Inspirado pelo trabalho dos avós agropecuaristas, o estudante João Pedro Decarli, de 14 anos, está desenvolvendo uma ração para bovinos que visa reduzir as emissões de metano na pecuária. A ração é enriquecida com peptídeos antimicrobianos e metabólitos secundários extraídos do fungo Trichoderma.
“Diante das mudanças climáticas e dos problemas gerados por elas na nossa região e no país, a ideia foi colocar essa funcionalidade, da redução de emissão do gás metano, na composição da ração”, ressalta João Pedro.
O projeto está sendo desenvolvido na Academia Donaduzzi do Biopark Educação, em Toledo (PR), sob a orientação da docente Jessica Pandini Klauck. O estudante Leonardo Schroder Volkweis, também de 14 anos, se juntou ao colega no desenvolvimento da pesquisa. Em entrevista, eles ressaltam que o objetivo também é potencializar a produção de leite, melhorar a qualidade da carne e fortalecer a imunidade dos animais.
A professora afirma que a iniciativa alia biotecnologia e sustentabilidade, “buscando soluções naturais para diminuir os gases de efeito estufa e tornar a pecuária mais produtiva e ambientalmente responsável”.
O primeiro passo foi pesquisar os dados referentes à produção de metano na atividade pecuária. Leonardo destaca que o setor é responsável por cerca de 28% das emissões globais desse gás, principalmente devido à digestão dos ruminantes. “É um grande desafio ambiental, com forte impacto no aquecimento global”, reforça.
Pesquisa
Jessica explica que a principal estratégia da pesquisa é o uso da ração enriquecida com compostos antimicrobianos extraídos do fungo Trichoderma harzianum, capazes de reduzir a produção de metano no rúmen. Outra alternativa estudada é a macroalga vermelha Asparagopsis taxiformis, que pode diminuir em até 99% as emissões quando incluída em pequenas quantidades na dieta. “Já em testes nos Estados Unidos, seus resultados preliminares são bastante promissores”, acrescenta a professora.
João Pedro também destaca os benefícios do composto não envolver produtos químicos ou artificiais e que várias análises estão sendo feitas a fim de se chegar no melhor resultado. “Pensamos não só na melhora da produtividade, mas também na saúde do animal”, frisa.
Para dar andamento à proposta, foi firmada uma parceria com o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) do Biopark, que possibilitará que pesquisadores auxiliem na parte experimental do projeto. Os dois estudantes desejam que o produto seja disponibilizado no mercado e pretendem acompanhar os trâmites para aprovação. "Acredito que a pesquisa tem capacidade de ir para frente e revolucionar a indústria pecuarista", avalia Leonardo.
As informações são do Globo Rural.