Consumidor paga mais caro e produtor ganha menos
Publicado por: MilkPoint
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Nesse primeiro semestre do ano, os preços do leite pago ao produtor apresentaram um aumento de 12,9%, passando de R$ 0,44 para R$ 0,49, enquanto que no atacado o aumento foi de 15,4% e o consumidor arcou com o ônus maior, de 18,8%.
Comparado com o ano passado, a elevação do preço foi de 26,9%. No entanto, os custos de produção subiram muito mais do que isso. Tendo como base junho de 2002, por exemplo, houve reajuste de 36,75% no valor do farelo de soja, 38,41% na silagem de milho e 35,78% no sal mineral, usados na alimentação animal.
Para se ter uma idéia, no período de entressafra o produtor paga até 107% a mais pelo custo da alimentação do animal. Na safra, com alimentação a pasto, gastou R$ 0,127 para produzir um litro de leite. Na entressafra esse número sobe para R$ 0,263, sem considerar outros itens, que também tiveram seus preços aumentados e compõem o custo de produção.
"O que vem acontecendo é que com as oscilações nos preços do leite e a elevação dos preços dos insumos, os produtores acabam se desfazendo de matrizes, geneticamente melhoradas, como forma de obter capital de giro para custear suas despesas na entressafra, promovendo assim uma queda na produção", afirmou Alvim.
A eliminação de matrizes, aliada à utilização de touros de raças sem aptidão leiteira, reduz quase que completamente a possibilidade de ganhos adicionais, o que pode gerar um agravamento, ainda maior, do problema nos próximos três anos, quando as bezerras, fruto deste cruzamento, iriam parir.
Em 60 propriedades analisadas em Goiás, 80% dos pecuaristas estão cruzando gado girolando (leiteiro) com nelore (de corte) para ter um macho com preço melhor e, ao mesmo tempo, uma cria com custo menor.
Para estancar este processo, a CNA está solicitando ao governo a criação de uma linha de financiamento para a retenção de matriz leiteira. Desta forma, o pecuarista teria R$ 50 mil de crédito, independente de outros empréstimos tomados, a juros de 8,75% ao ano, tendo os animais como garantia.
Um levantamento junto aos produtores mostrou que 54% gostariam de ter este tipo de crédito. Uma reunião no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está marcada para o próximo dia 21 para discutir o assunto.
Como o Brasil está na entressafra, não há possibilidade de redução de preços. No mercado internacional as cotações também estão altas (US$ 1.750 a tonelada), o que inibe a importação, em queda de 28,9% desde janeiro.
Segundo Alvim, não há ambiente favorável para que haja queda do preço do leite para o produtor, já que os preços no mercado internacional se mantém estáveis e mais caros que o produto no mercado interno.
Fonte: Departamento de Comunicação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
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O Produtor recebe em média R$ 0,46 por litro de leite e este mesmo leite, depois de sofrer a retirada de grande parte de sua gordura (parte nobre do leite), é vendido ao consumidor por quase três vezes o valor recebido pelo Produtor. Mesmo assim costumam responsabilizar ao Produtor pela alta do leite se esquecendo que a maior parte está ficando com o Laticinio e principalmente com o comércio.
Esta situação somente será acertada quando o governo entender que um mercado oligopolizado não pode ficar a deriva; ele precisa ter a intervenção do governo, regulamentando as ações e definindo com qual parte cada setor ficará. Enfim o Produtor está quebrado, saindo da atividade; o consumidor pagando pelo produto como deveria e o comércio ganhando horrores onde deveria ganhar muito menos como no segmento do arroz, feijão óleo etc.
Quanto ao financiamento para retenção de matrizes, está completamente correto; somente questiono o valor: o que fazer com R$50.000,00 para retenção ou compra de matrizes?
Enquanto o produtor pode receber R$400.000,00 para plantar milho é disponibilizado R$50.000,00 para matrizes, parece que todos odeiam os Produtores de leite.