A indústria de lácteos da Irlanda terá que se unir para agir e obter sucesso, informou o ministro da Agricultura e Alimentação do país, Joe Walsh.
Walsh disse que os membros da indústria de lácteos da Irlanda terão que se conscientizar que as vendas para a intervenção estatal não são o caminho para se construir uma indústria viável, capaz de remunerar seus fornecedores de forma adequada pela matéria-prima. Ele disse que relatório recente criticou a indústria por não reagir aos sinais do mercado e por ter uma estrutura pouco maleável e fragmentada.
Falando após o acordo de reforma da Política Agrícola Comum (PAC), Walsh disse que poucas estatísticas ilustram onde a indústria de lácteos irlandesa está e o que tem que fazer.
"Nos últimos quatro anos, a Irlanda foi responsável por entre 27% e 35% do fluxo de manteiga da intervenção da UE, comparado com 8% de participação na produção. Os dados para leite em pó desnatado são similares. O leite em pó integral e desnatado contribui com 50% da produção total de produtos lácteos da Irlanda, comparado com 23% na Dinamarca e 15% na Holanda".
A Agricultura da Irlanda fez um bom acordo, no valor de 16 bilhões de euros (US$ 18,47 bilhões), pela Agenda 2000, completado em 1999. Parte do pacote, entretanto, recebeu um corte no suporte à intervenção de 15% para manteiga e 15% para leite em pó desnatado.
A razão para o Comissário Rural da UE, Franz Fischler, ter introduzido estes cortes no suporte foram as preocupações referentes aos aumentos dos estoques, particularmente de manteiga. Há 200 mil toneladas de manteiga no estoque da intervenção.
Walsh disse que o mais óbvio a se fazer é dar atenção aos produtos que têm mercado, ou seja, para os quais não há carência de consumidores.
"Nós temos o maior mercado de alimentos ao nosso lado, na Inglaterra, e somos membros de uma unidade econômica, a UE, que tem um mercado consumidor de 400 milhões de euros (US$ 461,80 milhões), que irá aumentar para 509 milhões de euros (US$ 587,64 milhões) em seis meses, com o aumento do bloco".
Walsh disse que a Irlanda também tem um substancial mercado doméstico, mas 20% da carne bovina consumida no país é importada de locais distantes, como o Brasil. Não há razão para os produtores de carne bovina da Irlanda não terem este mercado como alvo.
"Se você passeia por um supermercado em qualquer cidade rural na Irlanda, verá as prateleiras lotadas de produtos lácteos do mundo todo, literalmente. Há oportunidades aí também. O fato é que nós temos na Irlanda, embora sejamos um país relativamente pequeno, um orçamento de importação de alimentos excessivo, de 3 bilhões de euros (US$ 3,46 bilhões) por ano. Em minha opinião, há grandes oportunidades para os produtores da Irlanda atingirem este mercado e obterem lucros com ele".
As críticas referentes à reforma da PAC alegam que esta resultará em um corte de 19% nos preços, que custará aos produtores de leite uma redução da renda líquida de até 141 milhões de euros (US$ 162,78 milhões) anualmente, forçando muitos produtores a sair da atividade e levar a perdas de empregos no setor de processamento.
"Eu acredito que há um futuro brilhante para a indústria de lácteos e para os produtores de leite - mas somente se eles responderem aos sinais do mercado e tiverem uma indústria processadora desligada do estoque de intervenção. Em outras palavras, a queda no suporte à intervenção não precisa significar uma queda no retorno real para os produtores de leite em termos de preços na fazenda".
Em 03/07/03 - 1 Euro = US$ 1,1545
0,86618 Euro = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: Irish Examiner (por Ray Ryan), adaptado por Equipe MilkPoint
Irlanda: Setor de lácteos precisa se concentrar no mercado
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
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