Os produtores de leite dos Estados Unidos estão com expectativas de que haja um aumento no preço do leite no verão, que se inicia agora no país, mas este aumento não deverá ser muito significativo. Nacionalmente, o preço do leite usado para todos os fins teve média de US$ 24,47 por 100 quilos em maio, 22 centavos a mais do que em abril, mas US$ 2,2 a menos que no ano passado.
O preço médio do leite em Iowa foi de US$ 25,13 por 100 quilos, 22 centavos a mais que em abril. Em Wisconsin e Illinois, o preço médio do leite foi de US$ 24,69 por 100 quilos, o que também denota somente um pequeno aumento com relação ao mês anterior. Segundo a maioria dos produtores norte-americanos, estes preços não estão sendo lucrativos.
No entanto, as previsões para os mercados de lácteos não são das mais animadoras, com boas notícias combinadas com notícias não tão boas. As boas notícias são que haverá um crescimento na demanda por produtos lácteos em 2003. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a economia dos EUA deverá se fortalecer à medida que o ano vai chegando ao final, e o desemprego deverá começar a declinar no país. Estes desenvolvimentos deverão ajudar nas vendas no varejo e em food services.
As más notícias são que a demanda provavelmente não crescerá o suficiente para equilibrar o aumento na produção de leite, informou o USDA. Os grandes estoques de produtos permanecerão e os preços melhorarão modestamente.
Com os baixos preços, o programa do governo federal dos EUA denominado Contrato de Perda no Rendimento com Leite (Milk Income Loss Contract - MILC), cujo objetivo é ser uma rede de segurança financeira para pequenos e médios produtores, foi ativado e tem gerado grandes discussões no setor leiteiro dos EUA.
O programa paga aos produtores quando o preço do leite em Boston cai abaixo de um valor fixado - um valor "alvo". O programa está designado a canalizar uma porção proporcionalmente grande de fundos para os produtores menores. Desde seu início, na lei agrícola do país de 2002, os pagamentos do programa estão tendendo a crescer. No entanto, se este programa está ajudando ou prejudicando a indústria é um ponto de discussão.
"Ninguém está ficando rico com os pagamentos do MILC, mas eles estão pagando as contas para os menores rebanhos", disse o economista do setor de lácteos da Universidade de Wisconsin, Ed Jesse. "Aqueles rebanhos menores estão aparentemente tendo dinheiro suficiente para se manter na atividade".
Entretanto, a produção de leite não caiu significativamente. A produção de leite nos 20 principais estados produtores dos EUA no mês passado, foi de 5,897 bilhões de quilos, caindo ligeiramente com relação à produção de maio de 2002, e foi 181,437 milhões de quilos maior do que em abril deste ano.
Os baixos preços resultantes deste cenário estão criando um estresse financeiro para os produtores de todos os tamanhos. "Há muitos produtores no vermelho, particularmente entre os rebanhos que não obtiveram os pagamentos do MILC. Eu acho que ocorrerá um ajuste no número de vacas".
O número de vacas leiteiras nos EUA, de 7,79 milhões de cabeças em maio, tinha 12 mil cabeças a menos que em abril, mas ainda 17 mil cabeças a mais que em maio de 2002.
No passado, os rebanhos menores fizeram este ajuste, normalmente saindo da atividade. Porém, agora isso pode ser diferente, sugeriu Jesse. Se grandes produtores deixam a atividade, suas vacas provavelmente serão encaixadas em outros rebanhos de diferentes proprietários, de forma que há menos redução na produção do que no fechamento de pequenas propriedades leiteiras. De fato, o USDA espera que haja um aumento da produção de leite neste ano.
Para este ano, os preços do leite ao produtor deverão ficar em média de US$ 1,10 a US$ 2,20 por 100 quilos a menos do que em 2002, segundo o USDA. No entanto, os especialistas disseram que a mudança na oferta e na demanda de leite afetará pouco os preços. Por exemplo, a produção de leite foi 2,6% maior nos EUA em 2001, mas o consumo foi somente 1% maior.
"Nós ainda estamos produzindo mais leite e produtos lácteos para o mercado dos EUA do que será consumido", disse o especialista em extensão no mercado de lácteos da Universidade de llinois, Michael Hutjens. Segundo ele, as pessoas tendem a perder o hábito de consumir leite à medida que envelhecem.
"Crianças de 12 anos ou menos consomem, em média, 28 galões (105,992 litros) por ano, com 90% das pessoas desta faixa etária consumindo leite. Durante a adolescência, dos 13 aos 17 anos, o consumo de leite cai para 22 galões (83,279 litros), com somente 77% das pessoas do grupo consumindo o produto. Dos 18 aos 35 anos, as pessoas consomem cerca de 13 galões (49,21 litros) de leite por ano, mas somente 57% das pessoas desta categoria bebem leite. Já entre as pessoas de 50 a 59 anos de idade, o consumo de leite cai para nove galões (34,069 litros), com somente 41% do grupo consumindo leite. À medida que a população dos EUA envelhece, esta tendência representa uma ameaça à indústria de lácteos", disse Hutjens.
No entanto, existem também boas notícias neste setor. O leite continua sendo a segunda bebida mais consumida nos EUA, sendo escolhido em 25% das vezes, com os refrigerantes carbonatados ficando em primeiro lugar, com 33% das escolhas. O café é a terceira bebida mais consumida, com 15% das escolhas, e a água engarrafada fica em quarto, com 8% do consumo. Sucos e chás têm 5% das escolhas nos EUA.
"Os produtos lácteos continuam sendo uma boa compra nos estabelecimentos de varejo. Entre 1986 e 2001, os preços dos alimentos em geral aumentaram 173%. Durante o mesmo período, os preços dos produtos lácteos aumentaram somente 167%. De um total de US$ 8169 gastos médios por ano com alimentos pelos consumidores, os produtos lácteos são responsáveis por US$ 649, ou 8%", disse Hutjens.
Fonte: Telegraph Herald (John Everly), adaptado por Equipe MilkPoint
EUA: Demanda deverá aumentar, mas preços do leite não acompanharão este aumento
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