Fonterra: "Chegamos até aqui porque estamos dispostos a mudar e evoluir"

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 6 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Após um ano de criação da Fonterra, seu presidente, John Roadley, fez um discurso aos produtores de leite da ilha sul da Nova Zelândia no Estádio Southland, em Invercargill. Suas palavras permitem apreciar o grau de organização e determinação na estratégia desta mega-cooperativa para ganhar mercados no mundo e, o que é mais importante, gerar um bem estar econômico a seus associados. Parte deste discurso está transcrita abaixo.

O valor da união: "Somos o único grupo de produtores primários de algum ponto do mundo que chegamos a nos constituir em um participante mundial sério, capaz de influenciar acontecimentos. Somos somente 13 mil famílias de produtores - manejando negócios pequenos e médios - atirando cooperativamente na mesma direção para ganhar no cenário mundial. Estamos deixando o mundo dos agronegócios atônito. Chegamos a este ponto porque não abrimos mão da necessidade de manter a propriedade cooperativa - apesar da crítica de que as cooperativas sejam um modelo obsoleto. Chegamos a este ponto porque estamos sempre unificados, através da entidade New Zealand Dairy Board (NZDB), a fim de encarar o mundo como uma só entidade. E chegamos até aqui porque estamos dispostos a mudar e evoluir, e sempre tomamos as decisões corretas em tempos críticos".

Fonterra em números

* Responsável por um terço do comércio mundial de lácteos;
* Coleta anualmente mais de um bilhão de quilos de sólidos lácteos;
* Processa leite em 25 fábricas através da Nova Zelândia;
* Freta 840 barcos por ano: 2,33 barcos por dia:
* Conta com 20 mil funcionários;
* Comercializa produtos em 140 países;
* Seus clientes englobam desde os maiores negócios mundiais de alimentos, até aqueles que necessitam somente de pouco volume de leite.

Retornos excepcionais: "Na última década, os produtores de leite têm tido retornos médios sobre o capital investido de 10,7% anualmente. Este retorno é tanto da apreciação da terra, como do retorno sobre o leite. Isso significa que se tivessem sido investidos US$ 100 em uma propriedade em 1990, o valor final do ano passado seria de US$ 306. Os produtores têm de julgar se esta é uma compensação adequada para o trabalho de manejar e operar uma propriedade leiteira e o capital que temos investido. Para pôr isso em seu contexto, o retorno é somente 2,2% a mais que o da Bolsa da Nova Zelândia sobre a mesma década, e esta é uma compensação pobre, dado que a Nova Zelândia está retrocedendo com relação ao restante do mundo na criação de riqueza. A Nestlé pode ser uma melhor comparação. Em comparação com nosso retorno sobre capital de 10,7%, os acionistas da Nestlé ganham quase 20% sobre o capital ao ano. Eu disse anteriormente que estou muito orgulhoso do que nossa indústria vem obtendo mas, a meu entender, devemos melhorar para cobrir esta diferença".

Valor agregado e risco: "80% de nosso negócio permanece ligado ao ciclo de commodities. Hoje estamos fazendo um repasse abrangente de nossas opções estratégicas. Trata-se de construir sobre os êxitos da Fonterra, examinando como o mercado tem mudado e nossa própria posição neste mercado. Logo, devemos definir o que queremos ser, o que temos que ser e o que devemos ser. É algo que falaremos extensivamente com nossos acionistas mais adiante no ano. Como produtores, em última instância, o tema é o perfil de risco que queremos suportar em nossos próprios negócios. Estar expostos em forma completa ao ciclo de preços de commodities significaria que, em cada três temporadas de 10, os produtores encarariam um risco real de que suas propriedades fiquem inviáveis.

Esta temporada seria uma delas. Da forma como temos manejado historicamente o risco, com negócios de valor agregado, este risco é quase metade. Quanto mais afastamos o negócio do ciclo de preços commodity - o que requer um maior investimento em produtos de valor agregado e de especialidades - maior será a estabilidade que podemos trazer ao rendimento dos produtores".

Globalização: "A globalização é criticada pelas mudanças que traz. Uma maior mobilidade de capital e de mão-de-obra obriga a uma maior especialização e consolidação. Porém, a globalização é um fato da vida, e seu efeito geral é positivo, porque tende a obrigar que os países mantenham seus focos sobre o que fazem melhor. Para a Nova Zelândia, a produção de leite está na parte superior da lista. Nosso desafio é destravar seu potencial e entregar leite a crescentes classes médias de um mundo que se globaliza".

Um ensino para a argentina: "É extremamente importante alinhar todo mundo neste negócio por trás da estratégia da Fonterra: os acionistas, os diretores, nossos executivos e empregados em todo o mundo, incluindo gente nova ao redor do mundo que tem sido atraídos à Fonterra".

Os melhores homens: "Como país, temos que atrair, motivar, recompensar e reter gente de talento, que têm em suas mãos nossa prosperidade econômica. Através de uma ativa imigração devemos atrair talentos de todo o mundo. Devemos ter uma cultura nacional que respeite e que recompense o talento. Dentro da Fonterra, temos retido o melhor de nosso talento existente, e temos atraído talento novo de lugares tão diversos como Dinamarca e México. A nível de Direção, também estamos acumulando o talento disponível para nós. Um terceiro diretor independente foi nomeado na semana passada, David Hoare. David é um dos homens de negócios mais importantes da Austrália. Tem uma enorme experiência em dirigir companhias multinacionais, em entender os mercados globais e em governos corporativos. Ele foi presidente da maior companhia da Austrália durante quase 10 anos e é altamente respeitado entre líderes do governo e do mundo dos negócios. Suas perspectivas, especialmente na medida em que avancemos com nosso plano de estabelecer um mercado interno que inclua a Australásia, vai ser de grande valor. Vamos nos beneficiar daquele talento externo, e buscar seu apoio para a proposta de trazer um quarto de diretores independentes à Direção, quando houver votação em nossa assembléia de acionistas, dentro de um mês".

Quatro pontos finais

Finalmente, John Roadley destacou 4 assuntos que deverão ser desenvolvidos na próxima temporada:

Conhecer o mercado: "Primeiro, devemos conhecer o mercado - e quanto leite este poderá demandar - melhor do que qualquer coisa no mundo. Nossos cientistas e membros do setor comercial têm que trabalhar juntos para entregar leite às classes médias emergentes do mundo, para aumentar o componente de valor agregado de nosso negócio. É por esse motivo que nosso novo talento de fora da Nova Zelândia é tão importante".

Liderança industrial: "Devemos manter nossa reconhecida posição de liderança na curva global de custos industriais, pelo manejo de nossa manufatura e cadeia de valores. Isto requer que persigamos o preço do leite commodity fixado independentemente, o que ajuda a medir nossa eficiência. À medida que alcancemos o preço do leite commodity, este tenderá a mover além do nosso. Isso deve ser assim para sustentar a pressão".

Competitividade das propriedades leiteiras: "Devemos manter nossa vantagem produtiva nas propriedades leiteiras, nossa vantagem de sustentabilidade de meio-ambiente e nossos antecedentes de bem estar animal. Estamos no topo em todos os temas. Cada produtor deve ter um compromisso para estar constantemente no topo, e receber o apoio da companhia que se requer. Não serve somente defender nossa forte reputação. Temos constantemente que estar avançando".

Não esquecer os acionistas: "Através da indústria e da companhia, devemos fazer com que a Fonterra seja realmente uma fonte de vida para nossos acionistas, através de puro rendimento e uma comunicação de alto nível que gere confiança e orgulho em ser parte da cooperativa leiteira mais impressionante do mundo".

Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?