Estima-se que em 2001 a produção primária de leite tenha caído cerca de 2,5% com relação ao ano anterior, alcançando o volume de 9,57 bilhões de litros (gráfico 1). Esta é a segunda redução anual consecutiva logo após o pico de produção registrado em 1999, com 10,329 bilhões de litros produzidos na Argentina. Vale supor que a elaboração global de produtos lácteos experimentou uma redução de magnitude semelhante, devido ao caráter altamente perecível deste produto, que impede seu armazenamento.
A queda observada na recepção de leite na Argentina pode ser explicada, em grande parte, pela redução no número de propriedades leiteiras (gráfico 2). Sendo assim, a quantidade de estabelecimentos rurais que remeteram leite às indústrias, consideradas neste caso como "indicadoras" - cerca de 15 empresas sobre cuja base se estima a tendência de produção primária nacional - mostrou em 2001 uma redução interanual de cerca de 8%, enquanto a produção diária por propriedade - média da amostra de indústrias - foi cerca de 5% superior à do ano anterior.
Esses dados confirmam a tendência já detectada nos últimos ciclos: sucessivas diminuições da quantidade de propriedades leiteiras que não foram compensadas pelos aumentos da entrega diária por estabelecimento. A evolução favorável deste último parâmetro pode ser explicada pelo maior tamanho médio dos rebanhos dos estabelecimentos que permaneceram ativos, mais do que por uma maior produção por vaca. Isso porque tanto as condições econômico-financeiras, como as agrometeorológicas foram adversas durante grande parte do ano de 2001.
Durante o último trimestre de 2001, o já complicado panorama de endividamento do setor primário somou-se à queda estacional dos preços da matéria-prima, ao atraso e fracionamento dos pagamentos da indústria, ao encurtamento dos prazos por parte dos fornecedores de insumos e serviços, às restrições às transações financeiras e às inundações, cujas conseqüências afetaram principalmente a província de Buenos Aires. A deterioração da situação produtiva dos estabelecimentos analisados pode ser evidenciada pela tendência de entrega diária por propriedade, exibida no gráfico 2. Apesar de em quase todo o ano de 2001 esse parâmetro ter registrado altas com relação ao ano anterior, a partir de agosto, o ritmo de crescimento desacelerou ininterruptamente, até alcançar um valor negativo em dezembro. A redução do número de propriedades leiteiras da amostra pode ter sido causada, entre outras coisas, pelo fechamento definitivo dos estabelecimentos.
Gráfico 1 - Estimativas da Produção de Leite na Argentina

Gráfico 2 - Recepção total de leite, no de propriedades leiteiras e produção diária por propriedade Variação Interanual - Argentina

Panorama atual - 2002
No ano de 2002, a recepção de matéria-prima pelas indústrias na Argentina registrou, em março último, sua sétima queda interanual consecutiva, neste caso de 13% (gráfico 1). Desta forma, o volume acumulado dos três primeiros meses deste ano foi 10,5% menor do que o correspondente ao mesmo período de 2001.
Diferentemente do observado até novembro de 2001, e refletindo a difícil situação pela qual a maioria dos produtores primários argentinos está passando, a redução na recepção de leite pode ser explicada tanto pela diminuição no número de propriedades leiteiras, como pela baixa na produção diária por propriedade. Assim, ao longo do primeiro trimestre de 2002, esse parâmetro apresentou quedas mensais que oscilaram entre 1,5% e 6%, com relação à registrada nos mesmos períodos do ano anterior (gráfico 2).
Sem dúvida, a desvalorização do peso argentino tem sido o fenômeno de maior impacto negativo deste ciclo, a que, em várias bacias leiteiras, somou-se o agravamento das condições de excedentes hídricos e inundações.
O novo esquema macroeconômico pelo qual a Argentina está passando, e cujo principal risco é a incerteza, tem no setor leiteiro duas características que, na opinião dos analistas, definirão sua evolução nos próximos meses:
* O sensível aumento dos custos de produção, pelos insumos importados utilizados, que são cotados em dólar;
* A redução das "barreiras de saída" da atividade, pelo aumento das margens das alternativas agrícolas.
A desvalorização da moeda instalou na Argentina novos problemas e piorou alguns processos iniciados anteriormente. No setor primário, podemos destacar os seguintes:
* Fechamento definitivo das propriedades leiteiras em situação mais crítica;
* A redução do tamanho das propriedades médias e grandes (venda de vacas e troca de atividade, passando a produzir outros produtos agrícolas);
* Atrasos/interrupção do pagamento aos fornecedores por liquidez de mercado;
* Relação leite/milho desfavorável (1:1), o que leva à queda da suplementação aos níveis mínimos compatíveis com uma nutrição adequada;
* Estado nutricional sub-ótimo dos rebanhos, o que também repercute sobre a performance reprodutiva;
* Menos confecção de silos de milho pela modificação do destino para venda do grão;
* Inconvenientes no início das tarefas de plantio de pastagens que, em casos extremos, significam a impossibilidade de sua realização (por aumento dos preços dos insumos e financiamento inexistente).
Apesar de no momento ainda ser difícil precisar a intensidade do impacto causado não somente pelo fechamento definitivo das propriedades leiteiras, mas também, pela redução do tamanho das mesmas, causada pela "agriculturização", pode-se assegurar que, o efeito de qualquer combinação, somada a uma menor oferta de forrageira (pastagens e silos), será uma importante queda da produção primária anual, que poderá ficar entre 10 e 20% com relação a 2001. Em virtude do predomínio crescente dos sistemas pastoris com baixa suplementação com grãos, as condições agroclimáticas se transformarão em um fator muito importante na determinação da magnitude da redução. Caso sejam cumpridos os prognósticos de que o ano de 2002 será um "bom ano climático", é provável que a redução não seja tão abrupta. No entanto, e dada a complexidade intrínseca do sistema de produção leiteira e o atual estado de indefinição da maioria das variáveis que causam impacto sobre os resultados, seria arriscado fazer projeções mais específicas.
Alguns membros das principais indústrias de lácteos da Argentina indicaram que, para o mês de abril, a recepção diária de matéria-prima era cerca de 3-5% menor do que a de março, e cerca de 15-20% menor do que a de abril de 2001. Esses valores refletem a piora da crise e o impacto negativo dos excessos hídricos registrados em várias bacias leiteiras importantes.
Com relação aos custos de produção, com base nos dados dos últimos estudos do INTA, pode-se dizer que, devido à forte incidência que os insumos importados, cotados em dólar, têm sobre os modelos produtivos típicos, os custos diretos teriam aumentado entre 25 e 35% em pesos, com relação à situação de pré-desvalorização.
Com relação ao preço da matéria-prima, vale observar que o preço médio pago pelas indústrias líderes em março de 2002 - expresso em valores correntes - foi 21,5% superior ao registrado no mês anterior (gráfico 4). Após esse aumento, o terceiro consecutivo do ano, o preço ao produtor acumulou uma recuperação de 31% com relação ao valor de dezembro de 2001, que se situou ao redor de 14 centavos de peso por litro.
Apesar de as empresas terem iniciado um lento processo de recuperação dos preços correntes a partir de janeiro e fevereiro, como acontece habitualmente todo ano nesta época, a desvalorização da moeda argentina tornou essa recuperação insuficiente frente ao abrupto aumento nos custos de produção. A nova situação de preços relativos implicou que um número cada vez maior de propriedades leiteiras passasse a operar com perdas também cada vez maiores. Retomou-se então uma árdua ronda de negociações entre os produtores de leite e as indústrias da Argentina, que, diante da falta de acordo, acabou derivando em medidas de força por parte dos produtores, cujo ponto culminante foi o bloqueio da saída de caminhões das fábricas durante uma semana.
O conflito chegou ao fim no meio de março, através de um "laudo" (Resolução 2/2002) da Secretaria de Defesa da Concorrência, em que se estabeleceu um "preço de referência" de 20 centavos de peso por litro de leite de primeira qualidade (To < 5oC, contagem microbiológica < que 100.000 u.f.c. e contagem de células somáticas < 400.000 cel/mL), 19 centavos para o leite de qualidade intermediária e 16 centavos para o leite cru básico e "quente". Apesar desta situação ter representado um ato concreto para a melhoria da situação dos produtores de leite, não conseguiu satisfazer nem a produção nem a indústria.
Apesar destas e de outras dificuldades para colocar em prática esta Resolução, as principais empresas do setor leiteiro argentino chegaram a diferentes acordos com seus fornecedores de matéria-prima e cumpriram com a recomposição pretendida na lei.
A discussão em torno do preço da matéria-prima se intensificou durante os meses de março e abril, em virtude da aceleração que ocorreu no processo inflacionário e o conseqüente aumento dos custos de produção. As negociações da Junta de Ajustes Lácteos derivaram em uma sugestão de um novo parecer para o mês de abril, efetuado pelo então secretário da Agricultura e pelo secretário de Defesa da Concorrência, e que consistia em elevar o preço de referência do leite de primeira qualidade a 25 centavos de peso por litro. O pedido não teve resposta favorável por parte do citado órgão.
Os representantes da produção, indústria e dos governos das províncias de Santa Fé e Córdoba (66% da produção de leite da Argentina), reuniram-se paralelamente à Junta de Ajustes Lácteos Nacional.
As reuniões se desenvolveram durante todo o mês de abril e resultaram em acordo entre os produtores de leite de ambas as províncias para propor um preço de 25 centavos por litro para este período. Finalmente, na segunda semana de maio, o conflito foi reduzido graças à fixação, de comum acordo, de um preço de 24 centavos (+/- 8% em função da qualidade) para a matéria-prima entregue em abril. Estabeleceu-se também que os prazos de pagamento se reduziriam dos atuais 75 dias a 35 dias. Além disso, concordou-se que esse aumento de preços não deveria ser refletido no preço do leite nas gôndolas dos supermercados. Decidiu-se também que, a partir do dia 15 de maio, as negociações para fixar o preço do leite deste mês seriam iniciadas. Finalmente, vale observar a disposição dos produtores de resolver suas diferenças no âmbito das províncias, e não nacionalmente, como pretendia a indústria.
Tomando como referência os 24 centavos para abril, a recuperação com relação a março seria de 20% (a preços correntes).
Apesar de não se esperar que os valores "acompanhem" a evolução do dólar, a maioria das variáveis parece confluir até uma recuperação dos preços neste outono-inverno. A lenta redução da brecha oferta/demanda (gráfico 3), que se acentuará nos meses de verão, deverá agregar a forte subida dos preços dos produtos processados. O preço ao produtor argentino deverá flutuar entre:
* Um valor "piso", compatível com as necessidades mínimas de abastecimento da indústria, especialmente a exportadora, e com os níveis "razoáveis" de capacidade ociosa (incidência de custos fixos) e;
* Um "teto", que determinará fundamentalmente as possibilidades reais de colocação externa, a evolução do dólar e o desempenho do mercado interno, do que, na melhor das hipóteses, pode se esperar que mantenha os atuais níveis de consumo.
A demanda externa, no entanto, merece uma consideração à parte. Em um momento sem antecedentes, a forte retração do consumo interno e o tipo de cambio favorável (US$ 1 = 3 pesos) tem convertido as exportações praticamente como única saída viável para a crise da indústria e da produção.
Neste sentido, os números são contundentes: apesar das dificuldades financeiras e da imposição dos direitos de exportação de 5%, estima-se que, no primeiro trimestre de 2002, destinou-se ao mercado externo cerca de 17% da produção nacional, enquanto que, em igual período do ano anterior, essa relação foi de apenas 12% e, no trimestre de outubro a dezembro de 2001, foi de cerca de 15% (gráfico 4).
Situação do mercado interno
Ao se comparar o balanço entre a oferta e a demanda na Argentina, em litros equivalentes de leite, durante os três primeiros meses do ano, com o mesmo período do ano passado, observa-se o seguinte:
* A persistência de um excesso de oferta agregada e uma maior distância entre esta e a demanda, com relação ao registrado em 2001 (gráfico 3);
* Com relação à oferta, as quedas de 10% na produção - seu principal componente - e de 90% nas importações praticamente foram neutralizadas pela duplicação dos estoques iniciais, o que resultou em uma queda de apenas 1% na oferta agregada;
* No entanto, a demanda foi 8% inferior, devido à retração de 13% no consumo interno, que não foi compensado pela expansão de 32% nas exportações;
* Como conseqüência, os estoques finais de março deste ano foram 70% maiores do que os de março de 2001.
Gráfico 3 - Oferta e demanda agregadas de lácteos na Argentina

Estima-se que as quantidades consumidas no mercado interno argentino registraram, em março de 2002, uma variação interanual negativa de 20%, com de preços ao consumidor cerca de 12% maiores aos observados há um ano.
Salvo poucas exceções não significativas, o consumo total de lácteos argentinos apresentou quedas interanuais durante grande parte de 2001. A partir de julho, esta variável começou a decrescer ininterruptamente.
O consumo acumulado nos três primeiros meses do ano apresentou queda de 13%, com relação ao mesmo período de 2001. Já o consumo de lácteos argentinos em abril, com relação a março deste ano, caiu cerca de 5%.
Preços
Um novo contexto econômico após a desvalorização e a crise argentina desencadeou, particularmente no mercado de lácteos, uma rápida escalada de preços dos principais produtos, em um primeiro momento nas gôndolas e, um pouco depois, a nível atacadista.
Enquanto o ano de 2001 fechou com aumento muito pequeno de preços com relação a 2000, a partir de janeiro último, os índices de preços atacadistas e ao consumidor mostraram uma tendência de alta, que se acelerou em março, até acumular aumentos de 16% e 15%, respectivamente, sobre os níveis do último mês do ano anterior (gráfico 4).
Gráfico 4 - Índices de preços do setor leiteiro na Argentina
(Base Janeiro de 1998 = 100)

Notas ao gráfico
- Entre 1999 e final de 2001, as curvas de preços atacadistas e varejistas dos produtos processados possivelmente se situam abaixo dos apresentados no gráfico, uma vez que o INDEC não incorpora aos seus dados as 2o e 3o marcas, de preços inferiores. Estima-se que desde janeiro deste ano esta tendência tem se revertido.
- A partir de janeiro de 2002, a variação dos preços de exportação corresponde à sua expressão em pesos.
Segundo dados provisórios do INDEC, o fenômeno inflacionário que vem acometendo a Argentina teve em abril deste ano uma magnitude que praticamente igualou os efeitos acumulados durante o primeiro trimestre do ano. Sendo assim, o índice de preços ao consumidor dos produtos lácteos e de ovos cresceu cerca de 12% em abril, e acumula assim, um crescimento de 27% desde dezembro passado.
O gráfico 5 apresenta a inflação registrada nos principais produtos lácteos e sua comparação com os índices de alimentos para consumir em casa e produtos em geral. A conclusão foi que o aumento nos preços dos produtos lácteos superou em 1 e 6 pontos percentuais, respectivamente, o aumento dos demais alimentos.
Os níveis dos preços de março de 2002 foram, tanto nas gôndolas como nas saídas das fábricas, cerca de 12% acima dos obtidos no mesmo período do ano anterior.
Os aumentos dos preços nas fábricas se justificam principalmente pelo aumento automático do custo de oportunidade por vender no mercado interno, e não no externo, e pelos maiores custos da matéria-prima, o insumo mais significativo para a indústria. Também foram registradas altas em pesos de outros itens de menor, mas crescente, incidência, como o transporte, o papel e a impressão das embalagens, plásticos, fermentos lácteos, e outros insumos.
Gráfico 5 - Variação dos preços ao consumidor na Argentina (março de 2002 versus dezembro de 2001), em %

Vendas da indústria
Com base na pesquisa realizada em uma amostra representativa das indústrias de lácteos da Argentina, estima-se que, em março de 2002, as vendas ao mercado interno (em toneladas) foram cerca de 13% menores do que as vendas do ano de 2001 (gráficos 6 e 7). Enquanto as vendas de leites fluidos diminuíram em 9%, as vendas dos demais produtos lácteos se retraíram 27%.
As únicas categorias de produtos que não apresentaram retração generalizada nas vendas foram: os leites esterilizados (UHT ou longa vida), que não sofreram alterações, e os queijos cremosos, que mostraram um aumento interanual de apenas 2% em março deste ano, com relação ao mesmo mês do ano passado.
Estima-se que o volume de vendas acumulado nos primeiros três meses de 2002 foi 7% inferior ao mesmo período de 2001. Verifica-se novamente aqui um melhor desempenho relativo dos leites fluidos em comparação com os demais produtos (-5,5% e -13,5%, respectivamente). Como pode ser observado no gráfico, somente 4 itens apresentaram neste ano uma performance similar ou superior à registrada em 2001: os queijos duros (sem alteração), a manteiga e os leites esterilizados (+2% em ambos os casos) e os queijos cremosos, que tiveram alta de 15%.
Gráfico 6 - Vendas da indústria ao mercado interno

As vendas totais das indústrias líderes do setor na Argentina se retraíram cerca de 3,5% em março, com relação ao mês anterior. Essa queda é representada pela redução de 0,5% nas vendas de leites fluidos e de 16% nas vendas dos demais produtos lácteos. Das 10 categorias estudadas somente a manteiga melhorou suas vendas em março, com relação ao mês de fevereiro. As vendas de queijos cremosos, que vinham compensando parcialmente as abruptas quedas das demais categorias, também caíram 14% com relação a fevereiro.
Gráfico 7 - Vendas da indústria ao mercado interno

Nota : junto a cada produto figura sua participação sobre as vendas acumuladas do período de janeiro-março de 2002.
Setor externo
Em março de 2002 a Argentina exportou cerca de 14,5 mil toneladas de produtos lácteos, no valor de US$ 23,5 milhões. Esses dados representam quedas de 29% em volume e de 27% em valor, com relação ao mês anterior (gráfico 8). Em termos de volume, as quedas mais significativas de vendas ocorreram nas médias diárias de leite em pó desnatado e integral, além de derivados de soro, que contrastaram com a expansão das colocações do óleo de manteiga.
O aumento de 12% no volume de vendas ao Brasil não conseguiu compensar a queda de 44% registrada nos embarques aos demais destinos, comparando-se as médias diárias de março, com relação a fevereiro.
Comparando-se com março de 2001, os valores de 2002 foram 55% e 27% superiores, em volume e em valor, respectivamente. Percebe-se que a recuperação das vendas de lácteos argentinos ao Brasil foi maior do que a recuperação global (+86% em volume e +33% em valor). Em termos gerais, pode-se concluir que o aumento interanual dos volumes exportados foi provocado pela deterioração dos preços em dólares.
Segundo dados provisórios, as vendas externas acumuladas em 2002 alcançaram o volume de 49 mil toneladas e de US$ 80 milhões, valores 36% e 14% maiores do que os correspondentes a janeiro a março de 2001.
Apesar do volume acumulado no primeiro trimestre do ano exportado da Argentina ao Brasil ter sido similar ao do ano passado (cerca de 33% do total), o correspondente aos demais destinos cresceu cerca de 66%. Neste último grupo destaca-se a presença da Argélia, Jordânia, México, Senegal e Omã, nos primeiros lugares.
Gráfico 8 - Exportações argentinas de lácteos - 1998 a 2001

O impulso ocorrido nas exportações de lácteos da Argentina é resultado das profundas alterações do panorama econômico do país, produzidas pela desvalorização ocorrida em janeiro deste ano, e que implicaram em, entre outros aspectos:
* A sensível melhora do tipo de câmbio, que ampliou as margens de lucros das exportações até estas superarem as do mercado interno;
* A retração do consumo interno, que já está em cerca de 13%;
* A necessidade das indústrias líderes de obter dólares para pagar suas dívidas.
Como forças de efeitos contrários aos mencionados, podemos citar:
* A baixa dos preços internacionais: o leite em pó integral estava, no início de maio, em 1250-1350 dólares por tonelada na Europa Ocidental, enquanto que, um ano antes, esse preço era de 1900-2000 dólares por tonelada;
* Os recentes aumentos dos subsídios a leites em pó na União Européia, que deprimem ainda mais o mercado mundial;
* Os danos ao comércio multilateral e bilateral que a Argentina terá com a ampliação da ajuda interna determinada pela nova lei agrícola aprovada nos Estados Unidos - Farm Bill 2002.
Preços de exportação
O preço médio (média não ponderada, ou seja, total de dólares sobre o total de toneladas) obtido nas exportações argentinas do mês de março deste ano - cerca de US$ 1560/tonelada - foi 16% inferior ao registrado em março de 2001 e 2% menor do que em fevereiro passado (gráfico 8).
Como conseqüência da sensível baixa dos preços internacionais e do aumento do tipo de câmbio efetivo aplicável às exportações argentinas, os preços vêm apresentando quedas interanuais ininterruptas desde dezembro de 2001, e entre novembro e março, acumularam uma retração de 22%. As cotações do leite em pó integral e desnatado diminuíram 16% e 20% neste período, e alcançaram em março cerca de US$ 1660 e US$ 1600 por tonelada, respectivamente.
Fontes consultadas
- Convênio Lechería SAGPyA-CIL-FIEL.
- Direção da Indústria Alimentícia, SAGPyA.
- Comunicações pessoais referentes à produção e à indústria.
- Schneider y Comerón, 2002. Impacto de la devaluación en el tambo según la eficiencia económico-productiva. INTA Rafaela
- Barrenechea y Tacchi, 2002. Costos de producción en tambo. INTA Villa María. Comunicación personal.
- Fundación Potenciar.
- INDEC.
- Dcción. Nac. de Fiscaliz. Agroalimentaria, SENASA
- Diários de alcance nacional e regional.
- Revistas e portais de internet especializados.
- Instituto de Clima e Água do INTA.
Fonte: Dirección de Industria Alimentaria - SAGPyA (por Ing. Agr. Aníbal Schaller e Lic. Eduardo Guardini), adaptado por Equipe MilkPoint