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Luis Madi, do Ital: "há um um movimento para divulgar negativamente os industrializados"

“Não podemos negar que existe todo um movimento para divulgar negativamente os alimentos industrializados e isso logicamente abrange leites e derivados, uma situação que temos combatido com o desenvolvimento do Projeto Brasil Processed Food 2020, que envolveu a criação do site www.alimentosprocessados.com.br, onde abordamos mitos e fatos – vários relacionados a leites e derivados –, e mais recentemente a publicação do estudo Alimentos Industrializados diante da falta de bom senso de se criar o termo 'ultraprocessado', que envolve boa parte dos derivados do leite. Dando continuidade, lançamos no último dia 30, no aniversário de 55 anos do ITAL, o Projeto Alimentos Industrializados 2030., disse Luis Madi, Diretor Geral do Ital em entrevista exclusiva ao MilkPoint.

Ele será um dos palestrantes do Dairy Vision 2018, que ocorrerá na Expo Dom Pedro, em Campinas/SP, nos dias 28 e 29 de novembro. Sua palestra discorrerá sobre o seguinte tema: “Alimentos industrializados: a importância dos produtos lácteos para o consumidor brasileiro”.

Segundo Luis, um ponto estratégico em relação aos lácteos é a questão da saúde, pelos nutrientes que eles possuem. “Não somos especialistas em nutrição, somos especialistas em engenharia e processamento de alimentos e embalagens, porém se entrarmos no site ‘Leite Faz Seu Tipo’ da ABLV (Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida) há uma série de informações mostrando a importância nutricional do leite. "Com base nos estudos mencionados no site, o leite - e seus derivados - não é só importante fonte de cálcio, proteína e vitaminas. Um copo de 200 ml de leite supre 36% da necessidade de vitamina B12, que mantém nossas células nervosas e do sangue saudáveis, auxilia a produção de DNA e previne a anemia megaloblástica. Também supre 30% da necessidade de vitamina B2, que atua na produção de energia, em funções celulares, no crescimento e no metabolismo de gorduras. Além disso, fornece 9% de vitamina A, que mantém a saúde dos olhos e ajuda no bom funcionamento do coração, dos pulmões, dos rins e do sistema imunológico. O leite ainda é rico em outros minerais importantes como o selênio, o magnésio e o zinco, que reforçam nosso sistema imunológico, reparam nosso DNA e até ajudam a reduzir a asma."

Na conversa, Luis citou o estudo Brasil Dairy Trends 2020, que sugere alguns fatores de influência para o mercado de produtos lácteos visando um maior consumo, como:

- o crescimento e distribuição da renda familiar;
- o envelhecimento da população;
- a mudança no comportamento de compra e consumo das novas gerações;
- a valorização do estilo de vida saudável e sustentável;
- os avanços na ciência e tecnologia de alimentos;
- os meios de comunicação;
- informação sobre alimentação e nutrição;
- o ativismo contrário aos alimentos e bebidas processados e;
- as políticas públicas, sistema regulatório e legislação.

“Quando a gente fala de produtos lácteos, não estamos citando exclusivamente o leite, mas principalmente seus derivados como o queijo, o iogurte, as bebidas lácteas entre outros. São produtos considerados extremamente nobres, importantes e que têm um custo baixo dentro da cadeia alimentar brasileira”, complementou Madi, que é Engenheiro de Alimentos formado pela UNICAMP e Mestre em Embalagem de Alimentos pela Michigan State University EUA.

E as recentes críticas à industrialização?

Luis afirma que a industrialização é criticada por pessoas não ligadas à área de ciência e tecnologia de alimentos, mas por aquelas - umas mais radicais - que acham até que temos que tomar leite cru e assim, correr alguns possíveis riscos. Para ele, é um absurdo o que estão falando hoje sobre o que é a industrialização.

“Não quero citar nomes, mas - até alguns programas de televisão - estão divulgando que a pasteurização destrói o leite. Deveria ser processado quem fala isso, induzindo as pessoas a tomarem leite cru que pode estar contaminado. A industrialização é criticada por pessoas mais radicais, ligadas a uma ideologia política, mas é a única salvação de uma sociedade urbanizada como a nossa, de 208 milhões de habitantes, sendo que 90% vivem na cidade, onde não tem muita alternativa. Sempre gosto de associar a conservação dos alimentos ao consumo e à expectativa de vida das pessoas. Quando não havia o processo de industrialização, a expectativa de vida no Brasil era de 50 anos. A expectativa de vida aumentou principalmente devido à disponibilidade e à qualidade dos alimentos, que são muito mais seguros e têm maior vida útil hoje”.

Ainda sobre o tema, ele reforça que a industrialização é criticada, mas traz um alimento mais seguro e conservado, o que favorece a sua disponibilidade aos consumidores. “Um exemplo interessante é o longa vida. O processo UHT do leite, hoje em vários tipos de embalagens,proporcionou a disponibilidade desse produto em um país que tem sistema de refrigeração não adequado e onde algumas casas ainda não têm geladeira. É o melhor exemplo de longa vida no aspecto de oferecer ao consumidor um produto com alta qualidade e com zero problemas de contaminação, microbiológica em especial. Queijo e iogurte também aumentaram a vida de prateleira e a qualidade com o uso de tecnologias”.

Na sua opinião, campanhas mais positivas ressaltando os benefícios dos lácteos devem continuar sendo feitas, como as já vigentes elaboradas por entidades como ABIQ (Associação Brasileira da Indústria de Queijo), ABILD (Associação Brasileira das Indústrias de Leites Desidratados), ABILP (Associação Brasileira das Indústria de Leite Pasteurizado), ABLV, Viva Lácteos e o SINDILEITE (Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados), entre outras entidades.

“O Brasil Processed Food 2020 encerra em 2018 e estamos iniciando em 2019 o Alimentos Industrializados 2030, que tem como escopo orientar e informar o consumidor sobre os benefícios, abrangendo os lácteos. Isso é extremamente estratégico. Estamos fazendo uma primeira fase em 2019 e 2020 e uma segunda fase em 2021 e 2022, ou seja, temos quatro anos para visualizar a melhoria de comunicação, com campanhas positivas em relação aos produtos industrializados, incluindo os lácteos”.

Desafios daqui para a frente

O pesquisador acredita que os principais desafios para os lácteos daqui para frente são:

a) a informação ao consumidor de maneira que ele compreenda os benefícios;
b) a inovação tecnológica dentro do que é considerado o maior agrupamento do setor de alimentos em termos de produtos diferenciados e;
c) a qualidade assegurada com custo razoável.

“No Brasil Dairy Trends 2020, pontuamos quais são as macrotendências que devem orientar a inovação: densidade nutricional e conveniência; digestibilidade e bem-estar; funcionalidade e prevenção; controle e adequação; premiumização e sensorialidade; e sustentabilidade e naturabilidade. Os desafios da inovação estão ligados a essas seis macrotendências. Já o custo do produto é um ponto estratégico para que não se torne ‘de elite’: você tem que olhar as classes C, D e E. Produtos veganos e orgânicos custam o dobro, o triplo do preço. A classe baixa não pode comprar isso e é grande no Brasil, que ainda é um país pobre, infelizmente”, finalizou.

Dairy Vision 2018

Além das descrições profissionais já citadas acima, Luis é também Diretor do DEAGRO da FIESP, Membro do CONSIP, Membro da Fundação Fórum de Campinas, Membro do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e do CMDRA de Campinas.

Chegando em sua 4ª edição, o Dairy Vision contribuirá (e muito!) com o setor por meio de vários insights apresentados sobre as tendências na área de alimentos e bebidas no Brasil e no mundo. Assim, é fundamental que o Dairy Vision 2018 esteja na sua agenda! Ele mostrará oportunidades e clareará ao público os principais desafios de todas essas mudanças, principalmente para o setor lácteo. Então, nos vemos em breve! Até novembro!

O evento é uma iniciativa da AgriPoint e da Zenith Global e tem como:

  • patrocinadores GOLD: CHR Hansen, Polyone (Colormatrix) e SealedAir;
  • expositores: Ecolean, DuPont, Duas Rodas e RMB Pack;
  • table top: Granolab, Noluma, NovoZymes e Paques;
  • apoio institucional: Fepale; Viva Lácteos; ABIQ, ITAL, ABLV, Rabobank e Nielsen;
  • apoio de mídia: Revista Indústria de Laticínios, Revista + Leite e The Dairy News.

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