Ingestão de cálcio e Integridade óssea

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Por Francisco Bandeira1

O cálcio exerce importantes funções no organismo, principalmente como o segundo mensageiro transmitindo os sinais entre a membrana plasmática e as estruturas intracelulares para que haja a ação de vários hormônios. O cálcio extracelular também é importante como mediador das etapas de coagulação do sangue, das moléculas de adesão, e da adequada formação óssea. Mais de 99% do cálcio corporal encontram-se nos ossos e dentes, e serve não apenas para dar a competência mecânica do esqueleto, como também como reservatório para manter as concentrações extracelulares. Portanto o cálcio difere de outros nutrientes por manter um estoque considerável, bem maior que as necessidades do organismo. Porém, este reservatório é extremamente importante para a função de sustentação. Por isto, a deficiência de cálcio pode passar despercebida por um longo período de tempo até que se descubra a perda óssea.

Os animais carnívoros tendem a ingerir uma grande quantidade de cálcio regularmente, por conta da ingestão de ossos, assim como os animais herbívoros, já que as folhas, de uma maneira geral têm razoável quantidade de cálcio. Por outro lado, animais que se alimentam predominante de sementes, como algumas aves, ingerem pequenas quantidades de cálcio. De fato a associação de ooforectomia com dieta pobre em cálcio induz uma perda óssea rápida em cabras com conseqüente diminuição da competência mecânica do esqueleto, constituindo-se assim um modelo animal para osteoporose. Ao longo do tempo, o advento da agricultura e da indústria de alimentos, com conseqüente aumento na produção de grãos, resultou em uma diminuição na ingestão de cálcio e aumento na ingestão de fósforo, e com isto uma maior propensão a doenças crônico-degenerativas como osteoporose, hipertensão, câncer de cólon etc.

O balanço de cálcio geralmente é positivo durante a fase de crescimento linear, tornando-se neutro na vida adulta, e negativo com o passar da idade. Isto pode ocorrer por baixa ingestão, diminuição da absorção, ou perdas, que isoladamente ou em conjunto, levam à perda óssea. Com o envelhecimento. ingestão e absorção diminuem, assim como há maior perda óssea em relação à formação, ou seja, todos são fatores que contribuem para um balanço negativo de cálcio.

O cálcio da dieta é absorvido primordialmente por transporte ativo, pela ação da vitamina D (1,25-dihidroxicolecalciferol), envolvendo a síntese da proteína ligante do cálcio. Em uma dieta normal, rica em cálcio, a perda fecal pode ser de até 90% do cálcio ingerido, e isto corresponde ao cálcio não absorvido como também à excreção pelas células intestinais (endógeno). Em uma dieta pobre em cálcio, a maior parte do cálcio excretado nas fezes é de origem endógena. A perda cutânea, através do suor, pode ser importante em indivíduos que praticam exercícios extenuantes, e pode corresponder a mais de 30% das perdas urinárias, inclusive levando a perda de massa óssea por temporada em alguns atletas.

A absorção intestinal de cálcio pode ser influenciada por vários fatores dietéticos. Os fitatos e oxalatos se ligam ao cálcio formando complexos e, desta forma, diminuem sua absorção. Alimentos ricos em fitatos, como produtos da soja também reduzem a absorção intestinal do cálcio quando comparados a produtos da soja pobres em fitatos. Vegetais que contêm cálcio associado a grande quantidade de oxalato (exemplo: espinafre) não apresentam boa disponibilidade de absorção. Por outro lado, couve-folha, por ter cálcio e pouca quantidade de oxalato, oferece uma boa disponibilidade absortiva (Quadro 1).


Em nosso meio, a ingestão de cálcio é baixa em 32% das mulheres pós-menopausa, intermediária em 36%, e alta em 32%. Vale salientar que em todo o mundo a ingestão de cálcio vem, ao longo do tempo, sendo reduzida a níveis abaixo das recomendações oficiais (Quadro 2). Isto leva a um processo de adaptação do organismo humano no sentido de preservar a calcemia, através da elevação do paratormônio circulante e dos níveis de 1,25 dihidroxivitamina-D para aumentar a absorção intestinal, o que contribui para a perda óssea.


Bibliografia

EATON, S.B.; NELSON, D.A., 1991. Calcium in evolutionary perspective. American Journal of Clinical Nutrition, 54:(Suppl 1), 281-287.
HEANEY, R.P.; BARGER-LUX, M.J., 1994. Low calcium intake: the culprit in many chronic diseases. Journal of Dairy Science, 77:1155-1160.
HEANEY, R.P., 2001. Calcium needs of the elderly to reduce fracture risk. Journal of American College of Nutrition, 20:192S-197S.
BANDEIRA, F., 2003. Prevalência de osteoporose, fraturas vertebrais, ingestão de cálcio, e deficiência de vitamina D em mulheres na pós-menopausa. xxv, 164 f. Tese (Doutorado) - Escola Nacional de Saúde Pública / ENSP - FIOCRUZ.
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1Dr. Francisco Bandeira,DSc.,FACE, Professor adjunto-doutor do Dept de Medicina Clínica (Disciplina de Endocrinologia) da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco.
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Missao Tanizaki
MISSAO TANIZAKI

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 29/04/2004

Gostaria de apresentar um pequeno comentário que poderia ser considerado nos próximos trabalhos sobre o referido tema.

A ingestão diária de Cálcio é de fato muito importante, porém há outro fator que interfere nisso tudo. É o Magnésio.
Na internet há muitos trabalhos referente a publicações relacionados a Dieta Alimentar que indicam que a relação Cálcio / Magnésio deve ser em torno de 2/1 e que a maoria das pessoas apresentam uma dieta carente nesse elemento (Magnésio), entre 30 e 40%.

Outro fator preocupante é o do Iodo na dieta do Povo Brasileiro / Legislação vigente - podendo ser causador de um grande número de nati-mortos, assim como da cretinice, problema renal crônico, diabete, problemas cardiovasculares (os problemas citados considero apenas a ponta do "Iceberg").

De profissão sou químico, mas sempre me preocupei com Alimentação/Saúde/Longevidade. Alguns problemas que eu e minha família enfrentamos me forçou a procurar mais informações que me levou a concluir que esses dois fatores são extremamente importante para a saúde humana.
Após muitas reflexões tomei a decisão de dar minha parcela de contribuição à sociedade brasileira, através do repasse das informações e conclusões, inicialmente encaminhei à vários colegas/amigos e familiares, e agora, a um profissional da área médica que procura realizar suas obrigações (que considero dever de casa que poucos fazem).

<b>Resposta do Dr. João Linfolfo Borges</b>

O Magnésio, o Iodo e outros elementos naturais são MUITO importantes para saúde. No entanto, a importância do cálcio na formação da massa óssea é essencial, insubstituível e elementar. Uma pequena correção: a deficiência de Iodo por levar à alterações da tireóide, mas para que ocorra o cretinismo é necessário que haja deficiência de hormônio tireoidiano.

Qual a sua dúvida hoje?