A indústria de lácteos do Chile está preocupada com o aumento das importações de queijos no último ano, tendência que não condiz com o aumento do preço do insumo mais importante para a fabricação desse produto: o leite.
O aumento das importações levaram o queijo a um dos produtos importados de maior taxa de expansão do último ano. Os dados da Oficina de Estudios y Políticas Agrarias (Odepa) mostram que esse produto está em quinto lugar dentre os de maior expansão nas importações em 2000, com um crescimento de 72,2%.
Durante o mês de setembro de 1999, tinha sido registrado o valor de US$6,9 milhões nas importações chilenas de queijos, enquanto que no mesmo período de 2000 o valor chegou a US$11,9 milhões. Os preços médios dos produtos no Chile também têm caído sistematicamente, tendo sido registrado o valor de US$2,448 mil/tonelada em 1999 e US$2,228 mil/tonelada em 2000. Em 1998, o valor era ainda maior: US$2,624 mil/tonelada.
Segundo Juan Pablo Aruta, presidente da Fedeleche, ambas as tendências não coincidem com a alta registrada no preço do leite. No último trimestre de 2000, o preço do leite aumentou de US$1,3 mil por tonelada para US$2,3 mil/tonelada.
Aruta explica que esse aumento nas importações atribui-se principalmente às atitudes efetuadas pela empresa Soprole, a qual, segundo ele, tomou uma atitude desleal com a indústria local, uma vez que, antes da petição das salvaguardas para queijos ser formalizada durante o segundo semestre de 2000, a companhia adiantou as importações, trazidas basicamente da Nova Zelândia.
Cerca de 50,5% da Soprole pertencem à neo-zelandesa New Zealand Dairy Board (NZDB), enquanto que 44% estão nas mãos da Fundação Isabel Aninat. Os acionistas minoritários detêm 5,5% da propriedade.
Porém, contrário a essa interpretação feita pela Fedeleche, o diretor de operações da Soprole, Hernán Vega, disse que, com exceção do ano de 1999, quando houve uma concentração importante do mercado, derivada da situação econômica, a companhia tem mantido constante as importações de queijos desde 1994, no valor médio de 4 mil toneladas anuais, incluindo o ano 2000.
Além disso, a Soprole explica que as importações são realizadas porque suas duas fábricas produtoras de queijos, em Los Lagos e Los Angeles, estão produzindo na máxima capacidade. Considerando esses elementos, Vega não explica em que sentido a Soprole pode ter realizado atitudes desleais.
A Soprole é uma das maiores empresas lácteas que operam no Chile, com uma participação estimada de 50% no mercado.
fonte: El Mercurio, por Equipe MilkPoint
Chile: preocupação pela alta nas importações de queijos
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