Mais de 300 criadores de cabra do Rio Grande do Norte estão garantindo sua renda através de um projeto do governo do Estado, iniciado em 1998, que garante a compra da produção leiteira do sertão do Cabugi. Eles recebem R$ 0,73 por litro, se levarem o produto até a usina processadora (em Lajes-RN), ou R$ 0,70, se o governo buscar na casa do agricultor.
No início, o volume produzido correspondia a apenas 160 litros por dia. Hoje, são 7 mil litros. A produção de cinco animais garante um salário mínimo por mês. O leite é pasteurizado, congelado e distribuído entre a população mais pobre.
No Nordeste, os caprinos começam a ser vistos com olhar comercial e podem ser úteis para aumentar a renda do produtor rural. A cabra é um animal rústico, resiste bem às condições do semi-árido e tem potencial de mercado. A atividade é basicamente de pequenos produtores. Metade dos caprinos está em propriedades de até 30 hectares. Apenas 20% dos animais ficam em terrenos com mais de 200 hectares.
A região concentra cerca de 90% do rebanho brasileiro. A maior parte não é aproveitada comercialmente. São criações extensivas, sem manejo. Não há melhoramento genético nem visão empresarial.
"O mercado do leite de cabra e do queijo é quase inexistente na região", afirma Rerbert Correia, da Embrapa Petrolina. Segundo ele, são segmentos com potencial de crescimento. Outra promessa é o mercado de carne. Pesquisa da Embrapa, em Pernambuco, constatou que cortes caprinos e ovinos movimentam R$ 8,4 milhões só nas cidades de Juazeiro e Petrolina. Além disso, um estudo feito pela Embrapa de Sobral, no Ceará, mostrou que a carne de bode tem menos gordura do que a de frango.
Sudeste
Pioneiro na exploração do leite caprino em escala nacional, o veterinário Paulo Cordeiro fatura mais de R$ 4 milhões por ano com a CCA Laticínios, em Nova Friburgo (RJ). O leite de cabra longa vida, seu produto mais famoso, está nas gôndolas do Carrefour, Pão de Açúcar, Sonai e Bom Preço, entre outras redes famosas de supermercados. O empresário também importa leite em pó e revende-o com a marca Scabra.
O empresário, dono de um plantel de 360 animais, vende hoje 1 milhão de litros de leite em embalagem longa vida e 500 mil litros em pó. Outros 15 produtores fornecem para a CCA. O rebanho total é de 3,1 mil cabeças.
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram as maiores bacias leiteiras caprinas do País. Pasteurizado, o preço é duas a três vezes mais caro que o de leite de vaca.
fonte: Por Conta Própria (por Jorge Pereira Filho), adaptado por Equipe MilkPoint
Leite de cabra garante renda de pecuarista no NE
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