Começam testes da vacina contra a tuberculose bovina

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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O Brasil está prestes a desenvolver uma vacina gênica preventiva para a tuberculose bovina. As pesquisas vêm sendo conduzidas pela Rede-TB, um dos 17 Institutos do Milênio, do Ministério de Ciência e Tecnologia. Formada por 170 pesquisadores e 47 instituições de todo o País, a rede trabalha no desenvolvimento de uma vacina para o controle da doença em humanos. "Mas o início dos testes clínicos em bovinos, previstos para o próximo trimestre, pode levar à solução de um problema que afeta o rebanho nacional brasileiro", afirma o coordenador da rede, pesquisador Célio Silva.

A expectativa da chegada de um produto comercial no mercado gira em torno do final de 2003. Atualmente, não há nenhuma vacina preventiva ou terapêutica à venda para o combate da tuberculose bovina. A BCG, utilizada em seres humanos, não é adequada para os animais.

Segundo o responsável pelo Laboratório de Apoio Animal (Lara-MG), pertencente ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), médico-veterinário Pedro Mota, quando vacinados com a BCG os bovinos desenvolvem uma reação positiva para o teste alérgico - chamado tuberculinização - o que impede de se descobrir se os animais estavam anteriormente contaminados ou se foram infectados com a vacina. "Hoje nem se menciona utilizar a BCG", diz. Neste cenário, quando um animal está doente, a recomendação do Mapa é que ele seja abatido.

Os testes clínicos a ser feitos pela rede serão iniciados por um lote de 40 animais. Eles receberão uma vacina de DNA (considerada de terceira geração), baseada em um pedaço do código genético do causador da doença. Aplicado por meio de injeção intramuscular, esse DNA cria condições para a produção da proteína antigênica pelas próprias células do indivíduo vacinado. Célio Silva explica que a vacina de DNA é mais segura do que as vacinas convencionais, que inoculam vírus ou bactérias para obrigar o sistema imunológico a produzir anticorpos ou imunidade celular. "Com o DNA não existe perigo de contaminação, pois o que é injetado é uma mensagem e não um antígeno", compara.

Os teste com os animais serão realizados por uma equipe multidisciplinar, formada por especialistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de São Paulo (USP) e da empresa RDBiotec. O pesquisador da Rede-TB, José Maciel Rodrigues Júnior, explica que este lote bovino será dividido em três núcleos. O primeiro, chamado de grupo-controle, não recebe nenhum medicamento. Em um segundo serão aplicadas três doses de uma vacina de DNA convencional (em solução). Já o terceiro receberá uma dose única da vacina de DNA que está sendo testada. Neste caso, o material genético é incorporado a polímeros biodegradáveis de um a três micra. O DNA é liberado lentamente, evitando as três doses utilizadas na forma convencional.

Estes estudos devem demorar seis meses. Se tudo correr bem, os pesquisadores passarão para uma nova bateria de testes, com um número maior de animais. Uma última fase envolve a produção comercial da vacina. Para esta ser concretizada, o grupo espera contar com a participação de uma empresa privada. O levantamento dos custos de produção de um lote comercial ainda não foi finalizado.

Perdas econômicas

A tuberculose bovina, além de ser transmissível ao homem, causa grandes perdas econômicas. A presença desta enfermidade leva a quebras na produção animal e torna o produto da pecuária vulnerável a barreiras sanitárias, diminuindo sua competitividade no comércio internacional.

As últimas estatísticas de notificações oficiais da doença, divulgadas pelo Mapa, indicam uma prevalência média nacional de 1,3% de animais infectados, no período entre 1989 e 1998. Mas existem aqueles que falam até em 20%. O que não quer dizer que todos estejam com a doença. São animais que podem ou não apresentar sintomas. Pedro Mota não concorda. "Pode ser que hoje o índice de incidência no Brasil seja até um pouco mais elevado, mas certamente não é tão alto assim", acredita.

Levantamento realizado em 1999, no Triângulo Mineiro e nas regiões do centro e sul de MG, envolvendo 1,6 mil propriedades e 23 mil animais, estimou a prevalência aparente de animais infectados em 0,8%. "Foram detectados animais reagentes em 5% das propriedades, sendo importante destacar que este valor subiu a 15% no universo de propriedades produtoras de leite com algum grau de mecanização da ordenha e de tecnificação da produção", informa.

Avanço científico depende de verba

A Rede-TB espera uma injeção de capital, não só para colocar no mercado uma vacina para a prevenção da tuberculose bovina, mas para avançar nas pesquisas das vacinas preventiva e terapêutica para humanos. Segundo o coordenador Célio Silva, a Rede-TB foi criada no início deste ano e necessita de R$ 9,6 milhões para ser estruturada. Desse total, R$ 6 milhões serão investidos pelo MCT nos próximos três anos, sendo que R$ 1,5 milhão já foram liberados.

De acordo com o pesquisador, os resultados obtidos pelo grupo até agora, em animais previamente infectados, mostraram que a vacina previne o desenvolvimento da doença e elimina a infecção. Além disso, quando ela é administrada em estados mais avançados da doença, ou mesmo quando está disseminada em todo o organismo do animal, ela também tem a propriedade de cura, que acontece pela ativação apropriada do sistema imunológico.

Um problema no controle da tuberculose é o aparecimento de bacilos resistentes ao tratamento. No trato convencional, um paciente recebe três drogas durante seis meses. Alguns bacilos são resistentes não só a um desses medicamentos, mas também a combinações de dois, três e até mesmo contra todos. Esses pacientes, chamados de multidroga resistentes, contam com poucas ou nenhuma alternativa de tratamento. "O desenvolvimento do projeto mostrou que animais infectados com bacilos resistentes a estas drogas também são curados com a vacina gênica", informa o especialista.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Gisele Teixeira), adaptado por Equipe MilkPoint
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Henrique  Oliveira
HENRIQUE OLIVEIRA

QUIXERAMOBIM - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/04/2013

Boa  Noite .  Peço  a  ajuda  ,  sobre  a  vacina  contra  a Tuberculose  .  Seguro   bovino   existe, e   como  conseguir  mudas  de  cana  Forrageira  . Obrigado
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