Produtores goianos de leite começam a familiarizar-se com as contas. Em quatro meses o projeto de assistência técnica e gerencial oferecido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae-GO), com participação de agroindústrias do setor de laticínios e dos próprios pecuaristas, chega a aproximadamente 75 fazendas.
É o Educampo, desenvolvido pelo Sebrae de Minas Gerais sob orientação técnico-científica do professor Sebastião Teixeira Gomes, da Universidade Federal de Viçosa, e que é aplicado em fazendas mineiras há cerca de quatro anos. Agora o projeto começa a dar sinais do que pode fazer pela administração das propriedades rurais goianas. Por enquanto, as atividades têm por base os municípios de Itaberaí, Piracanjuba, Goiânia, Palminópolis e Iporá.
O consultor do Sebrae-Rural em Goiás, Wanderson Portugal Lemos, informa que são constituídos grupos de 15 a 18 fazendeiros para assistência de técnicos treinados pelo órgão. Um coordenador acompanha o trabalho, que, na fase inicial, de transferência de tecnologia, vem sendo orientado também por profissional do Sebrae de Minas Gerais, o zootecnista Cristiano Nassif. Há, por enquanto, um grupo em cada um dos cinco municípios. Pela assistência o produtor desembolsa o equivalente a 70% do salário mínimo mais 1% da produção leiteira e a despesa de transporte do técnico.
As empresas de laticínios que colaboram com o programa, por enquanto a Nestlé e a Leitbom, por sua vez, indicam pecuaristas para participar do Educampo, organizam reuniões para troca de experiências, promovem visitas a propriedades tecnicamente mais avançadas e ainda possibilitam o desconto da remuneração do técnico na folha de pagamento pelo leite.
Resultados
Um dos primeiros a aderir ao programa, o produtor Alacir Junqueira, dono da Estância São José, em Inhumas, conta que a produtividade média de suas vacas cresceu de sete litros para 10 litros de leite diários. O aumento resultou de mudanças que incluíram a melhoria da nutrição do rebanho sem aumento de custos, assegura o zootecnista Krishnamurti Simon Evaristo, que assumiu a assistência técnica.
Ele explica que, inicialmente, foi feito levantamento da situação da fazenda para identificação dos pontos falhos. Em seguida, passou-se à busca de estratégias para remanejamento de gastos. Geralmente eles se tornam mais altos na primeira fase, pela necessidade de investimentos como a recuperação ou mesmo a reforma de pastagens, mas são custos que desaparecem nos meses seguintes.
As contas só serão fechadas ao término de um ano e Junqueira conta que, aparentemente, gastou um pouco mais nos últimos meses, mas está certo de que a mudança é positiva, de que tomou o caminho da eficiência. Além da parte administrativa, o zootecnista orienta o fazendeiro também na seleção dos animais, na melhoria do desempenho reprodutivo do rebanho e em outras tarefas, como no balanceamento de ração, caso a opção seja pelo preparo na própria fazenda como forma de contenção de gastos. A alternativa que geralmente vem sendo adotada pelos grupos até agora assistidos pelo sistema, entretanto, tem sido a compra conjunta dos insumos para obtenção de menores preços.
Fonte: O Popular (por Marly Paiva), adaptado por Equipe MilkPoint
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MilkPoint
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