CNA defende criação de Câmara Setorial do Leite
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
As CPIs estaduais concluíram que entre os vários integrantes do setor de lácteos, o produtor é o mais prejudicado. Tanto as CPIs como a PFC nº 63 sugerem a criação da Câmara Setorial do Leite. A CNA, porém, acredita que a instalação desse novo grupo de trabalho é o primeiro e indispensável passo para buscar soluções para os problemas do setor.
O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, lembrou da importância que teve para outros setores a instalação de Conselhos, ao explicar que para o segmento lácteo é necessária a criação da Câmara Setorial do Leite, reunindo representantes dos produtores, da indústria e do governo. Esse grupo anteciparia discussões sobre problemas do setor, como oscilações de preços, movimentos de importação, fluxo de demanda e oferta interna e oportunidades no mercado externo para os lácteos nacionais. Funcionaria, portanto, como uma "agência reguladora do setor".
A apresentação do relatório final da PFC nº 63 por Micheletto reforça as preocupações que já eram percebidas pelos produtores de leite. O trabalho comprovou que há distorções no mercado nacional de lácteos e que falta uma política de desenvolvimento para o setor.
Alvim disse, por exemplo, que embora o Manual de Crédito Rural (MCR) preveja a existência de linha de crédito para a retenção de matrizes leiteiras, não há dinheiro destinado a esse tipo de operação. "Essa linha existe. Falta disponibilizar recursos", afirmou, lembrando que já existe programa semelhante para a retenção de matrizes suínas.
O representante da CNA alertou que a forte concentração na área industrial também prejudica os produtores, um grupo bastante pulverizado que fica submetido às políticas de preços determinadas por poucos agentes de mercado.
A falta de política coordenada de âmbito nacional para a produção de leite gera forte instabilidade nesse mercado. A instalação da PFC 63/2001, da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados, ocorreu justamente para apurar um dos problemas que atingiram o setor recentemente: a importação de lácteos a preços bastante inferiores aos do mercado interno, desestimulando a produção nacional.
Em plena entressafra de 2001 houve queda do preço do leite pago ao produtor, em reflexo direto do alto volume de compras de lácteos do Exterior. O problema das importações já foi resolvido, com a elevação da alíquota da Tarifa Externa Comum (TEC) para lácteos.
Posteriormente, o foco da PFC foi ampliado, envolvendo também as dificuldades internas do setor de leite. Para a CNA, com a criação da Câmara Setorial de Leite estaria garantida a manutenção de um fórum permanente para discutir problemas como os das importações e desajustes internos do setor de lácteos.
Para Alvim, o setor precisa discutir urgentemente a reorganização e fortalecimento das cooperativas, buscando estimular a concorrência, discutir os contratos de fornecimento e estabelecimento de preços antecipados aos produtores, combater as fraudes, garantir assistência técnica especializada, defender linhas de crédito específicas, promover a exportação de lácteos, criar o fundo de promoção do consumo de lácteos e estimular o mercado institucional, difundindo o uso de leite e derivados em programas sociais.
Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), adaptado por Equipe MilkPoint
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