Este fato foi relatado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (Cnv) em um relatório acessado pela La Política Online (Lpo), “Os resultados foram influenciados pelo aumento dos custos, que não puderam ser compensados por aumentos semelhantes nos preços de venda”, afirmou.
A Mastellone explica no referido documento que esta situação - de prejuízo financeiro e falência - decorre do “congelamento executado unilateralmente pelo Estado por meio do regime de Preços Máximos imposto pelo governo nacional”. “É importante esclarecer que a empresa não recebeu nenhum tipo de assistência econômica ou de outra natureza do Estado”, disse a histórica empresa argentina com sede em General Rodríguez e fábricas nas principais bacias leiteiras.
Há meses a Lpo tem alertado sobre o desconforto que existe entre os empresários devido aos danos que atribuem ao programa de "Preços máximos" estabelecido pelo Ministério do Comércio Interno para aliviar o impacto da Covid-19. A questão é que a pandemia também fez com que os custos das empresas aumentassem significativamente. A Mastellone destacou à Cnv “problemas na contratação de pessoal temporário” para substituir grupos de risco ou funcionários afetados.
A empresa afirma que não conseguiu aproveitar o aumento dos embarques para o exterior por conta do câmbio e das retenções que ficam em 9% no caso do leite em pó (principal produto de exportação do setor). Neste cenário, as indústrias de laticínios apresentam uma situação comprometida. Os últimos registros do Banco Central mostram que as 27 principais empresas do setor têm uma dívida de 20,669 bilhões de pesos (US$ 260,22 milhões) com diversas entidades bancárias.
A secretária do Comércio Interno, Paula Español, passou a admitir publicamente que o Governo está avaliando diversos mecanismos de saída do programa "Preços Máximos" com vista a 2021 para atenuar a situação das empresas. A questão é que o referido programa acaba de ser prorrogado por mais três meses até o próximo dia 31 de janeiro. Na Casa Rosada, no marco de uma virada mais ortodoxa do plano econômico, já se adianta em privado que não vai continuar com essa política.
Um relatório recente da Confederacion Intercooperativa Agropcuária (Coninagro) alerta para a situação crítica do laticínio. “Os preços estão abaixo da inflação, enquanto os custos crescem e o consumo muda a composição”, disse a especialista Silvina Campos Carlés.
Em setembro passado, o preço médio do leite pago ao produtor nas principais bacias argentinas era de 19 pesos (US$ 0,24) por litro, segundo dados publicados pelo Observatório da Cadeia do Leite (Ocla) com base em dados declarados. Este valor está praticamente congelado desde abril quando a pandemia acabava de começar, devido à impossibilidade de as empresas repassarem os aumentos aos produtores de leite devido à imposição do programa de Preços Máximos e Preços Cuidados.
Dados do El Instituto Nacional de Estadística y Censos de la República Argentina (Indec) mostram que no último ano a "cesta do leite" - composta por leite, requeijão e pate-grass, iogurte e manteiga - registrou inflação interanual de 14,6% ante 40,1% da média de alimentos e bebidas na Cidade Autônoma de Buenos Aires (Amba).
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As informações são do La Política Online, editadas pela Equipe MilkPoint.