IMA apreende queijos fora das normas

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O "queijo caipira", produzido de forma artesanal por pequenos produtores rurais do Norte de Minas Gerais, está proibido de ser comercializado na região por decisão do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O órgão está apreendendo toda carga de queijo que não atenda às normas sanitárias, como registro da marca e informações sobre a data de produção e validade. O queijo é destruído e o produtor ainda recebe multa, tanto do IMA como da Administração Fazendária.

Os produtores da região não concordam com a fiscalização, alegando que estão perdendo uma fonte de sobrevivência. Sendo assim, na próxima semana, uma comitiva estará em Belo Horizonte para pedir ao governador Itamar Franco e ao vice-governador Newton Cardoso o fim da fiscalização.

Segundo o delegado regional do IMA, Wagner Monteiro Brant, o órgão está apenas cumprindo o Código Sanitário, evitando que a população consuma produtos estragados e depois sofra com intoxicação alimentar. Ele ressalta que exames laboratoriais realizados em amostras recolhidas pelo órgão comprovaram vários problemas, como coliformes fecais, e os queijos foram considerados impróprios para consumo. O fim da fiscalização, segundo o delegado regional, depende de autorização superior, pois a Delegacia Regional não teria autonomia para esta medida. Ele lembra ainda que o IMA só fiscaliza o "queijo intermunicipal", pois no âmbito municipal a fiscalização caberia à Prefeitura.

O presidente do Sindicato Rural de Montes Claros, Reinaldo Veloso Rabello, reconhece que o queijo caipira tem sua importância social, por atender vários pequenos produtores rurais, mas alerta não ser possível permitir a venda do produto fora das normas sanitárias ou sem inspeção. A sua proposta é que o IMA suspenda provisoriamente as fiscalizações, concedendo prazo para os produtores se adequarem, formando cooperativas e passando a produzir o queijo dentro das especificações.

Segundo Rabello, um queijo consome de seis a oito litros de leite, para ser vendido de R$ 2,00 a 2,50 para o atravessador. Segundo ele, 60% da produção tem como destino São Paulo. Ele alega que o pequeno pecuarista é obrigado a fabricar queijo, pois os laticínios recusam o leite por não terem tanque de expansão, equipamento muito caro.

Fonte: Hoje em Dia/MG (por Girleno Alencar), adaptado por Equipe MilkPoint
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