Com investimentos da ordem de R$ 20 milhões, a Cooperativa Central Mineira de Laticínios Ltda (Cemil) construiu o próprio parque industrial, comprou equipamentos e iniciou a exportação de leite e laticínios para o mercado chinês. O produtor rural e presidente da Cemil, João Bosco Ferreira, informa que as exportações já começaram e ressalta que no primeiro contêiner foram enviados para a China 20 mil litros, sendo 60% do volume em produtos lácteos fabricados pela Cemil.
Atualmente, a entidade exporta, além do leite, achocolatados, vitaminas de frutas tropicais e suco de milho. "Até dezembro serão exportados um contêiner de 15 e 15 dias para a China", destaca o presidente da Cemil, acrescentando que, a partir de maio deste ano, a entidade irá exportar 10 milhões de litros de leite industrializados para o mercado chinês, o equivalente a 2/3 da produção total da Central.
O contrato firmado com os chineses ultrapassa US$ 1 milhão e as exportações de leite e laticínios foram responsáveis pela geração de 32 empregos diretos na Cemil, em Patos de Minas (Alto Paranaíba). A previsão da Cemil é de que as exportações ampliem em 20% o faturamento da cooperativa, que no ano passado atingiu cerca de R$ 50 milhões. "Nosso objetivo é atingir outros mercados na Ásia para, em decorrência disto, aumentar, de 7 milhões de litros de leite para 15 milhões de litros a produção mensal da Cemil". Com isso, serão exportados para o Sul da China 1,5 milhão de litros de leite nos próximos seis meses.
Tudo começou na feira organizada pelo Unicentro Newton Paiva em Xangai, na China. A Brasil China Trade Fair aconteceu em abril de 2002 e teve como objetivo mostrar os produtos brasileiros aos chineses e viabilizar uma relação comercial entre Brasil e China.
A feira fazia parte de um projeto maior, batizado Projeto China, do Centro de Apoio ao Comércio Exterior do Unicentro Newton Paiva, instituição de ensino superior de Belo Horizonte, e contava com a participação dos alunos do curso de Comércio Exterior. Foi assim que o empreendedor de comércio internacional, na época estudante do último período do curso de Comércio Exterior da Newton Paiva, Christiano Cordeiro, criou, com o apoio da faculdade, a New Trading Asia Business, empresa que seria responsável pelas exportações mineiras para aquele país.
O empreendedor e sócio-proprietário da New Trading conta que a idéia de exportar leite para a China surgiu de uma foto que ele tirou de uma gôndola de leite da rede francesa Carrefour, em Xangai. Na gôndola havia uma placa de identificação do produto, em Chinês. "O reitor do Unicentro, Newton Paiva, viu a foto e mandou traduzir o que estava na placa", destaca Christiano Cordeiro. A placa identificava a origem do leite: Mongólia. "A partir daí decidimos iniciar as ações que nos levariam a exportar leite para o mercado chinês", afirma.
Um contrato de cinco anos fechado entre a empresa de Cordeiro e a Cemil foi o que faltava para iniciar as exportações de leite, pois a New Trade já havia investido em marketing e outras ações logísticas direcionadas para o mercado chinês. No dia 1º de setembro do ano passado saía o primeiro contêiner de leite Longa Vida da Cemil para a província de Macau, na China.
O sócio-proprietário da New Trading Asia Business, Christiano Cordeiro, revela que, nos próximos dois anos, a Cemil, através de sua empresa, deve colocar o leite mineiro em outros mercados internacionais. Os mais cotados para isso até o momento são o México, por ser um grande consumidor de leite, o Japão e alguns países europeus, como Alemanha e França. "O leite longa vida tem se mostrado como uma nova opção de negócio", avalia o empreendedor, explicando que até pouco tempo, só havia exportação de leite em pó.
Apesar de considerar as exportações ainda um pouco lentas, já que os chineses não estão habituados ao consumo do leite brasileiro, o presidente da Cemil, João Bosco Ferreira, acredita no sucesso do empreendimento. Somente em equipamentos para a produção do leite longa vida, em embalagem Tetra Pak, a entidade investiu em torno de R$ 7 milhões, quase 40% do total investido na construção do parque industrial, em Patos de Minas.
A grande vantagem em exportar o leite para a China, segundo o presidente da cooperativa, é o valor do litro que o produtor vai receber, pois não haverá a variação de preços por causa da sazonalidade do produto. "O preço será único de janeiro a dezembro", afirma. Atualmente, a China possui, aproximadamente, 1,3 bilhão de habitantes e o consumo per capita de leite chega a 12 litros por pessoa. "As importações de leite feitas por aquele país para suprir o mercado interno são de produtos oriundos da Malásia, que os chineses consideram de qualidade inferior ao produto brasileiro", ressalta João Bosco Ferreira.
Com nove cooperativas associadas em todo Estado de Minas Gerais, a Cemil representa hoje mais de cinco mil produtores rurais das regiões Noroeste, Norte e Alto Paranaíba. Mesmo assim, ainda é um número pequeno para um estado como Minas Gerais. "Os produtores precisam perceber que o crescimento dos negócios passa pela organização e união da categoria", destaca o presidente da Cemil, reclamação comum quando se fala de agromercado. Ele acha que a união dos produtores seria muito boa para os negócios de todos.
Fonte: Hoje em Dia (por Christianne Machado), adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.