Apostando no poder de sedução do dinossauro-mascote global, nas gôndolas há sete meses, a Danone Brasil, líder no mercado de produtos lácteos frescos com 35,5% de participação em 2002, pretende aumentar em 30% as vendas do Danoninho.
Hoje, o pioneiro entre os petit-suisse detém 50,4% do mercado nessa categoria capaz de movimentar R$ 315 milhões anuais. Além de contar com o adorável boneco do Tiranossauro Rex, a Danone também coloca suas fichas no crescimento dos segmentos de iogurtes light, a linha Corpus, e de sobremesas cremosas para atingir a meta de aumentar entre 7% e 10% seu faturamento bruto, que foi de R$ 1 bilhão em 2002.
Depois do Plano Real, na segunda metade dos anos 90, as vendas de iogurtes deram um salto histórico e foram utilizadas como um indicador de prosperidade. Mas a festa continua. De acordo com estudos feitos pela empresa, o País do programa Fome Zero possui um dos maiores potenciais de crescimento para o consumo de lácteos do planeta.
"No Brasil, o consumo anual per capita de iogurtes é de apenas 4,1 quilos", disse o diretor geral da Danone, Giogi Okuhara. "Acreditamos que em poucos anos podemos alcançar o consumo da Argentina que é de cerca de seis quilos". O executivo afirmou que não tem ilusões de que a América Latina possa se aproximar da Europa em volume de consumo de lácteos. Segundo ele, a França consome 33 quilos per capita e a Holanda, 45 quilos.
A estratégia de crescimento das vendas da Danone Brasil, que depois da compra da Paulista, há três anos, consolidou sua liderança no mercado, tem diversas frentes e verba de R$ 40 milhões para desenvolvimento de produtos e marketing. "Pesquisas nos mostraram que as razões para o não consumo de iogurtes e outros lácteos são: preço, sabor (não gostar) e esquecer de incluí-los na lista de compras", disse. Okuhara descartou a possibilidade de mexer no preço de modo a tornar o iogurte mais acessível.
"Por causa da questão cambial e do aumento no custo do leite, que representa 30% do total, os produtos tiveram reajuste de 8% em janeiro deste ano", afirmou. Em 2002, o ajuste foi de 8% a 9%. "Tivemos que sacrificar margens de lucro para manter o crescimento e mesmo que o custo do leite caia, o preço não vai cair", explicou.
Para fazer com que o apetite prevaleça sobre o custo, a Danone deve lançar cinco novos sabores por trimestre em 2003. Neste mês foram lançados Danette Sundae, Paulista Manjar de Coco com Calda de Ameixa, Corpus Salada de Frutas com sabor de Leite Condensado, Corpus Polpa de Manga e o Leite Corpus. O investimento no segmento light se justifica: enquanto o mercado de lácteos cresceu 25% em 2002, o de produtos de baixas calorias cresceu 45,7%.
De acordo com a Nielsen, o segmento light movimentou R$ 220 milhões em 2002. Com a linha Corpus, a Danone tem 45,3% deste bolo e quer mais: "a perspectiva para 2003 é continuar crescendo acima da média da categoria". No segmento de sobremesas cremosas, Okuhara garantiu que a marca Paulista deve ficar com os lançamentos de sabores mais tradicionais e a Danone deve mostrar produtos que incorporem tecnologia e sabores mais atuais.
canais de distribuição
Outro desafio da multinacional é colocar produtos no pequeno varejo. "A Coca-Cola tem 1 milhão de pontos de vendas no Brasil, enquanto os fabricantes de iogurtes têm apenas 60 mil", explica Okuhara. É justamente no pequeno varejo que a Danone encontra maior rentabilidade, já que os grandes supermercados têm grande poder de barganha e demandam um serviço mais completo. "O grande varejo funciona mais como vitrine para nossos produtos".
Fonte: Gazeta Mercantil (por Andréa Ciaffone) e Valor Online (por Gabriel Braga), adaptado por Equipe MilkPoint
Danone espera novo aumento no consumo de iogurtes
Publicado por: MilkPoint
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