Os produtos da marca Itambé retornaram ontem (08) às gôndolas do Carrefour em todo o País, depois de um ano de ausência. O motivo do boicote promovido pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), fabricante da marca Itambé, foi a não concordância com as exigências contratuais estabelecidas pela rede de hipermercados para negociar seus produtos.
A distribuição dos produtos Itambé na rede Carrefour representa cerca de R$ 2,5 milhões por mês de receita. O mesmo montante também era faturado no hipermercado Extra, pertencente ao grupo Pão de Açúcar, cujas vendas de produtos refrigerados, como iogurtes e queijos, estão suspensas há um mês pelos mesmos motivos.
O diretor-presidente da CCPR, José Pereira Campos Filho, afirmou que o faturamento da empresa não caiu, no ano passado, pelo fato de a marca ter ficado fora das prateleiras da rede Carrefour. Em 2002, a Itambé faturou cerca de R$ 700 milhões, equivalente a um crescimento de 3% a 4% nas vendas em relação a 2001.
"Somos líderes no setor de laticínios em várias regiões brasileiras como Minas Gerais, Distrito Federal e Nordeste, o que nos permite continuar vendendo normalmente", argumentou. Sem entrar em detalhes sobre os motivos que levaram à suspensão da distribuição pelas redes de hipermercados Carrefour e Extra, Campos Filho limitou-se a declarar não ter concordado com as condições impostas pelos grupos para a revenda de seus produtos.
"A negociação com o Extra é permanente e ainda não sabemos quando os nossos produtos refrigerados voltarão às suas gôndolas", informou.
Para o presidente da empresa de consultoria mineira ABGroup, especializada no segmento alimentício, Altamiro Carlos Borges Júnior, o que está dificultando a negociação de grandes marcas do setor nacional como a Itambé e a Santher com as maiores redes de supermercados "é que a queda de braço não beneficia todas as partes".
"Não há um levantamento real dos custos e dos ganhos estabelecidos entre as partes", acrescentou Borges Júnior. Segundo ele, os supermercados querem puxar os preços para baixo, o que acarreta em uma diferença de preços de até 30% de um estabelecimento para outro, e os fabricantes não aceitam perder rentabilidade.
"O mix de produtos de uma rede de supermercados é montado por meio de pesquisas realizadas com donas-de-casa que residem nas regiões vizinhas. Ou seja, a marca desejada por elas tem que estar nas gôndolas dos estabelecimentos, o que beneficia fabricantes e gera uma menor margem de lucro para os supermercados", explicou.
Em contrapartida, a marca do produto não é importante para muitos consumidores e é "justamente com o mix de mercadorias desconhecido ou próprio é que o supermercado registra maior rentabilidade". Borges Júnior acrescentou, ainda, que, de cinco anos para cá, cerca de 5% dos produtos revendidos nas gôndolas são fabricados pelos próprios supermercados, o que diminui o poder de venda dos fabricantes. Carrefour e Extra não se pronunciaram sobre o assunto.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Christine Salomão), adaptado por Equipe MilkPoint
Itambé enfrenta pressão de supermercados
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