Fabricantes de bebidas lácteas reagem à proposta da CNA
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
A proposta de diferenciação apresentada na reunião da CNA, realizada em 24 de setembro, em Sete Lagoas, MG, desagradou integrantes da indústria, como Domingos Vilefort, presidente do Sindileite-GO (Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Goiás), e José Eustáquio Bernardino de Sena, da Milênio, sediada em Campo Belo, MG. Os principais itens propostos foram a retirada da mensagem Longa Vida, colocação da porcentagem de soro de leite no rótulo, um mínimo de 2% de proteína, dois terços da embalagem em cor laranja e inclusão de corante.
"O que se alega é que a bebida láctea estaria concorrendo com leite integral. Insinua-se que estaríamos enganando o consumidor, o que não é verdade, pois todos que a produzem incluem o nome bebida láctea na embalagem, caso contrário, há penalização prevista pelo regulamento do DIPOA (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal)", contestou Vilefort, dizendo que grande parte do problema está nos pontos de venda. "Temos cumprido a legislação e não somos culpados se alguns estabelecimentos colocam cartazes ou anúncios em TV vendendo bebida láctea como leite Longa Vida. Isso foge ao nosso controle. Precisamos ter uma regulamentação que afete toda a cadeia, da indústria ao varejista", continuou.
Por outro lado, contra-atacou um dos pontos da proposta da CNA, a inclusão de corante. "Sou contra isso. Pensemos na margarina, similar da manteiga e que tem a mesma cor. Por que temos de usar cores diferentes?", questionou, relembrando que, quando surgiu a margarina, queriam que o produto fosse verde. "Ninguém consumiria. E é assim que acontecerá com a bebida láctea. Com corante, não conseguiremos vender", insistiu.
Quanto à limitação da quantidade de soro, ponderou que é preciso regulamentar. "É necessário ter fiscalização mais apurada sobre a qualidade da bebida láctea e, na embalagem, talvez destacar o tipo de produto", avaliou, declarando ser melhor ter custos com alterações do que ter proibida sua fabricação.
Vilefort defendeu o produto, principalmente devido às condições econômicas brasileiras, e afirmou ver nele uma alternativa para os consumidores dos estratos C e D: "Em um país pobre como o nosso, precisamos aproveitar o que temos e a bebida láctea é resultado de nossa criatividade, mesmo que com adição de 50% de soro, o qual é muito bom, devido ao teor de proteína e lactose". De acordo com suas informações, a bebida láctea é 20% mais barata que o leite integral e responde por uma fatia do mercado de lácteos entre 15 e 20%.
Outra justificativa de sua defesa refere-se ao meio ambiente. "É uma boa opção aproveitar o soro na bebida láctea, pois evita que muitas queijarias o despejem nos córregos, o que provoca poluição devido à lactose, que fermenta e retira o oxigênio da água, matando os peixes, embora não seja tóxico. Oferecemos um produto para as camadas mais pobres livrando o meio ambiente desse problema", reforçou.
A poluição também preocupa Bernardino de Sena, da Milênio. Para ele, além de poluir os rios, está-se jogando proteína fora. "Minas Gerais produz 80% do soro nacional, por causa da grande quantidade de fabricantes de queijos, e quando chega uma empresa que institui a bebida láctea, que tem coragem de dizer que utiliza soro de leite, começa a mexer com empresas habituadas a usá-lo no leite em pó, principalmente no nordeste", desafiou.
De acordo com ele, o Ministério da Agricultura, por meio do sistema de inspeção, tem-se mostrado favorável a esse aproveitamento. "De 100% do soro até um ano atrás, 90% eram jogados no rio, 5% destinavam-se a consumo animal e 5% a consumo humano. Com a entrada da bebida láctea, o soro despejado caiu para 70%, ou seja, 20% de redução do produto poluidor", calculou.
Com relação aos índices de proteína indicados na proposta da CNA, Sena afirmou que "matariam" a bebida láctea, hoje com teores entre 1,4 e 1,6%.
"Trabalhamos com um produto regulamentado, devidamente aprovado, sem restrições do Ministério da Agricultura, fortalecendo a indústria queijeira, especialmente em Minas Gerais, que começou a vender o soro a uma média de R$ 0,06 por litro. Além de vender, só se consegue soro bom se tiver leite bom. Tem-se trabalhado pesado para a melhora da qualidade", justificou.
Para Sena, a defesa da bebida láctea passa por aspectos como a substituição do refrigerante, principalmente nas periferias, revelando predileção pelo produto, com reflexos na saúde e na economia: "A bebida agrada, o consumidor retorna, consome menos colesterol e um produto mais saudável, e a baixo custo. Ela veicula a venda de leite por meio de um produto barato", delineou, afirmando que nos Estados Unidos, por exemplo, 75% do soro são para consumo humano, e que no Brasil, ele está presente no leite modificado em pó, biscoitos e outros produtos. "Nos supermercados, o óleo de soja está ao lado do azeite puro. É a mesma situação no caso da bebida láctea e do leite", comparou, questionando a maneira como se tem conduzido a discussão.
Para ler a matéria sobre a proposta discutida na reunião da CNA, clique aqui
Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/10/2003
Os fabricantes de bebidas lácteas, procurando isentar-se da confusão de bebida láctea com leite, afirmaram: "Temos cumprido a legislação e não somos culpados se alguns estabelecimentos colocam cartazes ou anúncios em TV vendendo bebida láctea como leite longa vida. Isso foge ao nosso controle, Precisamos ter uma regulamentação que afete toda a cadeia, da indústria ao varejista".
Na realidade a justificativa é uma confissão de que o produto pode confundir o consumidor !
Tudo bem, pode-se estabelecer normas para divulgação e exposição do produto pelo varejo. Mas é óbvia a dificuldade e o elevado custo de se fiscalizar o cumprimento das normas face a imensidão de pontos de venda do varejo.
Não é muito mais fácil evitar a confusão do consumidor com uma embalagem adequada e com a coloração do produto? Não procede a argumentação que a coloração prejudica a comercialização, pois hoje as bebidas lácteas sabor morango, sabor pêssego, sabor frutas, e os achocolatados são coloridos, e a cor é atrativo de venda. O que não tem sentido é comercializar bebida láctea sem sabor e com cor branca, pois com toda a certeza confundirá o consumidor mesmo que o varejo cumpra as normas estabelecidas.
No geral, justificam-se plenamente as propostas da CNA com relação a embalagem e coloração do produto. Talvez apenas a coloração de 2/3 da embalagem em vez da cor laranja devesse ser da coloração do produto. E é importante que toda bebida láctea tenha um sabor de fruta, de chocolate, de baunilha etc. Não é estranho bebida láctea sabor leite ?
Entendo que a bebida láctea deva ser uma opção de bebida para todas as classes de consumidores. Mas não concordo com a colocação do produto como alternativa ao leite para os consumidores dos extratos C e D. O consumo de leite abaixo de certo nível prejudica o desenvolvimento físico e mental do ser humano, e a substituição do consumo de leite por bebida láctea prejudicaria os jovens desses extratos, que são tão cidadãos brasileiros como os dos extratos A e B. Se esses extratos não podem consumir as quantidades mínimas necessárias, cabe ao Governo tomar providências para que isso aconteça através de programas sociais.
Estranho justificar a necessidade de usar o soro na bebida láctea para que o mesmo não seja despejado nos rios, prejudicando meio ambiente.
Mesmo que houvesse excedentes de soro, o mesmo pode ser também usado para alimentação animal ou para alimentação humana em produtos não lácteos.
Depois não faz nenhum sentido se falar que até um ano atrás se jogava 90% do soro produzido pela indústria de latcínios nacional nos rios, quando no período de 1997 a 2001 o Brasil importou 142.540 toneladas de soro, uma média de 35.635 tonelada por mês. Se foi jogado soro nos rios, alguma coisa parece estar muito errada.
Não sou contra o uso do soro na alimentação humana, nem contra a bebida láctea, que é uma bebida como outra qualquer, como alternativa para um suco ou refrigerante.
Mas realmente é necessário separa o joio do trigo, ou melhor, a bebida láctea do leite.
Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 01/10/2003
Maria Helena Fagundes
Técnica do Leite (MAPA/Conab)

VALINHOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 30/09/2003
A bebida láctea longa-vida veio para enganar o consumidor, que não sabe o que é leite. Vem em destaque a expressão Longa Vida, e sempre é colocada no meio dos leites longa-vida.
Vale acrescentar, que conforme consta nas próprias embalagens do referido produto, que se utiliza soro de leite em pó, e leite em pó, que tudo faz crer, seja importado.
Temos condições de alimentar nossas crianças com leite fluido, e não com este sub produto, que pode ser utilizado em indústrias de bolachas, sorvetes, e outras mais.
Chega de enganar o consumidor brasileiro.