Apesar do aumento na produção de leite, o Rio Grande do Sul vive uma redução expressiva no número de produtores da atividade.
Em dez anos, mais de 55 mil estabelecimentos deixaram de produzir leite no Estado, uma queda de 65%. Os dados foram apresentados pelo presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, com base em levantamento socioeconômico realizado pela instituição.
O presidente esteve nessa semana em um evento no interior de Arroio do Meio, onde apresentou os números aos produtores.
Em 2015, o Rio Grande do Sul contava com 84.199 estabelecimentos produtores de leite. Em 2025, esse número caiu para 28.946, segundo números da Emater. O estudo, no entanto, mostra que, mesmo com a redução no total de produtores, a produtividade foi mantida, reflexo da tecnificação e do aumento da eficiência das famílias que permaneceram na atividade.
Schwerz avalia que a bovinocultura de leite enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Entre os fatores apontados estão a queda no preço pago ao produtor rural, impulsionada pelo aumento da produção nacional em 2025, a redução do consumo interno e a importação de produtos lácteos de outros países. “O produtor precisa se preparar para um futuro melhor. Muitos acabam ficando pelo caminho”, destacou.
Atualmente, a Emater mantém acompanhamento direto de cerca de 22 mil famílias produtoras de leite no Rio Grande do Sul. A instituição atua tanto na orientação técnica quanto no apoio à execução de políticas públicas do Estado, como o programa Terra Forte, voltado à recuperação de solos, e o programa Bônus Mais Leite, que concede subvenção de até 25% para produtores que realizam investimentos ou custeio da atividade.
Outras iniciativas citadas incluem o programa Milho 100%, ações de incentivo à produção de forrageiras e a agroindustrialização, com foco na redução de custos de produção e no fortalecimento da renda no meio rural. Segundo o presidente da Emater, o objetivo é dar suporte ao produtor para superar o momento mais difícil do setor.
As declarações foram feitas durante a entrega de certificados a produtores em Arroio do Meio, na comunidade de Picada Arroio do Meio. Schwerz também ressaltou a importância do setor leiteiro para a economia gaúcha. Atualmente, a atividade movimenta cerca de R$ 10,7 bilhões por ano e ocupa a quinta posição na composição do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Estado.
O levantamento da Emater identificou ainda as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores. Entre elas estão o baixo preço recebido pelo leite, a falta de mão de obra no meio rural e o elevado custo de produção, fatores que pressionam a rentabilidade e contribuem para o abandono da atividade.
Números do setor leiteiro no Rio Grande do Sul
- 104.397 estabelecimentos agropecuários produzem leite no Estado
- 4 bilhões de litros de leite produzidos anualmente
- 3,84 bilhões de litros destinados à industrialização
- 28.946 estabelecimentos produzem leite para industrialização
- 742 mil animais compõem o rebanho leiteiro gaúcho
As informações são do A Hora, adaptadas pela equipe MilkPoint