Enquanto muitos consumidores do Estado da Califórnia nos Estados Unidos estão prestando atenção nos altos preços da gasolina, nos últimos 60 dias a indústria de leite vem lutando em sua própria batalha contra uma alta de preços. Segundo dados proporcionados pelo Departamento de Alimentos e Agricultura da Califórnia (California Department of Food and Agriculture - CDFA), o preço do galão de leite vendido pelos produtores às companhias que processam produtos lácteos subiu 24 centavos no mês passado, passando de US$ 1,01 por galão (26,68 centavos por litro) para US$ 1,25 por galão (33,02 centavos por litro). Nesta semana, o CDFA anunciou que, para o mês de setembro, o preço subirá mais 14 centavos, chegando a US$ 1,39 por galão (36,72 centavos por litro).
Por causa disto, os consumidores estão pagando preços médios de US$ 3 por galão (79,26 centavos por litro) nos supermercados. Na Califórnia, o negócio de leite é um dos maiores da indústria de alimentos. No ano passado, as vendas de leite no Estado foram de US$ 3,8 bilhões. Em âmbito nacional, o Estado da Califórnia tem sido o de maior produção de leite, seguido por Wisconsin e Nova York.
O CDFA defende o argumento de que o aumento do preço do leite não obedece a uma intenção de aumentar o rendimento dos produtores de leite. "Estas tarifas são configuradas cada mês por um grupo de economistas que tem uma fórmula que considera a demanda e a produção de leite, o estado da economia e os custos para os produtores", comentou o funcionário do CDFA, Steve Lyle.
Os aumentos de preços deste produto básico ocorreram após um período de quase 15 anos em que os preços dos lácteos no Estado se mantiveram estáveis graças a uma sobre-produção em produtos derivados do leite. Parte da sobre-produção ocorreu porque a Califórnia tem o maior número de vacas leiteiras do país, com um total de 1,6 milhão de animais para alcançar uma média de 776 vacas por propriedade.
No entanto, enquanto os consumidores aproveitaram os baixos preços, muitos produtores vivenciaram uma etapa difícil em seu negócio. "Com a estabilidade nos preços do leite, muitos produtores se viram com problemas econômicos, pois enquanto o custo de suas operações subia, sua receita se manteve relativamente inalterada. Isso levou muitos produtores e plantas processadores de leite a registrarem números vermelhos em seus negócios e muitos deles abandonaram a indústria", comentou o gerente de desenvolvimento de negócios da Rockview Farms - uma planta processadora de leite com sede em Downey -, Gary Musser.
Segundo o CDFA, esta é uma das principais razões pelas quais começou a ser estabelecido o mínimo mensal que um processador pode pagar por um galão de leite. "Outra razão pela qual o Estado decidiu regulamentar estes preços foi que alguns processadores aproveitavam a posição e pagavam preços muito baratos aos produtores de leite. Agora existe uma proteção para estas pessoas", explicou Lyle.
Lyle comentou que apesar de os economistas não poderem predizer os preços de um galão de leite dentro de alguns meses, a expectativa é que estes se mantenham altos. "Os produtores de leite estão buscando reduzir a oferta, mantendo o preço alto".
Lyle se refere a uma iniciativa da Federação Nacional de Produtores de Leite dos EUA (National Milk Producers Federation - NMPF) que busca reduzir a produção nacional de leite em 2%, o que significaria um aumento de três centavos por galão (0,79 centavos por litro).
O diretor executivo da Produtores de Leite Unidos do Oeste (Western United Dairymen - WUD), Michael Marsh, defende o argumento de que estes aumentos são bem vindos, apesar de tê-los classificado como "um pouco tardios". "Durante a maior parte do ano os preços que temos recebido pelo galão de leite ficaram entre 85 e 90 centavos (22,45 e 23,77 centavos por litro). Este aumento de preço nos dará um alívio que infelizmente será temporário e que se determinará dependendo da economia e sua melhora no final do ano".
Diante desta situação, cadeias de supermercados como Wal-Mart se preparam para lidar com o aumento de preços enquanto tentam manter seus clientes satisfeitos. "Nosso compromisso é grande porque nossos clientes sempre buscam os preços mais baixos em nossas prateleiras, por isso, temos negociado os preços mais baixos com os processadores", disse a porta-voz do Wal-Mart - cadeia que tem 6,5 mil lojas em todos os EUA - Melissa Berryhill.
Segundo ela, o Wal-Mart tem conseguido fazer com que seus clientes economizem bastante empregando táticas como comprar leite em grandes quantidades para receber um desconto maior. "Outro método que tem dado resultado é formar alianças com processadores locais e de regiões próximas de nossas lojas. Isto elimina os custos de transporte e assim, a economia é transmitida ao cliente".
Para Marsh, no entanto, é importante que existam mais regras para os processadores de leite, pois em sua opinião, estes estão enriquecendo enquanto outros têm que pagar. "Se nós recebemos somente US$ 1,39 por galão (36,72 centavos por litro), a conclusão é que não estamos enriquecendo. Inclusive, nós estamos lutando para que o consumidor pague preços mais parecidos aos que recebemos", finalizou o diretor da WUD.
Fonte: La Opinión Digital, Estados Unidos, publicado em Lechería Latina
EUA: sobe preço do leite na Califórnia
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
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