O dia 20 de janeiro é celebrado mundialmente como o Dia Mundial do Queijo. No Brasil, a data ganha um significado especial diante da forte tradição queijeira do país, marcada pela produção de diversos queijos artesanais regionais.
A produção artesanal de queijos sustenta milhares de famílias no meio rural e representa uma herança cultural relevante, reconhecida por instituições como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De forma geral, os queijos artesanais brasileiros compartilham duas características marcantes: são produzidos com leite cru (não pasteurizado) e utilizam fermentos naturais, como o pingo — fermento obtido a partir do soro de produções anteriores.
É importante destacar que a legislação brasileira estabelece que queijos elaborados com leite cru devem cumprir períodos mínimos de maturação, normalmente de 60 dias, podendo ser reduzidos quando estudos específicos comprovam a segurança microbiológica do produto.
Nesse contexto, o Selo ARTE tem papel fundamental, pois permite a comercialização interestadual de produtos artesanais de origem animal, desde que elaborados de acordo com as boas práticas de produção.
Conheça alguns dos principais queijos artesanais brasileiros
Queijo Canastra (Minas Gerais)
Em 2008, o IPHAN reconheceu os modos de fazer o queijo Minas artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, valorizando as técnicas tradicionais de produção com leite cru nas regiões serranas de Minas Gerais.
Produzido na região da Serra da Canastra, o queijo é elaborado com leite de vaca cru, apresenta casca amarelada, textura firme e cremosa e sabor levemente ácido e picante. Durante a maturação — que pode variar entre 14 e 22 dias — o sabor se torna mais intenso e complexo. As bactérias naturais da região contribuem para as características únicas do produto.
Queijo do Marajó (Pará)
O diferencial do Queijo do Marajó está na sua matéria-prima: o leite de búfala. A Ilha de Marajó concentra o maior rebanho bubalino do Brasil. Existem dois tipos principais do queijo: o Creme, que recebe adição de creme de leite à massa, e o Manteiga.
De textura extremamente macia e sabor suave, o queijo tem grande importância econômica para a região, especialmente para pequenos produtores. Em 2021, o produto conquistou o reconhecimento de Indicação Geográfica, selo que protege alimentos vinculados ao território de origem.
Queijo do Serro (Minas Gerais)
Embora também seja produzido em Minas Gerais, o Queijo do Serro apresenta características distintas em relação ao Canastra. Geralmente é mais úmido e passa por um período de maturação mais curto. A técnica de produção tem origem portuguesa, trazida pelos colonizadores da Serra da Estrela.
O queijo tem cor mais clara e sabor suave, levemente ácido. Em 2011, tornou-se o primeiro queijo brasileiro a receber Indicação Geográfica. Atualmente, onze municípios da região do Serro mantêm essa tradição secular, seguindo padrões que preservam suas características originais.
Queijo Serrano (Rio Grande do Sul e Santa Catarina)
Produzido nos Campos de Cima da Serra, o Queijo Serrano preserva práticas tradicionais que remontam ao século XVIII. A produção utiliza leite de vacas de corte, especialmente das raças Angus e Hereford, bem adaptadas às condições climáticas da região.
Com o tempo, o queijo desenvolve sabor intenso e textura mais granulada, resultado do processo de envelhecimento aliado às características ambientais locais. O produto também carrega forte ligação histórica com os tropeiros, responsáveis pelo comércio e transporte de mercadorias entre os estados do Sul.
Queijo Coalho Artesanal (Nordeste)
A versão artesanal do Queijo Coalho, produzida por pequenos agricultores com leite cru, difere significativamente das versões industriais mais conhecidas. O método tradicional utiliza enzimas para a coagulação do leite, transformando o líquido em uma massa sólida.
Sua principal característica é a resistência ao calor e o “rangido” ao ser mastigado quando fresco, resultado da estrutura específica das proteínas. Por isso, pode ser assado na brasa ou frito sem derreter completamente.
Como identificar queijos artesanais de qualidade
Para garantir uma experiência segura e saborosa, é fundamental observar a procedência dos queijos artesanais. No momento da compra, procure sempre os selos oficiais de inspeção, que indicam conformidade com as normas sanitárias:
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SIF (Selo de Inspeção Federal);
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SIE (Selo de Inspeção Estadual);
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Selo ARTE, específico para produtos artesanais.
Além dos selos, avalie também textura, aroma e coloração. Queijos artesanais de qualidade costumam apresentar aparência natural, casca firme e aroma marcante, resultado do processo de maturação e do cuidado manual do produtor. Sempre que possível, valorize conhecer a origem e quem produz, fortalecendo a conexão entre o campo e a mesa.
As informações são do Estadão.