estilo italiano saltaram de cerca de 1 kg por pessoa em 1970 para quase 6,8 kg em 2012.

Outro destaque — muitas vezes fora dos gráficos — é o iogurte. O consumo disparou 1.627% no período, saindo de menos de 0,5 kg para cerca de 6,5 kg por pessoa, puxado principalmente pelo boom do iogurte grego no fim dos anos 2000.

Se o queijo cresceu e o leite encolheu, a história das gorduras traz outro tipo de virada

A margarina praticamente saiu de cena. Seu consumo caiu 68%, de cerca de 5 kg para 1,6 kg por pessoa. O movimento começou nos anos 1990, quando estudos associaram as gorduras trans — presentes nos óleos parcialmente hidrogenados — ao aumento do risco de doenças cardíacas.

A manteiga, por sua vez, não teve uma grande alta. Ela permaneceu relativamente estável ao longo das décadas, variando entre cerca de 2,4 kg e 2,6 kg por pessoa. Ainda assim, voltou a superar a margarina por volta de 2005 — mesmo custando significativamente mais — e consolidou essa posição após a proibição dos óleos parcialmente hidrogenados pela FDA, em 2018.

No fim das contas, a narrativa de que “a manteiga voltou” talvez seja imprecisa. O que aconteceu, de fato, é que “a margarina saiu”.

Enquanto isso, os óleos vegetais avançaram de forma silenciosa, mas intensa. O consumo de óleos para salada e cozinha quase quadruplicou, passando de cerca de 6,8 kg para 24,5 kg por pessoa.

Essa mudança reflete tanto a substituição de gorduras animais, como banha e sebo, quanto as recomendações nutricionais das décadas de 1980 e 1990, que incentivaram o consumo de gorduras insaturadas. Ao mesmo tempo, o crescimento dos alimentos processados e das refeições fora de casa ampliou ainda mais essa demanda.

Por volta de 2010, os óleos vegetais já representavam a principal fonte de gorduras adicionadas na dieta americana.

No fim, o retrato é claro: os americanos não deixaram de consumir lácteos — eles apenas mudaram a forma de consumi-los. Menos copo, mais prato. Menos leite, mais queijo.

As informações são do portal do Dr. Randal S. Olson, traduzidas pela Equipe MilkPoint.

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