Leite "livre de riscos" é lançado na Nova Zelândia, apesar das controvérsias

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Oito anos após o início de suas investigações científicas, a A2 Corporation começou a vender um leite bovino classificado como "livre de riscos" no mercado da Nova Zelândia. A demanda é forte. Em meio a protestos de produtores de leite convencional "A1", como a mega-cooperativa de lácteos Fonterra, a Autoridade de Segurança dos Alimentos da Nova Zelândia (New Zealand Food Safety Authority - NZFSA) está atualmente conduzindo uma revisão bibliográfica para verificar se existem benefícios neste leite.

Em 28 de abril deste ano a companhia de biotecnologia localizada em Auckland, Nova Zelândia, A2 Corporation começou a vender seu leite "livre de riscos". A companhia argumenta que este produto oferece aos consumidores uma alternativa "segura" para o leite padrão (A1).

As propagandas iniciais nos jornais feitas sobre o produto durante a semana de seu lançamento foram consideravelmente mais moderadas - mas por trás delas estava a recente história de reclamações, contra reclamações e processos centrados sobre as afirmações de que a beta-caseína A1 encontrada no leite padrão está fortemente ligada ao surgimento de doenças cardíacas, diabetes do tipo 1 (infantil) e outras doenças.

De acordo com o material divulgado pela A2, as vacas produzem naturalmente leite com ambos os tipos de proteína, a beta-caseína A1 ou A2. Na Nova Zelândia, a corporação estima que 20-45% das vacas leiteiras produzem leite com proteína A2. O restante produz leite ou com a proteína mais comum, A1, ou com uma mistura das duas.

A A2 Corporation disse que desenvolveu um teste de DNA simples e eficiente em relação ao seu custo, usando um pêlo do rabo do animal, que identifica se a vaca produz proteínas beta-caseína A2. A companhia usou sua descoberta, agora patenteada, para desenvolver rebanhos que produzem leite somente com proteínas A2. O resultado, em um mercado que é dominado pela gigante do setor de lácteos Fonterra, foi marcado por períodos turbulentos para um mercado de lácteos normalmente tranqüilo.

Forte demanda por leite A2 na Austrália

"O lançamento na Nova Zelândia é importante para a A2 Corporation à medida que nós estamos agora aptos a oferecer aos consumidores leite A2, que é livre dos riscos para a saúde associados com a beta-caseína A1", disse o fundador e diretor executivo da A2 Corporation, Corran McLachlan. A A2 Corporation está vendendo leite na Austrália, sob a marca "Jersey Gold", desde o começo de março. A demanda registrada tem sido forte.

Apesar de algumas afirmações da A2 sobre seu produto permanecerem não comprovadas - estudos e pesquisas financiadas pela corporação até agora foram inconclusivas - McLachlan disse que um estudo em coelhos, realizado no começo deste ano pela professora Julie Campbell do Instituto de Pesquisa Wesley, em Brisbane, "demonstrou pela primeira vez uma ligação direta entre o consumo de beta-caseína A1 e doenças cardíacas em um animal".

O produto da A2 chegou ao mercado após oito anos de início das pesquisas feitas pela companhia. "Nós achávamos que teríamos o produto no mercado no final de 1996", disse McLachlan, mas a Fonterra, que controla 95% do fornecimento de leite da Nova Zelândia, fez com que a colocação deste produto no mercado se tornasse uma luta. A Fonterra usou "cláusulas anticompetitivas" no Ato de Reestruturação da Indústria de Lácteos de 2001 para impedir os produtores de fornecerem leite A2 à A2 Corporation.

Fonterra nega efeitos negativos do leite A1

Em troca, a A2 Corporation começou um processo judicial no Supremo Tribunal do país em novembro do ano passado alegando que a Fonterra estava violando o Ato de Comércio Justo ao não disseminar informações sobre possíveis ligações entre o leite A1 e doenças como diabetes, doenças cardíacas, autismo e esquizofrenia.

A Fonterra continua se opondo fortemente às afirmações de que o leite A1 leva ao desenvolvimento de doenças. O diretor de tecnologia da Fonterra, Chris Mallet, disse que não há evidências científicas válidas atualmente disponíveis para a Fonterra, publicada ou não, de que a beta-caseína A1 causa estes efeitos.

"A Fonterra acredita que as afirmações da A2 Corporation são irresponsáveis porque podem resultar na remoção do leite normal da dieta das pessoas em detrimento de sua saúde e bem estar geral", disse Mallet.

Por enquanto, a NZFSA convocou o diretor médico da Fundação do Coração da Nova Zelândia, Boyd Swinburn, para realizar uma revisão bibliográfica sobre as pesquisas feitas sobre o debate A1/A2.

A NZFSA chamou especialistas

"Nós não encontramos nenhuma evidência até agora que pudesse mudar a nossa posição sobre o leite, a não ser que o leite é nutritivo e benéfico e que deveria fazer parte de uma dieta balanceada", disse a diretora de Padrões de Política e Regulamentação da NZFSA, Carole Inkster. "Porém, neste estágio, nós acreditamos que será necessário um passo responsável que é a revisão bibliográfica feita por especialistas".

O primeiro leite A2 no mercado da Nova Zelândia está sendo fornecido pela processadora Ridge Group, de Waikato, que supre a região de North Island, e pela International Dairy Ventures, em South Island. Os produtores que fornecem leite para a A2 Corporation terminaram seu contrato de fornecimento com a Fonterra ou estabeleceram rebanhos completamente novos. A A2 está sendo apoiada pelo empresário Howard Paterson, comumente descrito como o homem mais rico de South Island.

Uma pesquisa pré-lançamento feita com os consumidores pela A2 Corporation, por Colmar Brunton, mostrou que os consumidores estavam dispostos a pagar mais pelos benefícios para a saúde presentes no leite A2, e até comprariam em diferentes supermercados para obter este produto.

Atualmente o leite A2 está sendo vendido através de supermercados selecionados do Progressive Enterprises (Woolworths, Foodtown e Countdown) em Auckland, Christchurch e Dunedin. Este produto custa de 10 a 15 centavos de dólar neozelandês (5,84 a 8,76 centavos de dólar) por litro a mais do que o leite regular.

No lançamento do produto em Foodtown Greenlane, o diretor da Progressive Enterprises, Ted Van Arkel, disse que a rede queria ser a primeira a pôr o leite A2 no mercado doméstico, mas não entraria em nenhuma controvérsia sobre as informações referentes aos benefícios para a saúde do leite A2 contra o A1.

Em Auckland, o leite A2 está disponível nos supermercados Woolworths New Lynn, Foodtown Greenlane, Brown's Bay e Meadowlands. Todos os quatro supermercados registraram que a demanda pelo produto foi forte.

Os planos atuais da A2 é lançar o leite nos Estados Unidos e na Inglaterra dentro de 12 meses.

Em 17/07/03 - 1 Dólar Neozelandês = US$ 0,58430
1,71145 Dólar Neozelandês = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)

Fonte: Just-Food.com (por Penny Smith)
Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Jose L M Garcia
JOSE L M GARCIA

AGUAÍ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 02/05/2014

Esse artigo foi postado em 2003 e até agora ninguém o comentou, o que significa que não despertou nenhum interesse.

O artigo é apócrifo, então o seu autor não precisa se sentir constrangido.

Hoje, passados 11 anos a situação é bem outra.

Toda essa questão de Leite A2 ser não alergênico é tudo uma grande jogada de marketing promovida exatamente por um professor de marketing da Nova Zelandia , o prof Woodford.

Esse fulano escreveu até um livro onde ele visualizava "um demônio"no leite, que seria a proteína A2 que seria digerida e formaria o peptídeo bioativo Beta Caso Morfina-7, que seria o causador de várias doenças alérgicas que nos afligem.

Infelizmente, as coisas não funcionam dessa maneira.

O leite, seja A1 ou A2, contem lactose. 65% da população mundial tem intolerância a lactose. O leite provem de outra espécie e por ser sangue filtrado deverá conter todo um arsenal hormonal que incluiriam 11 hormônios de crescimento bovinos, 12 hormônios esteroidais bovinos, 35 proteínas e peptídeos bioativos, além de 9 peptídeos formados no estomago por meio da digestão ácida.

Em portugues bem clatro: O buraco é mais embaixo.



Jose Luiz M Garcia
Qual a sua dúvida hoje?