Um novo estudo dos Estados Unidos, feito por pesquisadores do Centro de Política de Alimentação e Nutrição do Virginia Tech mostrou que idade, raça e sexo estão fortemente associados com os tipos e quantidade de bebidas escolhidas pelas crianças e adolescentes do país. O estudo revisado aparece na atual edição do periódico International Journal of Food Sciences and Nutrition e está baseado na análise da Pesquisa Continuada de Ingestão de Alimentos por Indivíduos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
As preocupações referentes ao menor consumo de leite entre as adolescentes de origem africana do sexo feminino dos EUA levaram a diretora e pesquisadora associada, Maureen L. Storey, e o pesquisador assistente, Richard A. Forshee, a dizerem que o estudo mostrou que "há uma forte associação da idade, da raça e do sexo com as bebidas consumidas pelas crianças. Geralmente, crianças e adolescentes brancos consomem mais bebidas lácteas que as descendentes de africanos. As razões para isso são desconhecidas e deverão ser exploradas mais para a frente, especialmente no que se refere à hidratação adequada para atividades diárias e durante atividade física".
"As escolhas de bebidas são diferentes dependendo da raça/etnia. Enquanto meninos e meninas jovens de todas os grupos étnicos bebem mais leite que qualquer outra bebida, as crianças de origem africana bebem menos leite que as brancas ou as hispânicas. Os jovens meninos e meninas brancos consomem cerca de 1,4 e 1,2 porções de leite por dia, enquanto os de origem africana bebem 1,0 e 0,8 porções por dia, respectivamente. As meninas hispânicas devem ser consideradas como as consumidoras mais ávidas de leite, com poucas delas deixando de ingerir a bebida totalmente - 7,4% disseram que não bebem leite. Por outro lado, 13-14% das crianças de origem africana disseram que não bebem leite".
"É surpreendente que as meninas adolescentes de origem africana bebam tão poucas bebidas como um todo e tão pouco leite em particular. Há preocupações não somente com a futura saúde dos ossos, mas também, porque outras pesquisas mostram que o cálcio - rico em produtos lácteos - pode ser importante na redução de hipertensão, uma séria condição que é mais prevalente entre os americanos descendentes de africanos".
Entre as crianças mais jovens, os refrigerantes são a segunda ou terceira opção
Entre as alternativas de bebidas, os refrigerantes são a segunda ou terceira opção para as crianças mais jovens, dependendo da raça, segundo a pesquisa. Em média, os meninos e as meninas jovens ingerem 6,6 onças (187,107 gramas) e 6,2 onças (175,767) gramas de refrigerantes por dia, o que representa cerca de 4% do total de energia ingerida diariamente. Estes dados são consistentes com as descobertas do USDA reportadas anteriormente. Esta quantidade de ingestão calórica pode ser facilmente balanceada com um nível modesto de atividade física durante o recreio, com aulas de educação física ou com programas de atividade após a escola.
Durante a adolescência, o consumo de leite cai, tornando-se a segunda bebida mais consumida (com base em gramas) seguindo os refrigerantes. Os adolescentes mais velhos tendem a beber mais refrigerantes, sucos de frutas e sucos cítricos e menos leite fluido e sucos não-cítricos. Meninos adolescentes brancos, em particular, são grandes consumidores da maioria das bebidas, incluindo refrigerantes, leite e sucos de frutas; em média, eles bebem o equivalente a 1,8 latas (de 12 onças ou 340,194 gramas) de refrigerantes por dia, comparado com 1,0 e 1,2 latas consumidas pelos adolescentes americanos descendentes de africanos e hispânicos, respectivamente.
O estudo mostrou que não há uma associação estatisticamente significante entre o Índice de Massa Corpórea (IMC) específicos para certas idades e entre os sexos e o consumo regular de refrigerantes, mas há uma associação positiva entre o IMC e o consumo de refrigerantes dietéticos. Em outras palavras, não há relação entre obesidade e consumo regular de refrigerantes, mas crianças com sobrepeso bebem mais refrigerantes dietéticos. Estas análises sugerem que os refrigerantes não são os únicos responsáveis pelo aumento no número de crianças e adolescentes com sobrepeso nos EUA.
"Apesar de alguns indivíduos poderem consumir grandes quantidades de refrigerantes e/ou sucos de frutas, isso não parece ser um padrão típico de consumo. Além disso, as razões para consumo de maiores quantidades que a média destas bebidas precisam ser exploradas, especialmente entre crianças e adolescentes que estão envolvidos em atividade física extenuante".
"O monitoramento cuidadoso da ingestão de bebidas por crianças é, todavia, justificado porque as contribuições calóricas precisam ser balanceadas com o gasto de energia. Além disso, o consumo de leite precisa ser estimulado através de fortes esforços contínuos de promoção, mas mais importante, através de modelos exemplares dos pais. Porém, políticas visando a redução no consumo de refrigerantes e sucos de frutas têm soluções provisórias, que falharão em coagir as crianças e adolescentes, em particular, a rejeitar os refrigerantes".
Fonte: EurekAlert (por Jeff Nedelman), adaptado por Equipe MilkPoint
Idade, raça e sexo influenciam escolhas de crianças e adolescentes na compra de bebidas
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