Leilão da raça pardo suíço em Brasília

Publicado por: MilkPoint

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Um dos melhores e maiores plantéis de gado leiteiro da raça pardo suíço do País vai a leilão nesta quinta-feira, às 10 horas, em São Sebastião (DF), a 40 quilômetros de Brasília. O deputado federal João Pimenta da Veiga Filho vai liquidar seu rebanho de 310 animais e o maquinário de sua indústria leiteira. O pagamento poderá ser dividido em 14 parcelas mensais ou financiado pelo Banco do Brasil (BB). Somente o plantel está avaliado em mais de R$ 1 milhão. São esperados cerca de 600 convidados.

O pecuarista é responsável pela produção de dois mil litros/dia de leite tipo A, da marca Leiteria Suíça, vendida na capital federal. Com a liquidação do plantel, Pimenta da Veiga pretende investir na produção de gado de corte, em Goiás.

A intenção é vender os animais e as máquinas, não a marca. Mas a filha do ex-ministro das Comunicações, Isadora Pimenta da Veiga, diz que a fazenda pode vir a ser arrendada. Ou seja, se um mesmo pecuarista comprar todos os animais e a indústria, ao invés de levar o rebanho e infra-estrutura, poderia utilizar as terras para a produção do leite e continuar com a venda do produto, já conhecido no mercado brasiliense.

Atualmente, o leite da Fazenda São Bento do Tesouro é comercializado em 130 pontos de venda de Brasília e tem como concorrente direto o produto da marca Palma, de propriedade do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB). Pimenta da Veiga vende leite tipo A desde 2000, quando concluiu os investimentos na indústria. Anteriormente vendia leite tipo C para cooperativas.

A formação do plantel de Pimenta da Veiga começou há 20 anos, quando ele importou as primeiras matrizes dos Estados Unidos. A opção por esta raça bovina baseou-se nas condições de longevidade, rusticidade e produção leiteira. O leite dos animais pardo suíço alcança os mais altos níveis de proteína e gordura, itens fundamentais para a produção de leite tipo A.

Uma vaca pode chegar aos 15 anos ainda em lactação e os animais também conseguem se adaptar facilmente às diferenças climáticas. "Eles toleram mais o calor", diz o diretor da Associação Mineira de Pardo Suíço, Edson Canabrava.

Além disso, como destaca Isadora, o macho poderia ser comercializado com um bom preço para ser usado em cruzamento. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Pardo Suíço, Albert Vilela, um novilho da raça obtém preço até 80% superior ao holandês. Por isso, há 10 anos, o deputado também começou outro projeto, em São Miguel do Araguaia (GO), de cruzamento de fêmeas nelore com machos pardo suíço. É neste empreendimento que Pimenta da Veiga pretende investir.

Em todo o País existem 60 mil fêmeas puras registradas para 700 produtores da raça, ou seja, uma média de 85 animais por fazendeiro. Pimenta da Veiga, além de ter um plantel superior à média nacional, também possui o maior rebanho da raça do Distrito Federal.

"Não vamos ter outra oportunidade nos próximos três anos de um plantel desta qualidade à venda", avalia o diretor-superintendente da Associação Brasileira dos Criadores de Pardo Suíço, Fernando Kaiser. O último leilão de grande porte da raça comercializou 150 animais de um criador de São Paulo, este mês. Segundo Kaiser, para um pecuarista conseguir um plantel da qualidade do de Pimenta da Veiga precisaria importar essa genética, pois a raça não tem quantidade suficiente de bons reprodutores.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
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