Os resultados obtidos mostraram um certo pessimismo por parte dos leitores, uma vez que 57,6% dos participantes da enquete consideram que há espaço para novos reajustes nos preços do leite, enquanto que 42,4% acreditam que a queda de preços já atingiu o limite, como pode ser observado na tabela a seguir:

Sim, atingiu o limite
Entre os que acreditam nessa opção estão Renato Fonseca, produtor de leite de Belo Horizonte, MG; Eduardo Lopes de Freitas, Diretor - vice-presidente da COONAI (Cooperativa Nacional Agroindustrial), de Brodósqui, SP; José Ronaldo Borges, produtor de leite de Cuiabá, MT; Genecio Feuser, produtor de leite de Paranavaí, PR; Marcelo Souza, produtor de leite de Alagoinhas, BA; Jair Jacinto Cardoso Junior, produto de leite de Goiânia, GO; Paulo Maurício Furtado de Oliveira Dantas, produtor de leite de Valença, RJ; Martinho Mello de Oliveira, produtor de leite de Paranaíba, MS.
Dentre os leitores que acreditam que os preços não continuarão em queda, muitos defendem que os preços já estão muitos próximos dos custos de produção e que, caso ocorra uma queda maior, a tendência é de que alguns produtores saiam do mercado, reduzindo a oferta e consequentemente forçando uma reação dos preços. Segundo Marcelo Carvalho, coordenador do site MilkPoint, o efeito do preço ter atingido valores inferiores aos custos de produção não é imediato. "No curto prazo, a relação entre oferta e demanda é o que conta, mesmo que os preços caiam a valores mais baixos do que o custo de produção", argumenta.
José René Ladeira Garcia, diretor do Laboratório Laclipe, de Leopoldina, MG, Argumenta que é necessária maior atenção por parte do governo para que os produtores possam honrar com seus compromissos, uma vez que os preços dos insumos estão mais altos.
Além disso, acredita-se que a pressão pela redução de preços por parte dos laticínios pode colocar em risco a qualidade e a produtividade do setor, o que prejudica não só o produtor rural, mas também o consumidor de produtos lácteos.
É interessante observar que dentre os leitores que optaram por essa resposta, 27 são produtores de leite e apenas 1 é representante da indústria de laticínios.
Não, vai cair mais
Entre os que acreditam que os preços do leite tende a cair ainda mais, pode-se citar Mario Alexandroni, gerente de política leiteira da Agropecuária Tuiuti (Leite Shefa), de Socorro, SP; Geraldo Antonio Pereira Coelho, supervisor de compra de leite dos Laticínios Bela Vista de Anápolis, GO; Celso Ivan Ferreira, da Embaré de Lagoa da Prata, MG; Leomar Martinelli, agente de captação da Líder Alimentos do Brasil de Ramilândia, RS; Felix Alle Junior, médico veterinário da Laticínios Tirolez em Monte Aprazível, SP; Antonio Julião Bezerra Damazio, diretor presidente da Cooperativa de Laticínios de Sorocaba, em Sorocaba, SP; Adylio Viarelli, gerente regional de vendas da Itambé, em Belo Horizonte, MG; Arnaldo Bandeira, sócio gerente da Bandeira Consultoria e Treinamento em Curitiba, PR; Wolmir Castelli, encarregado de posto da Avipal, RS; Luiz Eduardo Morais, da Danone, em Poços de Caldas, MG e José Antônio Bernardes, gerente de captação de leite da Embaré, em Lagoa da Prata, MG.
Os leitores que argumentaram que os preços ainda podem atingir patamares menores que os observados até o momento acreditam que há excesso de oferta no mercado em função de investimentos realizados na atividade, dada a conjuntura favorável do ano passado e início desse ano. Além disso, as importações de leite da Argentina pressionam os preços para baixo.
Segundo o produtor João Ziraldo Maia (Niterói-RJ), "se durante a entressafra o preço vem caindo, quando chegar a estação das águas, a oferta de leite vai aumentar e, mantidos os níveis de consumo interno e o patamar de preço do dólar - o que inviabiliza as exportações - o preço vai cair ainda mais".
A veterinária Anastácia Halajda Ressel, de Ponta Grossa, PR, argumenta que a produção continua em alta e cita iniciativas (tais como as da Emater - PR) que incentivam pequenos produtores a entrar na atividade leiteira, a abertura de novas fronteiras com a utilização da irrigação de pastagens, importação de leite e falta de apoio governamental como motivos para a continuidade da queda de preços observada até o momento.
Romy Farage Batista, gerente geral da cooperativa dos produtores de leite de Leopoldina, MG, afirma que o cenário cambial atual - que favorece as importações e dificulta as exportações - aliado aos altos estoques em praticamente todos os laticínios mantém elevada a oferta de leite, mesmo num período de entressafra. Ele acredita ainda que, em setembro, quando começam as chuvas e a oferta de leite aumentar, as câmaras frias e depósitos estarão abarrotados de derivados do leite, contribuindo para os baixos preços.
Roberto Jank Jr, diretor da Agrindus S/A acredita que "a produção vive um momento de inércia decorrente de investimentos anteriores destinados a este período de entressafra e associado a um valor ainda favorável dos alimentos comprados" e opina que a tendência de queda da produção poderá ser verificada na próxima estação, quando os efeitos do atual desestímulo devem aparecer. Assim, corre-se o risco de queda de produção em pleno verão. Isso dependerá, no entanto, da sinalização da indústria.
José Almeida de Oliveira, proprietário da Fazenda Bela Vista, em Major Isidoro, AL, considera que uma solução plausível para o controle da queda de preços seria o tabelamento do leite, já que o produtor oferece um alimento altamente perecível, ficando sujeito às conveniências da indústria.
É importante notar que dentre os que votaram nessa opção, 25 são produtores de leite e 15 são representantes de indústrias de laticínios.
É importante salientar que a enquete MilkPoint não tem o objetivo de quantificar opiniões com rigor estatístico, apenas mostra a opinião dos leitores sobre determinado assunto. Nesta enquete, votaram 93 pessoas.
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Fonte: Equipe MilkPoint
