O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, entrou num bate-boca com manifestantes que protestavam contra a Organização Mundial do Comércio em Hong Kong. Representantes de pequenos produtores, alguns deles do Rio Grande do Sul, se queixavam de que a entidade máxima do comércio não tratava de suas preocupações da agricultura familiar.
Sob o som de apitos, em meio a cartazes, com agricultores apontando o dedo para ele, Furlan tentou explicar a posição do país e disse que os subsídios europeus prejudicam o Brasil.
Furlan foi quem se aproximou dos manifestantes que estavam na entrada do centro de conferências, onde ocorrem as negociações da OMC. Ao se apresentar, ficou sabendo que alguns dos ativistas eram franceses. "A França é protecionista. Vocês não são competitivos, nós sim", exclamou Furlan.
Alguns ativistas, a maioria deles representantes de pequenos fazendeiros, reagiram aos comentários. "O Brasil não irá alimentar o mundo e terá de pagar pelos prejuízos de todos os fazendeiros do mundo que vão falir", acusou um produtor de leite da França.
Furlan então respondeu que os pequenos produtores de carne de aves são os mais competitivos do mundo e sem contar com subsídios. "Mas e os direitos humanos? Ter competitividade não é direitos humanos. Eu não viverei mais como agricultor se o mercado for aberto", reclamou o produtor francês. "Queremos políticas diferenciadas para os grandes exportadores agrícolas e para os pequenos fazendeiros", completou o brasileiro Altemir Tortelli, da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul.
Furlan tentou manter a calma, mas alertou a um dos ativistas, o espanhol Javier Sanchez, diretor da entidade Organização de Agricultores, que se exaltava ao tentar debater com o ministro. "Não gosto de falar assim. Se o senhor baixar a mão, podemos falar", disse Furlan, que pegou no braço do ativista para baixá-lo.
"Não fale comigo sobre agricultura. Eu conheço agricultura, somos competitivos, mesmo sem subsídios. Temos 10 milhões de famílias pobres de verdade. Vocês, europeus, não têm isso. Eu entendo esse protesto, pois do lado do Brasil os pequenos agricultores familiares são muito produtivos. Na Europa, muitos ganham dinheiro com subsídios e agora não querem largar esse dinheiro. Vocês podem viajar. Mas os pequenos fazendeiros não têm dinheiro e não podem viajar", completou Furlan, enquanto os seguranças de Hong Kong o cercavam para evitar algum problema.
Fonte: O Estado de S.Paulo, adaptado por Equipe MilkPoint
Furlan bate-boca com manifestantes em Hong Kong
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