LBR volta a enfrentar escassez de capital de giro

Pouco mais de quatro meses após ter seu plano de recuperação judicial aprovado pelos credores, a LBR - Lácteos Brasil voltou a enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, segundo o Valor Econômico. A empresa já tomou medidas para sanar o problema, segundo uma fonte próxima à companhia. Mas a nova dificuldade sinaliza que o caminho da LBR para a recuperação financeira será duro e que a retomada dependerá de alguma operação envolvendo venda de ativos ou aporte de capital. Procurada, a LBR não comentou.

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Pouco mais de quatro meses após ter seu plano de recuperação judicial aprovado pelos credores, a LBR - Lácteos Brasil voltou a enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, segundo o Valor Econômico. A empresa já tomou medidas para sanar o problema, segundo uma fonte próxima à companhia. Mas a nova dificuldade sinaliza que o caminho da LBR para a recuperação financeira será duro e que a retomada dependerá de alguma operação envolvendo venda de ativos ou aporte de capital. Procurada, a LBR não comentou.

Nesse cenário, o executivo Rami Goldfajn, que ocupava desde o fim de janeiro de 2013 o cargo de CEO da empresa, saiu da LBR no último dia 31. Ele fora chamado para fazer a reestruturação operacional da empresa de lácteos - concluída antes da aprovação do plano de recuperação -, e tinha um contrato de um ano que não foi renovado. Conforme fontes, a saída de Goldfajn teria sido uma decisão consensual do executivo e dos acionistas da LBR.

A forte queda dos preços do leite longa vida no mercado brasileiro nos últimos meses explica as recentes dificuldades da LBR, que tem dívidas estimadas em R$ 1 bilhão - a maior parte desse débito está incluída no plano de recuperação judicial. A LBR é muito dependente do leite longa vida e, segundo fonte próxima à companhia, viu recentemente a margem unitária de seu produto cair a menos da metade em relação a 2013, ano em que os preços dispararam. Tal cenário foi exposto no artigo “Uma análise das margens no mercado de leite UHT”.

Atualmente mais de 70% da receita da LBR vem do longa vida, já que a empresa reduziu de forma expressiva o número de derivados lácteos à venda no mercado por conta de suas dificuldades. Os preços de leite longa vida no atacado, segundo dados do CEPEA/ESALQ, subiram 28,6% até setembro, pico de preços de 2013. No entanto, de setembro a dezembro, o leite longa vida no atacado apresentou queda de 22,8%, enquanto o preço pago pela indústria ao produtor caiu 10,8%, o que demonstra que a indústria não conseguiu repassar as quedas de preços do leite longa vida ao produtor.

Em 2013, com os preços do leite em alta e com a aprovação do plano de recuperação judicial, a LBR ganhou um fôlego, que se provou curto quando os preços do longa vida começaram a recuar. A mudança no cenário de preços afetou o fluxo de caixa da companhia, o que elevou a necessidade de capital de giro para manter o faturamento, explicou a fonte.

Com isso, pagamentos a fornecedores, como empresas que intermedeiam a compra de leite cru para processamento, tiveram de ser renegociados, de acordo com a mesma fonte. Ela acrescentou que não houve atraso de pagamento de produtores de leite e que a captação da empresa segue em 3 milhões de litros por mês para processamento nas 12 unidades em atividade desde meados do ano passado. Além disso, afirmou, a LBR também tem feito negociações constantes com a Tetra Pak, sua principal fornecedora de embalagem. Procurada, a empresa sueca disse que não comenta negociações com clientes.

Afora as renegociações de pagamentos, a LBR também tem recorrido a operações de recebíveis para "manter a normalidade da tesouraria e da atividade", afirmou essa mesma fonte. Em operações recentes, de curto prazo, a empresa levantou pouco mais de R$ 30 milhões para fazer frente à necessidade de capital de giro.

Após esse período de preços mais baixos, a expectativa na LBR é de que o mercado de leite volte "à normalidade, o mais tardar até abril" com a redução da oferta de matéria-prima no país. Isso significaria melhoria nas margens da empresa. Mas a ideia de vender ativos ou mesmo o controle da empresa - para que a LBR volte a ser lucrativa - segue firme. Desde o ano passado, a companhia vem conversando com "múliplos interlocutores" de "múltiplos países", admitiu a fonte próxima à LBR. Após "algum desenho que emergir dessas negociações, a LBR terá um papel no mercado brasileiro de leite", afirmou.

Em 2013, antes de sua recuperação judicial ser aprovada, a LBR esteve perto de vender o controle para a francesa Lactalis, mas o negócio esbarrou na difícil situação financeira da empresa brasileira. Além do potencial do mercado brasileiro, a LBR interessava à gigante francesa, controladora da Parmalat SpA, pois detém a licença da marca Parmalat no Brasil até 2017.

A LBR é resultado da associação entre a Leitbom, controlada pela Monticiano Participações (GP Investimentos e Laep), e a gaúcha Laticínios Bom Gosto. O maior acionista da LBR é a Monticiano (40,55%). Outro grande acionista da companhia é o BNDESPar (30,28%). A Bom Gosto Participações tem 26,3% da empresa e os fundos CRP VII e CRP BG têm fatias de 2,38% e 0,49%, respectivamente.

O plano de recuperação judicial da LBR prevê que parte dos credores dará desconto de 80% na dívida, que deverá ser paga até 2023.

A reportagem é do jornal Valor Econômico, resumida pela Equipe MilkPoint.
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Joao Aurelio Carm
JOAO AURELIO CARM

CARMÓPOLIS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/03/2014

Já vi este filme, um atravessador ficou em dificuldade, como os bancos secaram o credito ele foi a campo oferecendo mais  para aumentar a captação, ou seja pegar dinheiro emprestado com o fornecedor, quando a piramide estava preste a estourar veio uma empresa de fora e associou com ele, foi mais 6 meses inflacionado o campo e pegando mais leite , quando a piramide estourou, fiquei com um prejuízo de R$ 50.000,00, ate hoje não recebi, mais o atravessador e os donos da empresa de fora continuam por ai comprando leite, vivendo bem como se nada tivesse acontecido enquanto eu e os muitos que levaram prejuízo só nos restam a amargura. E vejo que este fato se repete constantemente aqui e em outras regioes do Brasil
Mário Silvio G. Silva
MÁRIO SILVIO G. SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/03/2014

Sou produtor e forneço leite para LBR através de nossa Cooperativa.  Eles NAO pagaram no último dia 25 e nao tem uma resposta convincente para o produtor.  Imaginando isso nossa Cooperativa decidiu , a partir de Fevereiro, nao mais entregar leite para eles. O que nao tem explicação é que no município vizinho, uma outra cooperativa recebeu. Fica a indignação de um produtor que sabe onde o calo aperta quando nao se pode honrar os compromissos mensais.
Rodrigo Aparecido Vicente
RODRIGO APARECIDO VICENTE

PATO BRAGADO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/02/2014

Caros leitores, com os comentários acima podemos ver que a situação da LBR não é nada boa,e a tendencia é ficar bem pior devido as promessas de preços que estão fazendo aos produtores R$1,10 a R$ 1,15.Sorte que os produtores estão espertos e antenados e não acreditam mais nessas promessas.E TEMOS O MILKPOINT para nos manter cada vez mais informados
Marcio
MARCIO

GARANHUNS - PERNAMBUCO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/02/2014

wnderly machado uma obs:

leite UHT é homogenizado ele nao vai vira queijo nunca as particulas de gorduras sao quebradas para nao separar por um processo de homogenizaçao.
fabio luis artioli
FABIO LUIS ARTIOLI

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/02/2014

Quando recebemos essas reportagens que envolvem a tal palavra RECUPERAÇÃO JUDICIAL ai o pobre do produtor e os fornecedores devem ficar realmente preocupados pois é apenas uma maneira de maquiar a palavra FALENCIA.

Tem quem diga que a LBR é ainda uma grande empresa com bom potencial ; mas procurou um CEO com um otimo curriculum que pelo que vemos não resolveu nada e só ganhou mais tempo e adiou o sofrimento dos pobres credores;porem tem um fator a favor; o unico sócio da LBR que não quebra é o BNDES, e é somente por isso que ainda a falencia não foi decretada , meus amigos eu já vi esse filme.
Lourival sanches
LOURIVAL SANCHES

OLÍMPIA - SÃO PAULO

EM 18/02/2014

Na minha opinião as empresas devem se unir, cada uma sabe onde bolso vai pesar vamos trabalhar onestamente sem sacanagem com seu concorrente cada um sabe o valor de seu produto fazendo isso com  certeza  todo mundo vai sobreviver.
wanderly machado
WANDERLY MACHADO

EDEALINA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/02/2014

é difícil pois os pequenos laticínios não sabe fraudar leite,pois o q mais tem é leite com com soro ,e provo pega 9 litros de leite de caixinha e faz o queijo para ver se da queijo,se não tivesse fraude todos sairia ganhando, o governo tinha q interferir nos preço dos supermercado padaria, redes de frios,eles compra queijo de 9 reais e vende de 18 reais,ate 29reais,se pequenos ,os preços nos supermercados não cai,
Juarez Telles de Souza
JUAREZ TELLES DE SOUZA

JACAREÍ - SÃO PAULO

EM 18/02/2014

A história se repete

Até quando os produtores vão continuar indo atras dos milagreiros.

Empresas que desestabilizam boas cooperativas, e muitos produtores c/ a faca no pescoço acabam indo atras desses milagreiros.

Produtor tem mais que fortalecer suas cooperativas onde ele é dono, vistir a camisa mantendo fidelidade, lutar pelo coletivo , pelo associativismo e acabar pelo individualismo onde ele não tem voz ativa.
evandro dantas de araújo
EVANDRO DANTAS DE ARAÚJO

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE

EM 18/02/2014

dinheiro publico bnds quando deixaram de emprestar fico o roubo pena a marca é forte no

meu estado rio grande do norte
Eliseu Nardino
ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 18/02/2014

Aqui a LBR também esta inflacionando o leite no campo, oferecendo ate R$ 1,10 onde a maioria esta pagando em torno de 0,95 para produtores maiores, e como SR André falou, a conta não fecha, e por isso que acontece esse tipo de coisa entra em recuperação judicial
gledson rubens
GLEDSON RUBENS

CAMPO MOURÃO - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/02/2014

quem sai prejudicado é o produtor que ta la no meio do mato e num sabe de nada os cara so quer sabe d pegar o leite com proposta de 1.20 coleta o leite 2 a 3 meses num paga e quem sofre com isso é o coitado que acorda todo dia cedo pra manter sua propriedade
Fenando Campagnoli
FENANDO CAMPAGNOLI

PONTA GROSSA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/02/2014

O que viabiliza o mercado da LBR é o pequeno produtor que no ultimo mês recebeu os míseros R$ 0,84 litro de leite, o que torna praticamente inviavel a atividade para o pequeno produtor.
anderson
ANDERSON

ARROIO DO MEIO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/02/2014

Na nossa região a LBR paga em media R$ 0,04 a mais por litro, do que qualquer outro laticínio...Está pagando em dia os transportadores, agropecuárias e produtores de leite. Acredito que a LBR conseguirá passar mais esta turbulência...quem se lembra como foi o caso da Parmalat sabe bem do que estou falando...refiro-me a 2009...
Paulo Afonso Anezi
PAULO AFONSO ANEZI

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/02/2014

Acredito na recuperação da lbr no entanto e preciso não esquecer que a prioridade e o produtor, para que ele continue acreditando na empresa preçisa continuar recebendo em dia e com preços competitivos,o restante com trabalho sério e competente se resolve.
Edílson Carlos ferreira
EDÍLSON CARLOS FERREIRA

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO

EM 17/02/2014

tá difícil,se alguém ,tiver alguma novidade sobre a lbr,por favor   me avise,meu email é edilsoncarlos40@yahoo.com.br
eloisio fernandes
ELOISIO FERNANDES

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/02/2014

e duro ver uma empresa nessa cituaçao ,aqui em valadares temos ela como compradora de leite ta pagamdoem tono de1.20 0litro para grandes volumes ai como ficaos pequenos,mas o leite vai voltar a subir de preço caso contrario a vaca foi pro brejo.
andre leandro de paiva soares
ANDRE LEANDRO DE PAIVA SOARES

RIO VERDE - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/02/2014

pessoal e dificil dimais, esse pessoal do longa vida inflaciona dimais o mercado, digo no campo, no atacado eles deflacionam. agora me digam, como q esse pessoal do longa vida paga 1,20 pro produtor e vende no atacado o leite a 1,45? eu sei q a embalagem pra quem paga mais barato no brasil hj é a BRF q pagam 0,49 pra tetra pak, agora pensa 1,20 mais 0,49 dá 1,69, nisso nao ta incluso o custo de produçao, transporte, frete de coleta de leite, impostos, o lucro do comerciante, os impostos do comerciante e ainda sim vc encontra leite de produçao nova nos mercados a 1,60. ninguem é bobo, mesmo eles dizendo q a margem do longa vida é de 1,5 a 2% a conta nao fecha de jeito nenhum.
vitor pretto
VITOR PRETTO

JALES - SÃO PAULO

EM 17/02/2014

compra leite in natura a R$ 1,15  depois atrasa frete de transportadores assim e facil
paulo miguelpuga
PAULO MIGUELPUGA

MARTINÓPOLIS - SÃO PAULO

EM 17/02/2014

si nao bastace tambem parte da lbr cuja o nome de lider alimentos do brasil nao esta fazendo acordo com ex funcionarios que foram a justiça atraz de seus dereitos, mais eles alega que a empresa esta em recuperaçao judicial e assim nao faz acordo  fica tudo enrolado
Cincinato Mendes Ferreira Filho
CINCINATO MENDES FERREIRA FILHO

MONTANHA - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/02/2014

Lógico, compra leite in natura de R$1,20 vende UHTde R$1,50
Qual a sua dúvida hoje?