CNA: Câmbio põe em risco conquistas da pecuária de leite
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"Ainda não há uma crise estabelecida, mas há o prenúncio de uma crise", diz Alvim. Ele explica que o dólar subvalorizado não apenas desestimula as exportações como também estimula as importações de lácteos. O resultado final é uma oferta maior do produto no mercado interno, reduzindo os preços pagos ao produtor. Dados do IBGE indicam, para o primeiro trimestre do ano, aumento de 9,47% na produção inspecionada em relação ao mesmo período do ano passado. Para o segundo trimestre, o mercado estima valores semelhantes.
Em um primeiro momento, alerta Alvim, os consumidores são beneficiados, encontrando produtos lácteos a preços mais baixos nas gôndolas dos supermercados. Em médio prazo, entretanto, se mantida a atual tendência, há efeitos perversos, pois os produtores nacionais tendem a reduzir a produtividade. Com menor oferta, voltam a subir os preços.
"Na atual situação, a orientação é reduzir a oferta de leite, de forma a dar sustentação aos preços", diz Alvim. Ele explica que há como diminuir a produção de leite, modificando a alimentação dada ao gado, sem, no entanto, comprometer a qualidade do rebanho. Na prática, o rebanho é mantido, preparado para ampliar a produção em momento de recuperação de mercado. Alvim lamenta que a pecuária de leite volte a enfrentar problemas, justamente logo depois de conseguir obter forte recuperação. No ano passado, lembra, o País obteve pela primeira vez superávit na balança comercial de lácteos, de US$ 11,5 milhões. Entre janeiro e junho deste ano, porém, o déficit na balança de lácteos foi de US$ 17,9 milhões, com exportações de US$ 50,7 milhões e US$ 68,5 milhões em importações.
"O setor vinha em ascensão, inclusive com crescimento da produção, que supria o aumento das exportações", diz Alvim. No ano passado, o Brasil produziu 14,5 bilhões de litros de leite sob inspeção, 6,4% a mais que os 13,6 bilhões de litros de 2003. A expansão da oferta verificada no ano passado e no primeiro semestre desse ano tinha mercado garantido, considerando as taxas cambiais vigentes no ano passado. Mas agora, com a atual cotação do real frente ao dólar, o resultado da eficiência do produtor acabou voltando-se contra o campo, com uma grande oferta que acaba derrubando preços. Para amenizar os efeitos negativos da atual taxa de câmbio, o setor acredita ser necessário apoio mais efetivo na comercialização, como a aplicação de mais recursos em operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF) para lácteos e aumento do preço mínimo, estagnado em R$ 0,38 por litro, desde 2003.
Marcelo Costa Martins, assessor econômico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, porém, informou que há ausência de recursos da exigibilidade bancária para financiamentos como o empréstimo do governo federal (EGF) e linha especial de crédito a comercialização (LEC). Martins esclarece que a exigibilidade bancária (que se refere a uma parte do total em depósito à vista que os bancos são obrigados a aplicar no crédito rural) tem recurso de aproximadamente R$ 13 milhões, o qual é um recurso retornável a uma taxa de 8,75%. Martins destacou que esse recurso há muito tempo não tem incremento em valor, e a demanda do setor agropecuário cresceu.
Martins declarou que a Rural Brasil, composta pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Conselho Nacional do Café (CNC) e União Brasileira de Avicultura (UBA), está solicitando que seja aprovada alíquota zero para rações e sal mineral, pois representam 40% do custo de produção do leite, alíquota zero para o leite em pó integral e desnatado destinados ao consumo humano, assim como já é realidade para o leite em pó e leite UHT. Martins também informou que o setor de queijos está reivindicando 100% de crédito presumido para queijo mussarela, minas frescal, prato, coalho e requeijão, sendo que o valor atual é de 60%.
Fonte: CNA e Equipe MilkPoint
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BOTUCATU - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 20/07/2005
As vacas não entendem que devem diminuir a produção somente na medida da economia feita com a diminuição de comida (concentrado!).
Vale lembrar que estamos em entressafra, que não há pasto, que muitas vacas em rebanhos mais especializados estão em início de lactação, portanto diminuir a produção diminuindo a comida (concentrado) pode significar ficar sem volumoso para toda a entressafra, ou ficar com vacas magras, vazias, ao final do inverno.
Quem sabe se uma ação política não fosse mais sensata, ao invés de pedir aos produtores mais uma vez que arquem com a responsabilidade de organizar a bagunça instalada devido à falta de tato dos governantes em relação ao câmbio.
Da forma atual, com adiamento da IN 51, com câmbio favorecendo o aumento das importações de lácteos fica bem claro que não dá para confiar em nada vindo "de cima".
Isso sem falar de outros setores, como soja, milho, carne...
Vamos sugerir aos agricultores que passem a safra sem plantar para forçar o aumento dos preços (e, é lógico, que se virem sozinhos).

OUTRO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 20/07/2005