Segundo fontes próximas à companhia, o negócio também dará a Lactalis o maior faturamento do setor de lácteos no país. Conforme dados divulgados pela Lactalis, a Itambé tem receita anual de R$ 2,7 bilhões. Já a operação da Lactalis na América Latina, que inclui o Brasil, teve receita líquida de quase R$ 3,7 bilhões nos primeiros nove meses deste ano. No mundo, a francesa fatura € 17,3 bilhões por ano.
Considerada "uma tacada de mestre" por alguns observadores do mercado de lácteos, a aquisição da Itambé é importante para a Lactalis pois permitirá à empresa avançar numa região onde ainda tem pouca presença no Brasil. Atualmente, a Lactalis capta 60% do leite que processa no Rio Grande do Sul. Com a Itambé, terá um total de 18 unidades e irá ampliar as compras de matéria-prima nas bacias leiteiras de Minas Gerais e Goiás.
No comunicado, a Lactalis diz que a aquisição da Itambé trará "uma grande complementaridade geográfica e de produtos". De fato, os produtos da Itambé têm forte presença em Minas Gerais, Rio de Janeiro e também no Nordeste.
A francesa chegou ao Brasil em 2013, com a compra da Balkis. Em 2014, adquiriu ativos da LBR e as operações de lácteos que da BRF.
A virada da Lactalis, que perdeu a Vigor, mas ficou com a Itambé, por certo, não agradou à Lala, afirmaram fontes do setor. Sem a Itambé, a avaliação é de que a empresa de lácteos pagou caro pela Vigor. Além disso, a Lala amarga a terceira tentativa frustrada de comprar o laticínio mineiro.
Para Valter Galan, analista da MilkPoint, consultoria especializada em lácteos, a tendência é que a Lala continue a olhar possíveis aquisições no país, uma vez que ficou menor do que esperava inicialmente no Brasil. "O apetite [por compras] não vai acabar".
A decisão da CCPR de vender toda a Itambé logo após reassumir seu controle também surpreendeu. A avaliação no mercado é de que parte dos recursos da venda deve ser usado pela central e pelas cooperativas para quitar dívidas.
Em comunicado, a CCPR disse que "após retomar o controle da Itambé, pôde escolher o melhor parceiro para o futuro". Segundo a nota assinada pelo presidente Marcelo Candiotto, o negócio "fará com que a Itambé retome sua trajetória de sucesso, crescimento e rentabilidade, beneficiando seus consumidores, as cooperativas associadas da CCPR e seus mais de 6.000 produtores de leite".
As informações são do jornal Valor Econômico.
