Chile: Produtores de leite e indústrias fecham acordo histórico sobre fixação de preços

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Em uma etapa que marcará o futuro do setor leiteiro do Chile, produtores e industriais deram apertos de mãos. Após anos de lutas e acusações dos produtores - que acusam a indústria pelos baixos preços pagos pela matéria-prima e pela pouca transparência no processo de fixação de preços - ambos os setores, em conjunto com o governo, entraram em um acordo na sexta-feira passada sobre as variáveis que serão consideradas no momento de determinar o preço que as indústrias deverão pagar a seus fornecedores.

Para definir mais claramente esta metodologia, formou-se uma comissão tripartite - um representante do Governo, um das indústrias e um dos produtores - que tem 30 dias para entregar um informe ao Ministério da Agricultura do Chile.

Negociações

"Isto não significa fixar preços", esclarece o ministro da Agricultura chileno, Jaime Campos. Segundo ele, a comissão fixará os critérios que deverão ser utilizados e, a partir destes, cada produtor deve negociar com a indústria para a qual fornece leite.

Em princípio serão 22 variáveis que regerão a fixação de preços, definidas a partir de um estudo pedido pela companhia de lácteos neozelandesa Soprole. Entre eles, estão a demanda interna, as tarifas internacionais, o tipo de câmbio, a estacionalidade, entre outros fatores.

Este pacto é de extrema importância para o setor leiteiro do Chile, uma vez que as relações estavam praticamente destruídas e os conflitos tinham derivado em duas acusações - uma em 1995 e outra em 2001 - feitas pela Federação Nacional dos Produtores de Leite do Chile (Fedeleche) ao Órgão Fiscal Nacional Econômico, que hoje estão na Comissão Resolutiva, a máxima entidade antimonopólio.

O acordo de sexta-feira foi feito após uma reunião - realizada na quinta-feira e na sexta-feira em Punta de Tralca - que reuniu o Governo, representado pelo ministro da Agricultura, Jaime Campos; as indústrias, representadas pelo presidente da Associação de Indústrias de Lácteos (Asilac), Patrício Lyon; e técnicos e executivos de empresas como Nestlé, Soprole, Colún, Parmalat, Loncoleche e os próprios produtores.

No entanto, as conversações já estavam avançadas. Havia dois meses que a Fedeleche estava se reunindo com diferentes empresas, entre elas Nestlé, Parmalat e Loncoleche. Após o seminário de Punta de Tralca, a entidade espera fazer o mesmo com a Soprole.

Apesar de, ao término da reunião, haver otimismo - inclusive entre os presidentes da Fedeleche, Ricardo Michaelis, e da Asilac, Patrício Lyon - o ambiente interno não estava livre de tensão. Isto porque pesa sobre as indústrias uma acusação do Órgão Fiscal que não será retirada, apesar do acordo, e os produtores ainda estão à espera de que a boa intenção se transforme em realidade. Este pacto feito no setor leiteiro chileno é voluntário e não obriga ninguém a nada.

Fonte: El Mercurio (por Teresa Correa), adaptado por Equipe MilkPoint
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