O laticínio paulista Jussara está de volta ao mercado de leite longa vida "premium". Depois de uma experiência frustrada no ano passado por conta do câmbio, a companhia investiu R$ 6 milhões e espera que o produto eleve seu faturamento para R$ 60 milhões em 2003, uma alta de 22% em relação a 2002.
Sediada em Patrocínio Paulista, no noroeste de São Paulo, a Usina de Laticínios Jussara atua no médio e pequeno varejo do Estado, mas acredita que o segmento "premium" será sua porta de entrada para o grande varejo. A empresa fechou negócio com as redes Wal-Mart e Dia.
A companhia irá produzir 1,5 milhão de litros de longa vida "premium" por mês, o que eleva a capacidade total para 6 milhões de litros. O produto "premium" é feito com uma seleção do leite in natura de melhor qualidade captado pela empresa. "Aumentar produção de leite é fácil, já que esse é o item de maior circulação no supermercado. A tática mais comum é baixar os preços", explica Laércio Barbosa, diretor comercial da Jussara. "Difícil é agregar valor à commodity longa vida, para vender mais caro".
O preço do leite "premium" da Jussara será 5% superior ao produto tradicional. Apesar da atuação restrita ao mercado paulista e de utilizar embalagem cartonada, é o produto que mais se aproxima do Natura Premium, que pertence à Parmalat - empresa que forjou esse conceito no país e é líder em vendas de longa vida. O produto da italiana, contudo, custa 15% a mais do que o leite tradicional e é destinado às classes A e B. "Estamos em um vácuo do mercado. É um consumidor que preza qualidade, mas não quer pagar caro", diz Barbosa.
A Jussara se aventurou no mercado "premium" pela primeira vez em maio de 2002. Foi a primeira cliente da suíça SIG Combibloc em embalagem cartonada para leite longa vida no Brasil, quebrando o monopólio da sueca Tetra Pak. A embalagem - chamada de "slim" - era adequada ao segmento por ser mais fina e possuir tampa.
Mas a experiência não deu certo e a Jussara teve que interromper a produção em dezembro de 2002. "Somos uma empresa familiar. Não temos mecanismo de hedge. Por isso, ficamos assustados com essa exposição ao dólar", diz Barbosa. Como a SIG não possui fábrica no Brasil, a Jussara importava as embalagens.
Além disso, a recessão enfrentada pelo país reduziu o consumo de longa vida. E ter duas linhas de produção distintas aumenta os custos com manutenção e operação dos equipamentos. "Os custos subiram 10%, e a margem no longa vida é de 2%", diz Barbosa. "Mas nós acreditávamos no conceito e não queríamos acabar com o projeto", completa. A solução foi voltar para os braços da Tetra Pak - única empresa com fábrica no país.
Fonte: Valor Online (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Jussara aposta em leite longa vida "premium"
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