Faemg quer fim da importação do leite

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A Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg) reivindica ao governo federal a suspensão da importação de leite dos países da Europa, segundo reportagem de Luiz Augusto Araújo, publicada hoje na Gazeta Mercantil. A medida tem como objetivo a prevenção de eventual contaminação da população com a Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), conhecida como doença da vaca louca.

A Faemg começou a enviar no início desta semana um ofício aos Ministérios da Agricultura e da Saúde para alertar as pastas sobre a possibilidade da contaminação humana da doença da vaca louca por meio da ingestão do leite. "Estamos enviando cartas também para todas as federações para que elas analisem a questão e tomem a mesma ação", diz o presidente da Faemg, Gilman Viana Rodrigues.

Ele informa que a possibilidade da contaminação através da ingestão do leite foi levantada pelo próprio governo inglês. Conforme diz, a probabilidade foi apontada no fim do ano passado, depois que alguns cientistas verificaram erros na pesquisa realizada em 1995 pela Food Standards Agency, que excluiu o produto como vetor da doença.

O presidente da Faemg diz que a Food Standards Agency, orgão inglês similar ao Ministério da Agricultura, iniciou novos estudos para detectar se a doença da vaca louca pode ou não ser transmitida com a ingestão de leite contaminado. "Alguns países como a Austrália anunciaram a suspensão do produto europeu", assegura. "Queremos que a suspensão das importações seja temporária, mas pelo menos até que a pesquisa definitiva seja concluída", completa.

De acordo com Gilman Viana, em função da epidemia da doença na Europa, o Brasil suspendeu as importações de carnes, sêmens congelados e embriões de bovinos. O país importa da Europa cerca de 30 mil toneladas de leite em pó, o que equivale a 300 milhões de litros da bebida por ano.

O presidente da Faemg alega que cerca de 50% das importações do leite europeu são demandadas por Minas Gerais, apesar de o estado produzir quase um terço da produção nacional de leite. "O leite importado da Europa além de ter o preço subsidiado, poderá estar contaminado", condena.

Para Gilman Viana, a suspensão das importações não terá muitos reflexos no mercado interno porque o principal fornecedor do país é a Argentina. O presidente da Faemg diz que poderá ter impacto de forma benéfica para o produtor do estado, que deverá aumentar as comercializações, em até 5%. "Apesar do Brasil ser importador de leite, a produção interna é auto-suficiente", afirma.

Por Luiz Augusto Araújo, para Gazeta Mercantil, 01/02/2001
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