O Governo da Argentina convocou os diretores da Parmalat Argentina S.A. para que façam um informe detalhado sobre a situação da companhia no país. O objetivo das autoridades é conhecer quais poderiam ser as conseqüências da crise do gigante do setor de alimentos italiano na Argentina. A informação lhes permitiria reagir a tempo, adotando medidas preventivas que amortizem o potencial impacto sobre o setor produtivo.
"Queremos reagir antes que seja tarde, porque, se chegar a acontecer algo, como se prevê, o conflito dos produtores afetados rebaterá em nós e queremos estar preparados para enfrentar qualquer cenário", disse o diretor nacional de Leiteria da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) da Argentina, Juan José Linari.
Ele admitiu que reina no governo um clima de preocupação e incerteza sobre o futuro das operações da Parmalat na Argentina. Esse nervosismo se acentuou nos últimos dias, com o abalo das filiais do Brasil e do Chile.
As autoridades contam com uma informação básica sobre a realidade das operações na Argentina. Sabem que, até o momento, não parece haver indícios de impacto em nível local. Somente se detectou um atraso de dois dias nos pagamentos, logo saldado. Além disso, houve a reação de vários fornecedores da Parmalat que exigiram que a companhia diminuísse os prazos de pagamentos para reduzir os riscos no caso de falha nos pagamentos. "Pediremos uma descrição das projeções e perspectivas que têm em nível local para ter informações sobre o que está acontecendo", disse Linari.
Um assunto que não deixará de ser discutido é a possibilidade de que as operações locais estejam incluídas entre as filiais que pretendem fechar. Esta possibilidade surge das declarações públicas efetuadas dias atrás pelo ministro da Agricultura da Itália, Giovanni Alemanno, que assegurou que o objetivo da Parmalat seria vender suas empresas no Exterior e reter as locais para tentar sanar o passivo financeiro da multinacional.
Posicionamento
A Parmalat Argentina S.A. assegurou à imprensa, sempre através de porta-vozes, que não considera a possibilidade de fechamento local. Além disso, informou que estão previstos lançamentos de produtos em curto prazo.
A Parmalat Argentina produz e comercializa 140 produtos. Possui três plantas produtoras localizadas em Pilar (com tecnologia de ponta), Chascomús (comprada de Gándara e hoje praticamente não-operacional) e outra em Río Negro, onde se concentra o processamento de tomates. A empresa emprega 1200 pessoas e faturou, em 2003, US$ 190 milhões. Suas marcas incluem Parmalat, Parmalat Light, Fyty, Gandacrem, Gándara, Omega 3, Saavedra, Sandy e Yogurbelt.
O posicionamento destas marcas no mercado local revela que algumas delas conseguiram impor-se a produtos similares de indústrias líderes. No mercado de iogurtes de beber, a empresa ocupa o primeiro lugar na Argentina, segundo um ranking de mercado elaborado pela companhia. O mesmo revela que a firma ocupa o segundo lugar no mercado de queijos cremosos, ricota, sobremesas e leite achocolatado.
Fonte: Infobae.com (por Victoria Alvarez Benuzzi), adaptado por Equipe MilkPoint
Governo da Argentina teme eventual saída da Parmalat do país
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