Quase 200 pessoas - entre professores, serviços de fornecimentos de alimentos às escolas, chefes de cozinha e diretores de refeições nos colégios, oficiais de educação locais, produtores rurais, distribuidores de alimentos e pessoas interessadas em agricultura e desenvolvimento da comunidade - participaram do primeiro Northeast Farm-to-School Cafeteria Initiatives Conference, realizado no final do ano passado na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Os participantes da conferência representaram o crescente interesse na oferta de alimentos locais e regionais aos menus dos estudantes norte-americanos, através de programas educacionais, promovendo relações entre as escolas e os membros da produção rural. Muitas dessas pessoas estão bastante entusiasmadas com relação a esta causa e acreditam que as iniciativas de Farm-to-School, ou seja, da Fazenda para a Escola, irão se desenvolver e serão uma tendência real.
O leite é a base fundamental dos programas de alimentos escolares dos Estados Unidos e também é o alimento mais provável de ser trazido de propriedades regionais de várias regiões do país. Os programas Fazenda-para-Escola oferecem uma oportunidade aos produtores rurais de fortalecimento das relações com as escolas, com as comunidades, com os consumidores, com os educadores e professores, com as famílias, bem como com os profissionais do setor de distribuição de alimentos.
Como estas iniciativas, que visam levar produtos agrícolas da fazenda às escolas norte-americanas, representam mjuito mais do que apenas o fato de se colocar alimentos produzidos local e regionalmente nas mesas das lanchonetes das escolas do país, podem gerar aos produtores rurais benefícios múltiplos, segundo argumentou a produtora de leite da McNamara's Dairy, em Plainfield, EUA, Mary McNamara.
Das vacas às salas de aula
Os McNamaras processam leite a partir de seus rebanhos de vacas holandesas e comercializam o produto em garrafas de vidros retornáveis aos supermercados, lojas de conveniência, pousadas e hotéis. Suas porções individuais com 1 pint (473 mL), embaladas também em garrafas, são bastante vendidas, mas não são adaptadas para programas de lanche escolar. Eles não podem se permitir adicionar uma linha de embalagem a fim de oferecer os baixos preços dos contratos de leite escolar, mas, ao mesmo tempo, querem ter uma presença nas escolas locais. Desta forma, McNamara instalou uma máquina de leite em cada sala de aula.
Sendo assim, por US$ 1 por semana, cada estudante pode tomar todo o leite que quiser. Segundo a proprietária da fazenda, eles não conseguem obter lucro através desta atividade, mas conseguiram fazer vários amigos e fazer com que vários alunos levassem seus pais para a fazenda para comprar o leite da McNamara's Dairy. Além disso, é também interessante comparar o consumo de leite e de cálcio pelas crianças das escolas da região com o enorme declínio no consumo deste produto pelas crianças registrado nos EUA.
O leite não é a única oportunidade de participação dos produtores leiteiros em iniciativas do tipo da Fazenda-para-Escola. Quando o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mudou as determinações para os serviços de fornecimento de alimentos para as escolas incluindo o iogurte como uma alternativa à oferta de proteína às crianças, a equipe de marketing da Cabot Creamery, companhia localizada em Vermont, EUA, viu uma oportunidade para colocar seus produtos nas escolas locais. A Cabot pertence à Agri-Mark, uma cooperativa de lácteos do nordeste do país com membros nos estados de New England e em Nova York e é bastante conhecida por seu premiado queijo do tipo Cheddar. Além disso, eles são conhecidos por mostrarem seus produtores de leite em campanhas promocionais e publicitárias. A cooperativa fabrica uma grande linha de produtos lácteos de alta qualidade, incluindo manteiga, creme de leite, queijo cottage, molhos e iogurtes.
A Cabot tem que superar as barreiras comuns para conseguir incluir seus produtos nos menus das escolas. Muitas escolas do distrito contratam serviços de companhias de gerenciamento de distribuição de alimentos para realizarem seus programas de alimentos; algumas escolas compram alimentos através de contratos com distribuidores, sendo que todos os distribuidores distribuem marcas nacionais.
O gerente de vendas e distribuição diretas às lojas da Cabot, Jack Bailey, disse que a companhia vai até os serviços de distribuição de alimentos mostrar seus produtos e convidar esses serviços para comprarem os iogurtes da cooperativa, que têm uma vantagem nutricional, bem como uma vantagem com relação ao preço. A companhia é pequena e não pode arcar com o gasto de fornecer seus produtos em embalagens de 4 onças (113 gramas) como seus grandes competidores fazem. Porém, eles realmente têm um grande interesse em ter os produtos da Cabot nas escolas locais, a fim de aprimorar as relações públicas e com a comunidade, bem como de introduzir seus iogurtes às crianças. Desta forma, eles dão às escolas um desconto de 5 centavos de dólar por copo de iogurte sobre seus preços, que já são competitivos.
Porém, segundo Bailey, mais importante é a relação construída com os fornecedores de alimentos às escolas, particularmente com o Grupo Abbey, uma companhia importante na região de Vermont.
Oferecer iogurtes de uma cooperativa local pertencente aos produtores de leite combina com a imagem e as estratégias da Abbey. O iogurte Cabot é tão popular nas escolas de Vermont que oferecem este produto que outros serviços de distribuição de alimentos começaram a solicitar este produto, somando mais 4 distribuidores que oferecem o iogurte nas escolas.
Bailey acredita que os serviços de distribuição de alimentos às escolas e colégios oferecem uma oportunidade de introduzir às pessoas jovens os produtos regionais, bem como de criar uma demanda para os produtores rurais regionais. A pedido dos professores, a Cabot criou dois kits educacionais para escolas de ensino básico e médio.
Os produtores de leite dos EUA podem trabalhar com seus conselhos regionais de lácteos a fim de auxiliar as escolas a ligar alimentação, nutrição, agricultura e ensino.
Valor nutricional inquestionável
Um recente estudo publicado no Journal of the American Dietetic Association mostrou que o leite fornece mais cálcio e proteína por centavo pago do que qualquer outro alimento servido nos menus das lanchonetes das escolas dos EUA. Análises feitas em duas escolas de ensino básico mostraram que o leite é um componente nutricionalmente denso e com custo efetivo dos menus escolares. Comparando os nutrientes com os custos dos alimentos, o leite contribuiu com mais cálcio e proteína por 100 calorias e por centavo.
"Esta nova pesquisa reforça a grande contribuição que o leite pode ter no lanche escolar", disse a reitora e Ph.D. do Colégio de Agricultura e Ciências da Vida da Universidade de Vermont, Rachel Johnson. "Eu descobri em minhas últimas pesquisas que as crianças que incluem o leite em suas refeições obtêm mais nutrientes e aumentam sua ingestão de cálcio comparado com as que não incluem".
Porém, as crianças não bebem leite se este não tiver um sabor que lhes agrada. Para manter o sabor superior e a qualidade do leite fresco, as propriedades rurais precisam ter cuidados para manter o produto sob refrigeração adequada, bem como fazer o tratamento adequado. O declínio no consumo de leite e na ingestão de cálcio entre as crianças dos EUA é uma preocupação compartilhada pelos profissionais dos serviços de distribuição de alimentos às escolas, pediatras, produtores e processadores de leite. A expansão dos programas de café da manhã e lanche nas escolas, bem como a melhoria no sabor e na qualidade do leite escolar são prioridades.
A Associação Americana de Serviços de Distribuição de Alimentos para as Escolas (ASFSA) - com o apoio do Conselho Nacional de Lácteos, dos produtores de leite do país, dos processadores de leite locais, dos administradores das escolas, da equipe de distribuição de alimentos e dos fornecedores de equipamentos - lançaram um estudo de um ano sobre os benefícios da melhoria da embalagem, da regulação da temperatura, de mais sabores e de novos designs no consumo do leite fluido. Os pesquisadores irão medir os efeitos dessas variações nas atitudes e no consumo dos estudantes, na escola e em casa.
"O fundo arrecadado pelos próprios produtores de leite do país vem fortalecendo os esforços para unir o que as crianças aprendem sobre o leite na sala de aula com uma experiência mais positiva com produtos lácteos nos lanches", disse a vice-presidente de marketing nas escolas do Dairy Management Inc. (DMI), Barbara Jirka. "O foco geral é melhorar a qualidade nutricional dos alimentos ingeridos pelas crianças através do aumento do consumo de produtos lácteos nas escolas e em casa, agora e durante toda a vida delas".
Os programas de marketing nas escolas fornecem uma oportunidade para educar as crianças sobre os benefícios nutricionais dos produtos lácteos, segundo Jirka. "Esses programas estendem a experiência positiva das salas de aula até a lanchonete. Apesar do leite ter vantagens nutricionais com relação a outros produtos competitivos, o consumo per capita de leite fluido nas escolas continua declinando - parcialmente porque as crianças não têm oferta de produtos lácteos mais atrativos nas lanchonetes das escolas".
Os produtores de leite dos EUA precisam, então, trabalhar junto com os esforços da DMI, da ASFSA e seus parceiros.
Fonte: Hoard's Dairyman, adaptado por Equipe MilkPoint
(original na revista impressa)
EUA: pequenos e médios produtores ganham popularidade e mercado vendendo leite nas escolas locais
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