GO: Tendência de alta para preço do leite

Publicado por: MilkPoint

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As primeiras informações apuradas pela Comissão de Pecuária Leiteira da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg) indicam que os preços pagos aos produtores pelo leite continuarão em alta neste mês. Segundo o economista e assessor técnico da instituição, Edson Alves Moraes, dados ainda informais apontam um acréscimo entre um ou dois centavos sobre os valores recebidos em fevereiro, o que, se confirmado, representaria um incremento entre 3,5% e 7,5% sobre o preço médio praticado no mês passado.

Na visão do presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Goiás (Sindileite), Domingos Vilefort Orzil, o mercado de leite estaria caminhando rumo a uma estabilização, já que não haveria muito mais espaço para novas altas. "Os preços voltaram aos níveis máximos alcançados em 2001, entre R$ 0,30 e R$ 0,35 por litro, dependendo do volume produzido, da qualidade do produto e da distância até a usina", afirma Vilefort.

O assessor da Faeg discorda. "Somente grandes produtores, que entregam mais de 1,5 mil litros de leite por dia, conseguem receber entre R$ 0,35 e até R$ 0,38 por litro. A maioria não recebe nem R$ 0,30". Na média, prossegue Moraes, os preços recebidos em fevereiro pelo litro entregue em janeiro chegaram a R$ 0,2657, numa elevação de 5,6% em relação a dezembro, mas 7,3% inferiores aos níveis alcançados em igual mês do ano passado. Comparado ao preço médio registrado em 2000, ao redor de R$ 0,34 o litro, persiste uma baixa de praticamente 22%.

Granel

As avaliações continuam discrepantes em relação ao desempenho da captação de leite nos primeiros meses do ano. Um levantamento realizado pelo Sindileite, diz Vilefort, mostrou um aumento de 15% nos volumes captados pelos laticínios em janeiro e fevereiro deste ano frente ao primeiro bimestre do ano passado. A alta dos preços, num momento de crescimento da produção local, analisa o presidente do sindicato, poderia ser explicada em função de uma redução da oferta nos estados da região Sul.

A produção de Goiás, neste caso, estaria sendo direcionada para suprir o abastecimento nos mercados do Sul e do Sudeste, que responderam, em 2000, por quase 62% e 97% das vendas de Goiás para o restante do País de, respectivamente, leite em pó e leite cru resfriado. Vilefort credita o crescimento da produção, nos últimos anos, às melhorias genéticas do rebanho e aos investimentos feitos pela indústria na granelização do leite.

Segundo ele, hoje entre 75% e 80% dos produtores de leite resfriam o produto ainda na fazenda, em tanques financiados pelas usinas, o que reduz custos de transporte e perdas e permite ganhos de qualidade. "Com a granelização, o produtor pode tirar leite duas vezes por dia, o que já representa um aumento entre 20% a 25% na produção", aponta.

No ano passado, segundo projeção da Faeg, o Estado teria produzido 2,413 bilhões de litros, em torno de 10% acima da produção realizada em 2000. A produção de leite sob inspeção federal saiu de 1,351 bilhão para 1,566 bilhão de litros, um salto de 15,9%.

Para Moraes, da Faeg, os indícios são de queda na captação no início de 2002. Os números fornecidos por 17 cooperativas apontam a captação de 885,2 mil litros em janeiro, ou 6,5% abaixo dos 946,9 mil litros recebidos no primeiro mês de 2001 e 5,9% menor do que os números de dezembro passado.

Uma parte da queda, diz Moraes, seria explicada como resultado da migração de grandes produtores para a área de influência dos laticínios, que têm oferecido melhores preços quanto maior o volume captado. "Mesmo assim, pode-se estimar uma redução entre 3% e 4% no recebimento de leite pelas indústrias, o que seria um resultado dos baixos preços registrados a partir de junho do ano passado", avalia.

De qualquer forma, o assessor da Faeg acredita que esteja em curso uma tendência de aumento da demanda pelas indústrias, que estariam conseguindo mais do que repassar a recuperação registrada nos preços pagos aos produtores nos últimos dois meses. Os preços no atacado, diz Moraes, subiram em média de R$ 0,70 em dezembro para R$ 0,85 em fevereiro deste ano, o que corresponde a uma variação de 21,4% diante de uma correção inferior a 6%, em média, aplicada aos valores recebidos pelos produtores no mesmo período.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Lauro Veiga Filho), adaptado por Equipe MilkPoint
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