Do pão-de-queijo aos pratos prontos

Publicado por: MilkPoint

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Pouco mais de um ano após vender a empresa de pão-de- queijo Forno de Minas para a americana Pillsbury, a família Mendonça ressurge no mercado apostando no fornecimento de queijo à indústria alimentícia de pratos prontos congelados., segundo reportagem de Ivana Moreira, publicada hoje no Valor Online.

"Nosso negócio continua sendo queijo", diz Hélder Mendonça, filho de Maria Dalva Mendonça, a dona da receita de pão-de- queijo que conquistou os americanos. Ele, a mãe, a irmã Hélida e o sócio Vicente Cameloti são os donos da Leiteria de Minas, um laticínio com capacidade para processar 250 mil litros de leite por dia e produzir 600 toneladas de queijo por mês. A planta industrial fica em Pitangui, a 120 quilômetros de Belo Horizonte.

Com o dinheiro da venda da Forno de Minas - valor nunca divulgado - , os sócios compraram o laticínio em Pitangui, então com capacidade para produzir 180 toneladas de queijo por mês. O contrato de venda garantia o fornecimento da matéria-prima para os americanos: justamente 180 toneladas por mês.

Cerca de R$ 7 milhões foram investidos na modernização das instalações para atender às normas sanitárias americanas - exigência da Pillsbury - e triplicar a capacidade de produção. Concluída a ampliação e modernização da Leiteria de Minas, os empresários consideram-se prontos para atacar outros segmentos além do pão-de-queijo. Contratos de fornecimento estão sendo negociados com Sadia e Perdigão, entre outras. A maioria das receitas dos pratos prontos das empresas-alvo leva queijo.

Segundo Hélder Mendonça, o crescimento do mercado de pratos prontos congelados criou um nicho para especialistas em queijo. Com isso, a expectativa dos sócios é que, dentro de pouco tempo, o fornecimento para os pães- de-queijo da Forno de Minas represente no máximo 50% da produção da Leiteria de Minas. A outra metade seria destinada às indústrias alimentícias.

Ganhar a liderança no fornecimento de queijo para a indústria de pratos prontos pode ser considerado um desafio pequeno para quem, no passado, partiu de uma produção de 40 quilos de pão- de-queijo por dia e chegou a 70 toneladas, sem associação com estrangeiros ou abertura de capital e com a resistência de dona Dalva, a matriarca, diante da modernização. "Foi complicado; ela fazia questão de não mudar em nada a receita caseira do pão-de- queijo", lembra o filho.

Antes da Forno de Minas, a indústria de pão-de-queijo congelado simplesmente não existia. Muito menos a indústria de equipamentos para fábricas de pão- de-queijo. Foi preciso inventar as máquinas, e os parceiros da família Mendonça na invenção acabaram desenvolvendo um negócio à parte. Hoje, fornecem a diversas pequenas fábricas no país.

A industrialização da Forno de Minas, em 1992, coincidiu com a presença do mineiro Itamar Franco à frente do Palácio do Planalto. Acusado pela mídia de ter transformado Brasília na "República do Pão-de-Queijo", o ex- presidente acabou tornando-se garoto-propaganda do produto. "No Sul e no Nordeste, todo mundo queria experimentar o tal pão-de-queijo do qual a imprensa tanto falava", afirma Hélder.

Atual governador do Estado, Itamar Franco continua contribuindo para os negócios da família Mendonça. Não há visita ilustre que deixe o Palácio da Liberdade sem experimentar um pão- de-queijo quentinho com café. Os assessores garantem que o petisco é feito pelos cozinheiros do Palácio. Mas, com a venda dos pães congelados em qualquer supermercado do país, poucos cozinheiros e donas-de-casa dão- se ao trabalho de preparar as bolinhas com as próprias mãos.

Por Ivana Moreira, para Valor Online, 31/01/01
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