José Américo Simões, o "Manuelito", Gestor da Minas Leite

José Américo Simões, mais conhecido como Manuelito, é gestor da Minas Leite, Associação das Cooperativas de Leite no Sudoeste Mineiro, e produtor de leite. Com formação técnica em laboratório e administração, foi diretor de cooperativa, atuando no mercado de leite há 15 anos. Com o leite proveniente da captação de 14 associadas, a Minas Leite abastece indústrias mineiras e paulistas, trabalhando também para a melhoria técnica e gerencial de seus associados. Manuelito falou com exclusividade ao MilkPoint sobre a Associação e seus planos.

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José Américo Simões, mais conhecido como Manuelito, é gestor da Minas Leite, Associação das Cooperativas de Leite no Sudoeste Mineiro, e produtor de leite. Com formação técnica em laboratório e administração, foi diretor de cooperativa, atuando no mercado de leite há 15 anos. Com o leite proveniente da captação de 14 associadas, a Minas Leite abastece indústrias mineiras e paulistas, trabalhando também para a melhoria técnica e gerencial de seus associados. Manuelito falou com exclusividade ao MilkPoint sobre a Associação e seus planos.


MKP: O que é a Minas Leite?

JAS: No final de 2003, iniciamos uma organização de cooperativas (10, inicialmente), como um grupo para troca de idéias e informações sobre o setor. Durante o desenvolvimento, algumas cooperativas acabaram sucumbindo, sendo que outras se integraram na organização. A consolidação ocorreu, oficialmente, no final de 2004, quando foi criada a Associação das Cooperativas de Leite no Sudoeste Mineiro - Minas Leite. Atualmente, 13 cooperativas e uma associação fazem parte da Associação. Estas entidades reúnem por volta de 6.000 produtores de leite, dos quais 80% produzem menos de 250 litros/dia, dirigindo uma grande responsabilidade para o grupo de criar meios de fazer com que estes produtores participem do mercado com competitividade.

MKP: Qual é a estrutura administrativa?

JAS: A Associação é composta por um presidente, um diretor/tesoureiro e um secretário (Diretoria Executiva), cujos integrantes são eleitos segundo regulamenta o Estatuto Social da entidade. O presidente é o Luiz Fernando César Siqueira (presidente da Cooperativa Regional dos Produtores de Leite de Serrania - Corples). O tesoureiro é Cesomar Passos de Oliveira (presidente da Cooperativa dos Ruralistas de Alpinópolis - Cooral) e o secretário é Paulo Calixto (Apromeg, Associação dos Produtores de Leite do Médio Rio Grande). A Apromeg é a única associação de produtores dentro do grupo. A gestão operacional da Associação fica a cargo de profissionais contratados, com foco em resultados.

MKP: Em que contexto surgiu a Associação? Qual o volume atual de leite comercializado?

JAS: Nesse grupo inicial de cooperativas (final de 2003), existiam alguns dirigentes que já apostavam na idéia de que a união seria o caminho, mas nem todos sabiam como fazer isso [união]. Eu e o Luis Antônio Ribeiro Leite tivemos um contato com o Fábio Chaddad (atualmente professor da Universidade de Missouri, nos EUA, especializado em cooperativismo leiteiro), em 2002, e conversamos a respeito, de maneira informal. Em outubro de 2003, é feito em nossa região um seminário sobre a organização das cadeias produtivas da região Sudoeste de MG, organizado pela Adebras (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Sudoeste Mineiro) e pelo Sebrae Minas (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Entre os setores contemplados pelas análises e discussões no Seminário encontrava-se o setor leite. Cientes disso, solicitamos ao palestrante Roberto Jank a possibilidade de direcionar a palestra, nesse momento, para a unificação das cooperativas, auxiliando na idéia já existente, direcionando-a, portanto, para essa questão.

O Sebrae disponibilizou os serviços de consultoria, durante três anos, visando a organização e o desenvolvimento do nosso grupo [de cooperativas]. Desde então, firmaram-se reuniões para definir quais seriam as prioridades do setor, segundo a interpretação do grupo, sendo elencados 11 itens e escolhidos 3 prioritários: organização da cadeia e da captação; capacitação técnica e gerencial dos dirigentes, dos assistentes técnicos e dos cooperados; e marketing institucional, não se deixando de lado, em todos os aspectos e abordagens, o fortalecimento do cooperativismo. Quanto aos itens restantes, deliberou-se que fossem abordados e efetivados com o desenvolvimento do grupo e dos trabalhos, estando, entre eles, a fusão das operações das cooperativas. Nesse período, o consultor (Marcos Ramos) disponibilizado pelo Sebrae, agendava e conduzia os encontros mensais de dirigentes, de maneira que todos pudessem conhecer as estruturas operacionais de todas as cooperativas participantes do grupo (à época no total de 10 cooperativas).

É interessante ressaltar que, nessa época, o dirigente de uma cooperativa não conhecia e não mantinha contato com o dirigente da cooperativa vizinha. Essa troca de experiências foi consolidando o sentimento de confiança de um dirigente para com o outro. Obviamente que ocorreram muitos conflitos nesse período, discutidos durante as reuniões, na presença do mediador e de representantes daquelas cooperativas que não se encontravam, pontualmente, naquele conflito, sedimentando as relações e consolidando a coesão do grupo.

No final de 2004, chegamos à decisão de que chegara o momento de formalizar a relação existente e começar a decidir e agir efetivamente enquanto grupo, decidindo-se pela constituição da Associação. Já no início de 2005 dá-se a comercialização conjunta do leite cru. Atualmente, o volume de leite captado está entre 1 e 1,2 milhão de litros por dia, em média.

MKP: Para quem vai o leite?

JAS: Fornecemos leite para várias indústrias, sendo que 80% do volume captado fica em MG e o restante (20%) destinado ao mercado de SP, já que nossa região não dispõe de indústrias suficientes para processar todo o volume. Pela proximidade, sempre estivemos ligados ao estado de SP, sendo este, também, o maior mercado consumidor.

MKP: A Minas Leite tem contrato para venda de leite, ou comercializa toda a produção no mercado Spot?

JAS: Grande parte do leite é vendida com contrato, com preço definido a partir da indexação com indicadores de mercado, especificamente os índices Cepea-MG e Conseleite-PR, como bases de alimentação da fórmula que define o preço pago às cooperativas associadas. Os contratos são anuais, com volumes de entrega pré-definidos, sendo que o preço varia, mês a mês, de acordo com esses índices. O volume excedente daquele fixado em contrato é negociado no mercado spot, quinzenalmente. Todas as cooperativas associadas recebem o mesmo valor pelo leite entregue, sendo que o pagamento ao produtor pode variar de acordo com a qualidade da matéria-prima e por políticas definidas pela própria gestão de cada cooperativa.

Contudo, gostaria de destacar que, na nossa visão, esse modo de pagamento não é o melhor. Nós deveríamos atrelar o pagamento com o produto acabado (derivados), para o qual nós fornecemos a matéria-prima. Porém, esse tipo de pagamento ainda não é muito difundido no mercado.

"Grande parte do leite é vendida com contrato, com preço definido a partir da indexação com indicadores de mercado"


MKP: Vocês têm informação a respeito de quanto a Minas Leite consegue agregar no valor do litro de leite ao produtor?

JAS: Podemos afirmar que, com a Minas Leite, o preço pago ao produtor, em relação ao preço Cepea-MG, cresceu percentualmente, mostrando que nós remuneramos melhor o produtor. Essa melhora se deu em função das cooperativas associadas terem reduzido o valor retido por litro de leite devido aos custos administrativos e operacionais que hoje são menores, e que ainda têm como ser reduzidos, refletindo em maior preço repassado ao produtor.

MKP: Quais as perspectivas de aumento na captação de leite das cooperativas da Minas Leite?

JAS: A idéia é nos consolidarmos enquanto grupo ainda mais, buscar a profissionalização das cooperativas e melhorarmos cada vez mais o que fazemos. Estamos dispostos a ajudar outros grupos com a mesma iniciativa da Minas Leite e, futuramente, esses grupos se unirem, aumentando o volume captado em mais regiões. As cooperativas precisam se unir, essa é uma tendência do mundo todo, ganhando competitividade.

MKP: Há planos de industrialização, ou vocês entendem que a reunião de grande volume de leite já é suficiente para garantir boa remuneração?

JAS: Nós temos que seguir cada fase. Temos que ser extremamente competentes na captação, do produtor até a indústria. Depois de dominados os desafios dessa etapa, aí sim poderemos dar outro passo. Nós precisamos ter a consciência de que nós não vamos industrializar todo nosso leite, as empresas processadoras precisam ser abastecidas e que nós podemos ser importantes e fundamentais parceiros dessas indústrias. Um exemplo disso seria a DFA - Dairy Farmers of America (maior cooperativa de lácteos dos Estados Unidos), que capta quase 30 bilhões de litros por ano - mais do que a produção brasileira - dos quais 50% são fornecidos para empresas que processam o leite.

Nós temos que dar um passo de cada vez. Precisamos melhorar a capacitação técnica e gerencial dos nossos produtores; isso é primordial para que, além de fazermos nosso trabalho bem feito, possamos dar respaldo ao nosso produtor. Profissionalizando o setor de produção, conseqüentemente haverá o aumento do volume, aumentando a competitividade do setor.

Contudo, a Lei que regulamenta o cooperativismo no Brasil coloca alguns impedimentos, os quais nos impossibilitam de evoluir. Por exemplo, firmar parcerias com empresas não cooperativas, do setor ou mesmo fora do setor. Entretanto, cabe a nós fortalecermos, também, os aspectos que nos leve a ter maior representatividade e influência na fixação das regulamentações.

"As cooperativas precisam se unir, essa é uma tendência do mundo todo"


MKP: Como você vê o atual momento de mercado (queda de preços em MG e GO)?

JAS: Fazer uma análise pontual do mercado é algo bastante complexo. O mercado de leite é muito dinâmico. Falando do mercado de Minas Gerais, no qual atuo e, portanto, tenho mais conhecimento, vivemos um momento em que a produção nacional está alta, em relação ao ano passado - apesar de que já houve volumes maiores do que esse. Informações de mercado indicam queda do consumo de lácteos, embora não acredite muito nisso. O ponto mais relevante, a meu ver, é essa guerra fiscal entre os estados, que num momento prejudica um estado, em outro momento prejudica outro. Isso se passa em todos os setores, porém é visto com mais nitidez e rapidez no setor do leite devido ao fato do leite ser um produto perecível e que precisa de destino imediato, não podendo 'ficar para amanhã'. Minha opinião é que a guerra fiscal entre os estados é que está impactando o mercado. Porém, ao longo do tempo, o mercado deve se acomodar e ficar em patamares próximos ao do ano passado, apesar dos custos de produção estarem em elevação constante.

MKP: As mudanças no ICMS em MG e SP afetaram os preços recebidos pela Minas Leite?

JAS: Na verdade, nós [Minas leite] fizemos uma "preparação" para esse fato, colocando o leite dentro do estado, em indústrias de MG, evitando a saída para SP. Também procuramos parcerias para trazer indústrias para MG; exemplo disso é a construção da fábrica de alimentos Nilza, em Alfenas, como também o comportamento de outras empresas como a Perdigão que adquiriu a mineira Cotochés. Contudo, apesar dessas indústrias estarem vindo para MG, existe a dificuldade de mandarem o produto acabado para SP, devido à guerra fiscal. Nós conseguimos minimizar o problema, mas a grande maioria das empresas não fez isso, o que acabou impactando no estado e, por conseqüência, em nossos associados. Agora, essa guerra fiscal não está só entre MG e SP. Já vemos o PR e GO tendo reações e isso acaba impactando em MG, por ser o maior estado produtor e exportador de leite (consumimos 30% do nosso leite). Minas é o estado mais afetado com essa guerra fiscal.

MKP: Quais são as perspectivas para o mercado de leite nos próximos meses, em sua opinião?

JAS: Eu acredito que o mercado tende à estabilidade, porque se não acontecer isso, o desestímulo do produtor deve ser grande, por conta dos custos de produção e do momento que o setor de carne atravessa, este que tem íntima relação com o setor leiteiro. Os atores dessa cadeia devem ter muita sensibilidade e responsabilidade nas ações tomadas nos próximos meses, pois isso pode causar problemas futuros muito maiores do que aqueles que possamos prever.

"Eu acredito que o mercado tende à estabilidade, porque se não acontecer isso, o desestímulo do produtor deve ser grande, por conta dos custos de produção e do momento que o setor de carne atravessa"
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RAFAEL LUCCHESI GOMES
RAFAEL LUCCHESI GOMES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/03/2010

Eu vejo com muito respeito todos os comentários prós e contras o movimento da operação em conjunto, ou cooperação, que desdobra nas cooperativas. Má geridas, ou não, certamente elas têm viabilizado a produção agrícola dos agricultores familiares, pequenos, médios e grandes produtores, no mínimo, balizando preços, o que é difícil de medir. Como seria se não existissem? Muito pior, certamente, devido à força selvagem do capitalismo com baixa concorrência.

A tendência para integração de negócios é eminente, por um motivo bem claro: commodities só se viabilizam no mercado mundial com volume/escala. Esta estratégia genérica de custo é a que a maioria das empresas do setor utilizam. As empresas que procuram se destacar com estratégias de enfoque (mercado ou produto específico) ou diferenciação (agregação de valor ao produto/imagem) necessitam de um trabalho mais forte de mercado (cooperativa para frente), que de produção (cooperativa para trás). Dificilmente consegue-se escoar bilhões de litros de leite, por exemplo, com estratégias de diferenciação, ou de enfoque, sem um trabalho extremamente profissional. E põe dificuldade nisso.

Este movimento de aglutinação de negócios cria uma distância até opressora entre os dirigentes e o produtor. A participação em decisões estratégicas e, até mesmo nas rotineiras, não tem sido a preferência nacional. Ou seja, "é melhor que alguém tome boas decisões e que o preço do leite chegue maior para mim. E que eu tenha que fazer o menor esforço possível." Do outro lado, há a vaidade dos dirigentes, medo de compartilhar poderes, que, alidados a restrita percepção estratégica do mercado e estagnada capacidade de gestão, atrapalham a dinâmica do movimento cooperativista no país.

Problemas existem para serem trabalhados, mas a saída não foge do assunto: integração de forças para que os pequenos, juntos, possam manter a sua competitividade, que é a capacidade de estar no jogo, com forças compatíveis com os outros players.

Parabéns à iniciativa da MINAS LEITE, e que Deus abençoe seus dirigentes e produtores associados, dando-lhes a capacidade de se enxergar e de perceber as duas pontas com clareza necessária para o desenvolvimento da cooperação.

Acredito na humanidade, e nossa regeneração passará pelo desenvolvimento do cooperativismo.
Roberto Hamilton Fenoci Filho
ROBERTO HAMILTON FENOCI FILHO

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2008

Primeiramente, gostaria de parabenizar José Américo Simões, quero acrescentar que diante do atual cenário da pecuária leiteira é preciso mudar a conduta da classe produtora. O sistema cooperativista é a saída, porque senão iremos enfraquecendo e a classe produtora ficará cada vez mais vulnerável a multinacionais compradoras de leite.

Temos imediatamente que pensar em unificar as raças produtoras de leite através de associações e cooperativas, um exemplo interessante é a ABCZ que unificou as raças zebuínas com intuito de aumentar representatividade dos criadores, agregando renda para as associações e trabalhando de forma coerente o marketing, obtendo resultado excepcional.

A Associação Leite Brasil, a Minas Leite entre outras, precisam trabalhar (independente da raça) os interesses de marketing do nosso produto (leite), precisamos aumentar o consumo de leite através da mídia com apresentadores e pessoas influentes com o público jovem, infantil e donas de casa, atingindo assim os consumidores formadores de opinião; ex: Ana Maria Braga, Malhação, Felipe Massa, Gisele Bündchen e Giba do vôlei bebendo leite em horário nobre, é preciso informar a população os benefícios em consumir leite.
Frederico Augusto Melis Asse
FREDERICO AUGUSTO MELIS ASSE

ALTINÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 07/11/2008

Parabéns Manuelito , esta é a tendencia do mercado de leite ...andar sempre juntos ainda mais vc que conhece bem os dois lados da moeda,abraço.
nivaldo silva
NIVALDO SILVA

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/11/2008

Parabens!
É pouco diante de tudo, Manuelito, que você disse em sua entrevista, materias como estas teriam que ser divulgadas em toda midia nacional, porque so pelo milkpoint não é suficiente, uma vez que não são todos os produtores que tem acesso à internet.

Mas é isso ai, vamos chegar se DEUS quiser, um grande a braço a todos os produtores de leite.
SINEZIO CANDIDO FILHO
SINEZIO CANDIDO FILHO

SÃO FRANCISCO DE SALES - MINAS GERAIS

EM 10/10/2008

Parabéns Manuelito. O profissional que conhece os dois lados da moeda e não simplesmente um "conhecedor" dos assuntos, cuja experiencia não foi adquirida somente em gabinetes, as coisas tendem a fluir mais "fáceis", principalmente quando se tem vontade de trabalhar e sai a campo se expondo e desculpe a expressão, coloca a cara a tapas.

Parabens.
SILVAN ANTONIO DOS SANTOS
SILVAN ANTONIO DOS SANTOS

CAMPINA VERDE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/10/2008

Parabens Manuelito, voce consegui em uma pequena entrevista mostrar toda a sua competencia e capacidade, mostrando o caminho correto a ser seguido. Oxala este trabalho encontre eco em outras Cooperativas e haja um movimento a nivel estadual visando solidificar ainda a união de cooperativas. É de profissionais com a sua garra e visão de mercado que precisamos no mercado do leite.
Criticas certamente terão, mas quem conhece seu trabalho entusiasta fica com a certeza que existe um caminho para o leite, basta aparecerem homens de seu naipe na condução do empreendimento.
raimundo sauer
RAIMUNDO SAUER

UNAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/09/2008

No resto do mundo, a maior parte do leite e captado por cooperativas. No Brasil ainda nao foi inventado uma opcao melhor do que a cooperativa. Se e ruim com ela, pior sem. Sou produtor de leite em MG; sou associado a uma cooperativa, Capul em UNAI,
no noroeste de Minas Gerais, nossa cooperativa esta afiliada a cooperativa central Itambe. Nos sentimos muito orgulhos com a visao que os nossos companheiros das direitorias passadas tomaram quando da fundacao da cooperativa central.

Temos tambem agradecer ao Sr. Pereira pela audacia e visao profissional com que ele conseguiu organizar
esta cooperativa central que hoje é a maior central de cooperativas de produtores de leite de nosso Brasil. Existem no Brasil homens e mulheres dignas e competentes com visao empresarial para enfrentar as adversidades que o futuro possa trazer ao sistema cooperativo. Quanto ao leite produzido nas nossas propridades, nós do sistema Itambe nao precisamos nos preocupar, o caminhao vem de noite, de madrugada ou de dia e nós temos local
e destino para o nosso leite. Viva as Cooperativas.
Lucas Antonio do Amaral Spadano
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/09/2008

Lamentável. O artigo até que é interessante, mas... Cooperativas, ora, todo mundo sabe o que elas significam. Sempre a corda vai arrebentar do lado do produtor e quantas já faliram pela imcompetência de seus dirigentes? Quem paga o prejuízo? o produtor cooperado. E quais vantagens ele teve?

O Supremo Tribunal, acabou com o nepotismo nos três níveis de poder público, mas as cooperativas também deveriam ter sido incluídas, pois algumas são verdadeiros cabides familiares e algumas apenas trocam os cargos de dirigentes, continuando sempre os mesmos a mandarem e desmandarem.

Não será jamais esta a solução para o produtor de leite. Unir as pequenas associações de produtores, unir os produtores dentro delas, criar uma entidade nacional com suas ramificações regionais, talvez seja a única solução, cooperativas já tiveram seu tempo, quem participou delas sabe como é.
Fernando Antonio de Azevedo Reis
FERNANDO ANTONIO DE AZEVEDO REIS

ITAJUBÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/08/2008

Na minha região (num raio de 30 km) temos captando leite 4 cooperativas, a maior faz parte da Minas Leite, as menores estão lutando para sobreviver, não há união, enquanto isso temos a Perdigão, Lider, Nilza, Danone e diversos laticínios menores disputando o leite e, mesmo assim, os preços praticados são na sua maioria baixos.

A grande maioria dos produtores continuam decepcionados com o atual quadro, nós do Sindicato Rural estamos tentando levar o programa balde cheio para ajudar na redução do custo de produção e iniciamos agora o DRS (Desenvolvimento Regional Sustentado) onde teremos também a participação da industria (Laticinios e cooperativas). Na minha visão, a parceria produtor e indústria quase não existe, inclusive nas cooperativas menores e da Minas Leite.
Falta profissionalismo para todos, até para nós dos Sindicatos.
jose enock castroviejo vilela
JOSE ENOCK CASTROVIEJO VILELA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/08/2008

As Associações e Cooperativas no Brasil, com algumas exceções, so servem para abrigar grupos e cuidar de interesses dos mesmos, basta verificar a baixa sazonalidade das administrações e a produção dos respectivos produtos oriundos de cada dirigente; tem dirigente que deixa de produzir e continua atuando. Portanto, se estou enganado, me corrijam, na teoria, é otimo, na pratica haja tetas.
DAVID CHIARAPA
DAVID CHIARAPA

PROMISSÃO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/08/2008

Excelente reportagem! Apenas uma observação: cada região tem sua característica, as vezes é muito bom para um dos lados e péssimo para o outro. Penso que as cooperativas deveriam lutar sempre para agregação de valores, para ajudar o produtor, por exemplo na compra de insumos, ração, na modernização de sua propriedade, na qualidade de produção, seja qual for o produto.

Penso que as cooperativas devem implementar contratando técnicos especializados, cada um em sua área de ação, isso sim pode melhorar a vida dos produtores, que ao longo do tempo ficaram desatualizados, as vezes até por falta de uma instrução melhor, falta de palestras técnicas e outros tipos de informação, dentro de sua região. Os produtores que não se atulizarem, para seu próprio bem, ficarão sempre à mercê de exploradores. Que Deus possa abençoar pessoas que lutam pelos produtores e pela melhoria de suas propriedades, vale a pena ver nossos irmãos sorrindo.
Marcos A. Macêdo
MARCOS A. MACÊDO

PIUMHI - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/08/2008

Srs,

Devemos encorajar este tipo de associação, mas devemos lembrar que é uma atividade que deve reduzir custos e não agregar custos administrativos, penalizando mais ainda o pequeno produtor, já penalizado nas grandes redes compradoras. É preciso uma gestão com olhos voltados pra redução de custos e profissionalização do pequeno produtor, agregando na cadeia técnicas de manejo e produção, permitindo os pequenos crescerem até 500l/dia, tornando a atividade competitiva.

Os custos agregados já são repassados para os pequenos produtores, agregar para reduzir custos, é preciso administração profissional, com objetivos voltados para melhor remuneração do pequeno produtor. Agregar custos da administração, não resolve com discursos de união cooperativista, perpetuando nas presidencias, abnegados pelo negócio e paixão pelo prestígio que o poder lhe confere e outros benefícios parabóicos do sistema. É preciso repensar o sistema cooperativo brasileiro pelos exemplos Nacionais, como já comentou nosso agricultor Vicente Romulo de Carvalho.
FLAVIO LEITE RIBEIRO
FLAVIO LEITE RIBEIRO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2008

Parabéns Manuelito, o trabalho e a união entre as cooperativas é o caminho para competir em um mercado concentrado nas mãos da industria e principalmente no varejo
Henrique Magno Ataide da Silva
HENRIQUE MAGNO ATAIDE DA SILVA

RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 29/07/2008

Venho parabenizar o Manuelito pela sua garra e fibra em conduzir um trabalho tão árduo, mas não vejo outra saída, se não for pela união das Cooperativas, para que possamos levar enfrente o lema do Cooperativismo.
Vicente Romulo Carvalho
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 25/07/2008

Falar em união de Cooperativas, sem que estas agreguem algum valor ao leite e estas montarem enormes estruturas administrativas, com diretorias inconseqüentes, que não obedecem qualquer plano de metas de curto, médio e longo prazo, com grupinhos querendo eternizarem na Administração, não se chega a lugar algum, uma vez que mordem centavos no litro de leite, ganham nas vendas, de tal forma que há casos do preço da concorrência ser o mesmo e/ou melhor que o da Cooperativa. Não passam estas, com a devida vênia, salvo melhor juízo, de meros atravessadores.

Basta um exercício de memoria e recordaremos a histórias das grandes cooperativas do setor, que embrelharam por estes caminhos, para sabermos no que deram. O caminho entre produtor e consumidor, sem agregar valor à matéria-prima, tem que ser encurtado, pois não há justificativa para o litro ser pago a R$ 0,65 no início da cadeia, como ocorreu com o meu, remetido em junho e recebido em meados de julho, sendo que o consumidor paga mais do dobro na prateleira do ponto de venda.

Se eu estiver engano peço desculpas, mas quem assim entender, por gentileza, faça uma critica construtiva, que estou precisando da mesma para mudar meus conceitos. Abraços.
Luiz Eduardo Morais
LUIZ EDUARDO MORAIS

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/07/2008

Gostaria de parabenizar o gestor da Minas Leite pelo seu empenho e dedicação no trabalho sério que vem desenvolvendo junto à entidade; precisamos que os dirigentes das cooperativas entendam que só através da união é possível reduzir custos, pois em um mercado tão dinâmico como o do leite não se pode pensar em união para vender o leite pelo maior valor, e sim em redução de custos (transporte, administrativo) para sermos mais competitivos, aí todos podem ganhar, produtor, indústria e consumidor.
Dionisio Caproni
DIONISIO CAPRONI

MACHADO - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 22/07/2008

Parabéns pela reportagem, o Manuelito é uma pessoa sensata e o caminho é este, união entre as cooperativas, pois se elas se unirem todos vão ganhar.

E a Minas Leite, (Associação das Cooperativas de Leite no Sudoeste Mineiro) está fazendo este processo. E com isto as empresas do setor de lácteos também vão ter facilidade em adquirir sua matéria prima, pois o mais difícil é a captação e esta fica com as cooperativas.

Abraço e sucesso.
Dionísio Caproni.

Marcos Scaldelai
MARCOS SCALDELAI

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/07/2008

O preço do leite, ainda que seu custo de produção esteja alto e crescente, não deve se firmar não. Certamente ocorrerão quedas, pois seu atual valor é incompatível com valores nacionais (Minas, em especial) e internacional. Seu valor em dólares é alto e com qualidade ainda precisando melhorar. Não se pode ignorar a lei de mercado, demanda e oferta. Nossos produtores precisarão aprimorar técnicas de produção com menor custo e parar de tratar vacas secas com silagem de milho.
Qual a sua dúvida hoje?