Goiás já é o segundo maior produtor do País

Publicado por: MilkPoint

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Pelo terceiro ano consecutivo Goiás leva o título de segundo maior produtor de leite do País, posição ocupada pelo Estado de São Paulo por várias décadas. Minas Gerais continua sendo o Estado campeão na produção. Na avaliação do pecuarista Eduardo Benedini, dono da Fazenda Álamo, em Franca (SP), os criadores goianos estão formando seus plantéis graças aos incentivos do governo e, graças a essa política, dificilmente São Paulo irá recuperar o segundo lugar no ranking dos produtores. É o que informa reportagem de Realindo Júnior, publicada hoje no Suplemento Agrícola, do jornal O Estado de São Paulo.

Matrizes de elite - Entre perdas e danos, Benedini acha que o Estado de São Paulo, mesmo com a diminuição da sua produção leiteira, ainda continua no topo da pirâmide como o principal produtor de matrizes de alta linhagem. Na Fazenda Álamo, por exemplo, só permanecem as vacas que fecham com 10 mil quilos o ciclo de lactação de 305 dias. "Atualmente a venda de boas matrizes é a maior fonte de renda da Álamo", diz Benedini.

Embora seja um bom negócio vender matrizes, Eduardo Benedini manda um recado ao criador de Goiás que compra gado dos Estados de São Paulo, Minas Gerais ou do Paraná. Segundo ele, as vacas criadas nesses Estados vão enfrentar calor de até 40 graus nas pastagens goianas e, conseqüentemente, não produzirão a mesma quantidade de leite que produziam nos seus Estados de origem. "A queda na produção pode ultrapassar 40%", diz Benedini.

Vaca louca - Apesar de alguns percalços, Benedini não desanima. No momento, a doença da vaca louca, na Inglaterra, é que está tirando o sono de Benedini. Além da supensão do abate, o governo inglês proibiu a venda de ração de origem animal. "Depois da proibição os criadores passaram a comprar a soja brasileira e o preço desse produto básico para formulação da ração disparou, passando de R$ 200 para R$ 500 a tonelada", diz Benedini.

SP chega a tirar 1,5 milhão de l diariamente

Pelas contas da Cooperativa Nacional Agroindustrial (Coonai), de Ribeirão Preto (SP), a produção de leite no Estado de São Paulo caiu de 4 milhões de litros diários, entre 1996 e 1997, para 1,5 milhão atualmente. A principal causa da queda, na avaliação do presidente da Coonai, Antônio Marcos Kaluf, foi a mudança de rumos da pecuária leiteira do Estado.

Pecuaristas começaram a vislumbrar melhores lucros com as culturas de laranja, do acúcar e até mesmo com o café, que começou a ser abandonado na região em meados dos anos 70. Kaluf diz que até pouco tempo a Coonai, que atua em 55 municípios da região de Ribeirão Preto, produzia 250 mil litros de leite por dia, fornecidos por 1.600 produtores. "Hoje, atuando nos mesmos 55 municípios, produzimos a metade", diz Kaluf.

Águas - No Estado de São Paulo, o Vale do Paraíba continua sendo o maior produtor, seguido pela região de Campinas e Batatais.

Em outras regiões, segundo o presidente da Coonai, os pecuaristas trabalham apenas na estação das águas, quando é mais fácil produzir leite. Ele culpa também a fiscalização, que é muito rigorosa em São Paulo, o que não ocorre em outros Estados, aumentado a concorrência. Sem contar os incentivos fiscais oferecidos por alguns Estados, que ajudam bastante o produtor. "Tudo isso contribui para aumentar a concorrência", reclama Kaluf. (R.J.)

Por Realindo Júnior, para Suplemento Agrícola, O Estado de São Paulo, 31/01/01
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