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Como a pandemia afetou a dieta dos animais nas fazendas leiteiras do Brasil?

POR MAYSA SERPA

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 29/04/2020

3 MIN DE LEITURA

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Para melhor entender como a pandemia de coronavírus está afetando as propriedades leiteiras no Brasil, o MilkPoint realizou uma pesquisa por meio de questionário. Obtivemos respostas de 119 propriedades, localizadas em 17 diferentes estados, que contemplam todas as regiões do País. Confira as medidas de segurança adotadas contra a Covid-19 nestas propriedades no primeiro artigo da série.

Como no artigo anterior, para facilitar a análise e demonstração dos dados, dividimos as propriedades conforme o volume de produção diária em “Grandes” (volume superior a 10000 litros/dia), “Médias” (entre 2000 e 10000 litros/dia) e “Pequenas” (menores que 2000 litros/dia). Veja a distribuição de fazendas em cada categoria no gráfico a seguir.

Questionamos aos produtores quanto a entrega de insumos em suas propriedades e apenas 16% (19) afirmou estar tendo alguma dificuldade. A maioria dos produtores que alegaram problemas com entregas falaram sobre os resíduos de cervejaria, que estão escassos devido a diminuição nas atividades das indústrias. Também foi relatado dificuldade e atrasos na entrega de outros componentes da dieta dos animais, como soja e milho, sal mineral, medicamentos veterinários, peças para equipamentos e EPI’s, mas em menor frequência.

Perguntamos também quanto a alterações nas dietas dos animais. Dentre os produtores que responderam o questionário, 44 (37%) afirmaram ter sido necessário realizá-las. O principal motivo alegado foi o alto custo do milho e da soja, sendo necessária a substituição ou diminuição da quantidade de ração fornecida. Outra alteração frequente foi a substituição dos resíduos de cervejaria, devido a dificuldades nas entregas, como mencionado anteriormente.

alteração em dietas vacas coronavirus

Entre as alterações mencionadas estão a utilização de DDG (resíduo seco da produção de etanol de milho) no lugar de farelo de soja, substituição de cevada por farelo de algodão, inclusão de casca de soja e caroço de algodão, aumento na quantidade de volumoso fornecida, complementação de pasto com silagem de capim, entre outras. Alguns produtores retiraram completamente a ração e estão mantendo os animais somente a pasto.

Proporcionalmente, as alterações em dietas foram mais frequentes nas regiões Centro-Oeste (54,55%), Nordeste (54,55%) e Sudeste (40,38%). Em relação ao tamanho das propriedades, as ‘médias’ foram as que menos fizeram alterações (25%). Os dados estão dispostos nos gráficos a seguir.

alteração em dietas vacas coronavirus

alteração em dietas vacas coronavirus

Diante dessa adversidade, diversos produtores disseram estar focados no controle de custos, buscando maneiras de se tornarem mais eficientes. “Estamos passando por um momento de dificuldades, sem previsibilidades. Diante disso temos que nos tornar mais eficientes ainda, atender a saúde dos colaboradores e dos animais, criar barreiras de biosseguridade, ficar atentos e corrigir os gargalos da produção. Mas, sobretudo, continuar a fazer o que sabemos fazer:  produzir nosso leite de cada dia com a qualidade e carinho, como sempre o fizemos”, comentou José Eduardo R. de Souza, da Granja Caetê, em Itaberá/SP.

É importante salientar que o corte nos gastos deve ser feito com cautela, para não gerar grandes prejuízos a médio e longo prazos, como disse Roberto Barboza, da Fazenda Real, em Cabrália Paulista/SP: “Muita cautela neste momento. Tente manter sua produção, porque a crise uma vai passar e quem conseguir manter uma regularidade vai tirar proveito.”

O representante do Sítio Floresta, em, Altônia/PR, aconselhou: “Mantenham a calma, façam os cálculos de custo e benefício para cada animal e selecionem os melhores. Enxuguem os custos da propriedade, cuidem bem dos animais que geram lucro.”

E, como disse Alberto Oliveira, das Fazendas Melancias e Teotonio, em Fortaleza/CE: “O Agro não pode parar! Somos a base do nosso país, portanto temos a sagrada missão de gerar emprego e renda além de garantir a alimentação para todo a nossa nação!”

Vamos em frente!

Observação: é importante levar em consideração que nesta pesquisa foram utilizados os dados de todos os produtores que se prontificaram a responder o questionário e, com isso, não representa necessariamente a realidade de todas as propriedades brasileiras, sobretudo no que se trata de análises por região e volume de produção. Contudo, essa pesquisa nos permite ter uma ideia do que está acontecendo no país.

Aguardem o próximo texto em que trataremos de reduções no volume de produção, secagem de animais e coleta de laticínios. Leia também a primeira parte desse estudo aqui.

MAYSA SERPA

Médica Veterinária e mestranda em Sanidade Animal pela UFLA, Editora Assistente de Conteúdo MilkPoint.

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