Juliano Mendes é formado em Administração de Empresas, com pós graduação nos Estados Unidos. Foi sócio fundador da Cervejaria Eisenbahn, vendida em 2008 para o Grupo Schincariol, hoje Brasil Kirin, atua agora no mercado de queijos diferenciados com alto valor agregado da marca Pomerode
Na Pomerode, é sócio e diretor comercial e de marketing, empresa de Santa Catarina que se especializou em queijos finos em creme.
Confira abaixo a entrevista na íntegra:
MKP Indústria:O que levou dois irmãos que iniciaram sua vida empreendedora com a Eisenbahn, uma cervejaria artesanal, à investir em laticínios?
Mendes: Iniciamos qualquer atividade, qualquer empreendimento, por paixão pela ideia. Sempre adoramos cerveja, depois de um período de estudos nos Estados Unidos, descobrimos uma revolução nesse mercado por lá. Cervejarias artesanais sendo criadas para produzir cervejas de alta qualidade. Foi o modelo que serviu de inspiração pra gente. Durante nossos anos à frente da Eisenbahn (vendemos em 2008), trabalhamos muito a harmonização de cervejas com comida, como se faz com o vinho. E, por isso, acabamos descobrindo outro mundo maravilhoso e encantador, o de queijos, já que combinam muito bem com cervejas especiais.
Depois da venda, começamos a pensar seriamente na possibilidade de entrar nesse mercado e ajudar os que aí já estão a desenvolver o mercado e o interesse do consumidor brasileiro por queijos especiais. Mas é claro que, além de paixão, também vimos uma boa oportunidade de negócios. Comparando com o mercado de cervejas, não há quase monopólio, os impostos são mais baixos e as margens superiores.
MKP Indústria: Onde está situada a fábrica de vocês e qual o volume de leite beneficiado?
Mendes: Nossa fábrica está situada em Pomerode, Santa Catarina. No momento não beneficiamos leite, uma vez que fazemos queijos processados. Apenas compramos queijos prontos no mercado. Nosso projeto de fabricação de queijos especiais está em andamento e acreditamos que, ainda neste ano, começaremos a produzi-los sob a marca Vermont.
MKP Indústria: Você saberia me dizer qual é o crescimento da demanda por queijos finos e também pastas à base de queijos na sua empresa? E no Brasil?
Mendes: Como todos que estão nesse mercado sabem o consumo per capita de queijo no Brasil ainda é bastante baixo. Acreditamos em um potencial bem grande de desenvolvimento desse mercado, uma vez que já temos acompanhado o aumento no interesse do consumidor por alimentos e bebidas mais especiais. Nossa empresa ainda é bem pequena e, por isso, temos muito a conquistar, com bom potencial de crescimento. Novos produtos, novas embalagens e aumento na rede de distribuição garantirão esse crescimento.
MKP Indústria: As receitas dos seus produtos são inspiradas em algum país, cultura ou é de origem própria?
Mendes: Nossa empresa tem como produto principal o Kreauterkaese, queijo fundido envasado em bisnaga de alumínio de 90 gramas. Esse produto já é produzido há mais de 60 anos, e ganhou sobrevida em 2002, quando a família Ziehlsdorf abriu a Laticínios Pomerode para retomar a sua fabricação. Anteriormente, ele era fabricado pela Cia Weege, que foi à falência na década de 90. Como se trata de um produto muito antigo existem algumas versões para a história. Mas a erva que utilizamos para aromatizá-lo vem da Áustria e na Suíça há um queijo de sabor idêntico, o Schabziger.
MKP Indústria: Vocês acreditam que a produção de queijos finos é a melhor solução para laticinistas de pequeno porte?
Mendes: Não temos dúvida quanto a isso. Produzir queijos comodity, como prato e muçarela, exigem volumes muito grandes. É preciso ter escala. Os pequenos tem como vantagem a agilidade para poder lançar novos produtos facilmente, se diferenciar no mercado, e trabalhar com margens bem superiores. Mas é preciso saber vender, educar o consumidor, mostrar a ele as maravilhas dos queijos especiais.
MKP Indústria: Quais os princípios básicos que devem ser seguidos para uma empresa que gostaria de investir no ramo de queijos finos?
Mendes: Em primeiro lugar, procurar seguir fielmente a tradição. Se fizer um Gruyere, que o faça como o Gruyere suíço. No sabor e na aparência. Se fizer um Brie, que o faça com sabor e aroma, sem a preocupação de que o brasileiro não gosta. Como disse anteriormente, é preciso educá-lo e, assim, conquistar fãs, não apenas consumidores. Além disso, é preciso fazer algo novo, diferente do que está aí. Tanto em termos de produto, como em termos de marketing.
MKP Indústria: Quais são seus maiores desafios como empresário do setor?
Mendes: Desenvolver queijos bem autênticos e especiais, abrir as portas do mercado e conquistar novos clientes, através de educação e orientação. Quando lançamos cervejas especiais no mercado, em 2002, a maior barreira era o próprio consumidor, que estava satisfeito com as cervejas ofertadas na época e se assustava com os sabores mais intensos das cervejas que fazíamos. Acredito que teremos o mesmo desafio, em um primeiro momento, com os queijos que vamos lançar.
MKP Indústria: O Diário do Queijo é um blog que aborda vários aspectos relacionados ao empreendedorismo e produtos lácteos. Qual é a proposta de vocês com o blog? O que vocês esperam que ele trará para os leitores?
Mendes: Sempre fomos muito procurados por candidatos a empreendedores, alunos de administração, interessados em saber como começamos a Eisenbahn, de onde vieram os recursos, como administrávamos a empresa e como trabalhávamos nosso marketing. Somos frequentemente convidados a palestrar e conta essa história. Com isso, pensamos: estamos montando um novo negócio, do zero. Vamos compartilhar nosso conhecimento e nossas experiências e contribuir um pouco com o desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil. Não queremos levar lições, ensinar ninguém. Apenas compartilhamos nossas experiências, boas e ruins. Se ajudar, ótimo. Cumprimos nosso objetivo.
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