O governo goiano exige uma satisfação oficial da Parmalat que possa justificar a desativação e transferência da parte de produção de leite longa vida de Santa Helena de Goiás para as unidades de Carazinho, no Rio Grande do Sul, e de Garanhuns, em Pernambuco, conforme foi anunciado esta semana.
Segundo o governador em exercício, Alcides Rodrigues, o governo acreditou na empresa, investiu muito dinheiro para garantir a instalação e a expansão da indústria, além de ter concedido incentivos fiscais. "Agora não é justo a empresa reduzir a produção e demitir trabalhadores sem dar satisfação ao governo".
Rodrigues disse que está tentando se reunir com os diretores da empresa no Brasil. Ele defende a idéia de que a Parmalat deve manter toda a linha de produção na unidade goiana ou transferir a indústria para os produtores e cooperativas, conforme interesse já manifestado por eles.
"Não se pode permitir que a multinacional italiana crie esse clima de instabilidade na economia goiana, afetando milhares de produtores de leite e trabalhadores". Ele assegurou que o governo dará todo apoio às cooperativas e produtores, viabilizando financiamentos através do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no caso de compra da indústria de leite de Santa Helena.
Na terça-feira (20), às 10 horas, representantes das cooperativas e produtores de leite de Goiás se reunirão na Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), onde discutirão os reflexos da crise da Parmalat na pecuária leiteira do Estado e a possibilidade de elaborar a proposta de compra da indústria de Santa Helena.
O presidente da Faeg, Macel Caixeta, conta que a todo instante é procurado por produtores de leite preocupados com a queda do preço do produto e com a saída da Parmalat do mercado, fatos que podem afunilar ainda mais o monopólio do setor.
A indústria de leite da Parmalat em Santa Helena foi implantada em junho de 1986 pela Mococa. Em seguida, foi adquirida pela multinacional italiana, que, em 1992, investiu R$ 1,89 milhão na expansão da unidade. Em 1994, foram aplicados mais R$ 4,48 milhões. A 31 de dezembro de 2003, a indústria de Santa Helena tinha 247 trabalhadores. Anteontem, foram demitidos 120.
Nos próximos dias, o Conselho Deliberativo do Programa Fomentar-Produzir se reunirá para analisar a cassação dos incentivos à indústria. Os benefícios concedidos pelo Estado garantem a prorrogação do pagamento de 70% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) até 2015. O diretor do Fomentar-Produzir, Luiz Maronezzi, disse que, se a unidade da Parmalat de Goiás for vendida aos produtores e cooperativas de leite, os benefícios do programa poderão ser transferidos.
A indústria de Santa Helena tem capacidade para processar 1,2 milhão de litros de leite/dia. Ontem, recebeu apenas 400 mil litros. Cerca de nove mil produtores goianos, 15% do total do Estado, forneciam diariamente 900 mil litros de leite à indústria.
Os fornecedores da Parmalat aguardam para amanhã o recebimento do pagamento do leite entregue em dezembro e na primeira quinzena de janeiro. A empresa deve R$ 616 mil para a Centroleite e outros R$ 120 mil para a Cooperativa dos Produtores de Quirinópolis.
Fonte: O Popular/GO (por Sônia Ferreira), adaptado por Equipe BeefPoint
Governo de Goiás quer explicação da Parmalat
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