A americana International Paper pretende montar uma fábrica de embalagens longa vida na América do Sul e aumentar a disputa com sua concorrente direta, a sueca Tetra Pak. É o que informa reportagem de Raquel Landim, publicada hoje no Valor Online.
O diretor comercial da empresa no Brasil, Nelson Iwao Tamajusuku, mantém segredo sobre os investimentos planejados, localização (Brasil ou Argentina) e capacidade de produção, mas diz que os projetos estão prontos.
"Nossa participação de mercado na Argentina é mais representativa do que no Brasil. Por isso existe a dúvida de onde fazer a indústria", diz. Segundo o diretor, a decisão passa por analisar fornecedores de matéria-prima, custos de mão-de-obra e incentivos fiscais oferecidos pelos dois países.
Independentemente da localização da unidade, a multinacional está remodelando sua estratégia para embalagens no Brasil. Há cinco anos, quando chegou ao país, o foco da companhia estava em embalagem para produtos lácteos frescos, como leite pasteurizado, iogurtes e bebidas lácteas.
Sentiram que precisavam rever sua postura. "Por ser um país onde o longa vida foi muito bem aceito, nós resolvemos mudar a estratégia há dois anos", afirma o diretor. Assim, no final de 1999 a empresa fechou a fábrica de embalagens para refrigerados, localizada em Itu, no interior de São Paulo.
Ao decidir mudar, a empresa não perdeu de vista que o mercado brasileiro de embalagens longa vida para o leite é praticamente monopolizado pela Tetra Pak. Apostam no espaço existente no mercado. Do total de leite, 70% do leite é em embalagem longa vida.
A concorrência, admite Tamajusuku, será complicada. Ele aposta na nova fábrica para aumentar a competitividade. "Nos Estados Unidos, nossos preços são mais baratos que os do concorrente", garante. Ele acredita também que seus custos de assistência técnica serão menores do que os praticados no mercado.
Atualmente, a International Paper importa todas as embalagens oferecidas, a uma taxa de importação de 19%. "O cliente fica atrelado ao dólar e teme dificuldades de logística. Ele fica inseguro para comprar um produto importado, já que tem fornecimento local", pondera.
Mesmo assim, a empresa conquistou há cerca de um ano e meio, seu primeiro cliente de leite longa vida no Brasil. A pequena Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste Ltda (Cooperoeste), do Rio Grande do Sul.
A atuação da empresa no Brasil foi reforçada recentemente pela compra da multinacional Champion International por cerca de US$ 9,3 bilhões.
Por Raquel Landim, para Valor Online, 02/02/01
Mais concorrência na embalagem longa vida
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