Chile pode recorrer à OMC contra Argentina

Um novo foco de conflito poderá surgir entre o Chile e a Argentina. A Oficina de Estudos e Políticas Agrárias (ODEPA) do Chile está estudando o sistema de impostos diferenciados que a Argentina possui para alguns produtos, como trigo, farinha e leite. Além disso, está analisando a questão dos subsídios indiretos que os exportadores argentinos recebem graças a preços artificialmente baixos dos combustíveis.

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Um novo foco de conflito poderá surgir entre o Chile e a Argentina. A Oficina de Estudos e Políticas Agrárias (ODEPA) do Chile está estudando o sistema de impostos diferenciados que a Argentina possui para alguns produtos, como trigo, farinha e leite. Além disso, está analisando a questão dos subsídios indiretos que os exportadores argentinos recebem graças a preços artificialmente baixos dos combustíveis.

"São medidas de política interna que acabam afetando as relações comerciais porque geram vantagens competitivas não genuínas", disse o diretor da ODEPA, Reinaldo Ruiz. Ele disse que se a ODEPA conseguir construir um caso bem fundamentado, com antecedentes técnicos e calculando a quantidade de danos gerados aos produtores chilenos, recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ruiz disse que até agora o Chile não tinha recorrido à OMC porque estava priorizando as relações bilaterais, mas atualmente, o país quer que a Argentina corrija este tipo de mecanismo que causa distorções no comércio entre os dois países.

A Argentina também ameaçou recorrer à OMC contra o Chile caso o país aprovasse a aplicação de salvaguardas contra as importações de lácteos. Ruiz é membro da Comissão de Distorções, que decidirá se procederá ou não a aplicação destes impostos. "O problema de aplicar uma salvaguarda é que ela se aplica a todas as importações lácteas em forma genérica, não somente às provenientes da Argentina, o que pode fazer com que outros países se sintam prejudicados".

Ruiz disse que a aplicação de salvaguardas não necessariamente será um alívio aos produtores do Chile. Isso porque tanto no Chile como na Argentina existe um excesso de produção de leite, o que leva às reduções nos preços. "A Argentina reverte isso pelas exportações. O Chile precisa fazer um esforço muito grande para baixar seus custos". Segundo ele, no caso da Argentina, os custos são menores não por causa da produtividade, mas sim, pelos subsídios, como à gasolina.

A reportagem é do El Mercúrio.
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