A maior cooperativa de lácteos da Nova Zelândia, Fonterra, criticou a proposta agrícola divulgada na semana passada e anunciada pelos Estados Unidos e pela União Européia (UE), classificando o documento como "um grande passo para trás na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC)". O compromisso foi visto na Europa como um potencial atalho para as negociações comerciais da OMC que estão em um impasse.
No entanto, a proposta está sendo atacada pelos países em desenvolvimento, agências de fomento e alguns países exportadores agrícolas do Grupo de Cairns, incluindo a Nova Zelândia, por não conter aquilo que é realmente necessário para um reforma comercial significativa.
"Nós estamos desapontados e preocupados com a direção que as conversações estão tomando", disse o presidente da Fonterra, Henry van der Heyden. Segundo ele, é impossível alcançar a meta acordada em Doha para uma substancial reforma comercial global sem concordar em eliminar os subsídios de exportação. Entretanto, ele disse que, a proposta, ao invés de atingir a meta, mostra uma concordância entre os EUA e a UE sobre "passos para trás no compromisso de Doha".
"Eles propuseram a eliminação de subsídios de exportação somente para produtos indefinidos de interesse particular para países em desenvolvimento. Para todos os produtos restantes o objetivo é simplesmente a redução nos subsídios de exportação, sem compromissos com números ou tempo. Sobre o outro assunto chave, que é o acesso a mercados, o documento é vago, complexo e evasivo".
Van Der Heyden disse que é interessante lembrar que a UE, em particular, conta com a grande maioria dos subsídios de exportação, "que é simplesmente o maior elemento de distorção no comércio mundial de lácteos, causando danos aos produtores de leite de países em desenvolvimento e desenvolvidos".
O presidente da Fonterra disse que, enquanto esta proposta significa boas notícias aos principais participantes do mercado no mundo - EUA e UE -, há um risco verdadeiro de que, ao agirem em prol de suas próprias prioridades, eles deixem o restante do mundo para fora.
Para que qualquer acordo tenha sucesso é necessário que ele satisfaça os interesses de todos os participantes da Rodada - incluindo o Grupo de Cairns e os países em desenvolvimento - não somente os dois principais subsidiadores, disse ele.
"Eu me preocupo que nós fiquemos parados observando enquanto os EUA e a UE fechem um acordo que os satisfaça. O acordo que está sobre a mesa agora simplesmente não é bom o suficiente".
Fonte: Fencepost.com Ltd., adaptado por Equipe MilkPoint
Fonterra critica proposta feita pelos EUA e pela UE na OMC
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