Maior programa municipal de distribuição de leite do país, o Leve Leite, da prefeitura de São Paulo, atraiu a atenção das maiores empresas produtoras de leite em pó do País: a multinacional suíça Nestlé e a cooperativa mineira Itambé. E acirrou a concorrência. Há três recursos das companhias envolvidas contra as decisões da comissão de licitação. Nestlé e Itambé disputam o contrato com a Tangará Importadora e Exportadora, atual fornecedora da prefeitura.
Tanto interesse não é à toa. O edital de licitação prevê o fornecimento de até 2,2 mil toneladas de leite em pó por mês por dois anos. Segundo o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Abastecimento, Luis Barreto Filho, a prefeitura compra, em média, 1,6 mil toneladas por mês, o que pode significar R$ 100 milhões por ano. Fontes calculam que o contrato pode chegar a R$ 180 milhões.
Iniciada em junho, para substituir um contrato que expirou em julho, a licitação está na primeira etapa, que consiste na avaliação da qualidade do produto e da saúde financeira das empresas. Mas o processo emperrou com os recursos das companhias.
A prefeitura considerou aptas Tangará e Itambé e inabilitou a Nestlé. Procurada, a múlti não se manifestou. A prefeitura também não informa o motivo da decisão, alegando que o processo está sub-judice. Para fontes envolvidas na licitação, a documentação não estava completa e havia erros no rótulo das embalagens. A Nestlé é a maior fabricante de leite em pó do país com 200 mil toneladas/ano, seguida pela Itambé, com 80 mil toneladas, conforme fontes do setor.
A multinacional participa da licitação por meio da subsidiária Companhia Produtora de Alimentos (Coprodal), com sede em Itabuna (BA), onde está a fábrica de leite em pó do grupo. Segundo fontes do setor, isso foi necessário para atender a uma exigência de um quociente de liquidez geral (ativo circulante/passivo circulante) igual ou maior que um. Por ter dívidas em dólar com a controladora, a Nestlé não atinge esse quociente.
Para fontes do setor, o mercado de leite em pó para vendas institucionais atraiu o interesse da companhia depois da formação da Dairy Partners América (DPA), joint venture com a neozelandesa Fonterra que concentra os negócios de lácteos das empresas no continente.
Por não concordar com a inabilitação, a Nestlé recorreu. A Itambé também contestou a habilitação da Tangará e vice-versa. A rixa entre as duas últimas é antiga. Os representantes da cooperativa mineira preferiram não se manifestar e os da Tangará não retornaram as ligações.
Fontes ligadas à Itambé argumentam, porém, que a Tangará é apenas importadora e não produz leite em pó. A Tangará declara no processo de licitação ser fabricante e possuir uma fábrica em Vila Velha (ES). Argumenta em sua defesa, ainda, que já forneceu leite para Itambé e Nestlé. O edital de licitação não exige que a empresa seja produtora, mas exige os dados da fabricante.
A Tangará ganhou a primeira licitação promovida na gestão de Marta Suplicy (PT). Ao assumir o cargo, a prefeita suspendeu o contrato da Nutril (fornecedora nas gestões Maluf e Pitta) e assinou um contrato emergencial por seis meses com a Itambé, contou Barretto Filho.
A Tangará pertence ao empresário mineiro Salomão Teixeira de Souza. Segundo fontes do setor, a empresa chegou a fornecer leite para a Nutril. Souza também foi dono da Nacional Comércio e Empreendimentos, fornecedora do Leve Leite em outras gestões.
Na prefeitura, a expectativa é que os recursos das empresas sejam examinados em dez dias. Só então serão abertos os envelopes entregues pelas companhias habilitadas, que informam o preço pelo qual venderão o leite em pó, que será entregue a um milhão de crianças em São Paulo. Vence quem vender mais barato.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Laticínios "brigam" pelo Leve Leite, em São Paulo
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Publicado em: - 3 minutos de leitura
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