Os produtores de leite do Estado de Nova York poderão se tornar as últimas vítimas da guerra dos Estados Unidos com o Iraque, caso um acordo comercial agrícola proposto seja aprovado, informaram oficiais da indústria. Isto porque a Administração de Bush está considerando fazer um acordo com a Austrália como recompensa por seu suporte às ações militares dos EUA no Iraque.
Porém, o presidente da Agência Agrícola de Nova York disse que o acordo provavelmente será uma rua de mão única, com os produtores norte-americanos sofrendo as conseqüências.
"A Austrália tem rígidas barreiras para nossos produtos que não deverão ser alteradas por este acordo", disse o diretor da Agência Agrícola Americana, John Lincoln, que também é membro do Comitê Conselheiro Comercial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). "Se estamos agindo em direção à abertura de nossas fronteiras, temos que obter a abertura de fronteiras em outros países".
A Austrália e a Nova Zelândia já estão exportando grandes quantidades de produtos lácteos, como queijos, manteiga e leite em pó para os EUA. Lincoln disse que as importações de lácteos destes países aumentaram 47% no ano passado. Os processadores de alimentos norte-americanos estão comprando estes produtos porque eles custam menos do que os itens similares produzidos pelos produtores dos EUA.
Lincoln disse que outros produtores rurais, incluindo produtores de vinho e de frutas e vegetais, poderão sofrer impactos negativos com o acordo com a Austrália proposto pelo governo dos EUA. Ele disse que a Austrália proibiu as maçãs dos EUA devido a uma suposta ameaça de doenças, que, segundo ele, não foi documentada. Além disso, a Austrália não aceita os produtos lácteos dos EUA porque estes não se encaixam nas regulamentações sanitárias australianas.
O produtor de leite de Saratoga, Charles Hanehan, disse que a sobre-oferta de leite nos EUA tem forçado os preços pagos pela matéria-prima para baixo. As cooperativas têm trabalhado em um programa que objetiva restringir a oferta para aumentar os preços. Um aumento nas importações de lácteos australianos poderá anular estes esforços.
Em uma frente separada, os assuntos agrícolas deverão estar à frente das assembléias da Organização Mundial do Comércio (OMC) que deverão ocorrer no início de setembro em Cancun. Em sessões anteriores, os EUA deram a outros países importantes vantagens agrícolas em troca de oportunidades em outros setores de negócios.
"A agricultura dos EUA sente que nós fomos trocados por algumas de nossas indústrias. Os produtores dos EUA e de Nova York acham que nós não estamos sendo representados corretamente pelos encarregados comerciais nos últimos acordos. Nós precisamos de um maior acesso ao mercado nos países em desenvolvimento e na Europa".
Os EUA e a União Européia (UE) têm uma produção agrícola bruta totalizando aproximadamente US$ 200 bilhões. Porém, os subsídios do governo dos EUA são de US$ 19 bilhões, versus US$ 55 bilhões na Europa. O resultado líquido é que os custos aos produtores norte-americanos são bem maiores para a produção de alguns produtos.
Nem todos os acordos internacionais são negativos. O Acordo de Livre Comércio na América do Norte (North American Free Trade Agreement - NAFTA), adotado em 1994, abriu importantes mercados no México, disse o representante do Conselho de Exportações de Lácteos dos EUA, Tom Suber. "O México se tornou nosso maior comprador de produtos lácteos".
A crença geral entre os legisladores federais dos EUA é que o comércio beneficia a economia do país como um todo. "Isso tem sido assim desde a Segunda Guerra Mundial. Às vezes, uma maior abertura comercial resulta em um desequilíbrio comercial", disse Suber.
Fonte: The Saratogian (por Paul Post), adaptado por Equipe MilkPoint
EUA: Importações de lácteos australianos poderão prejudicar produtores locais
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
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